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Patativa do Assaré Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte

Sonhos Claudia Alexandra, portuguesa.

Banho de Lua Claudia Alexandra, portuguesa.
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| Quinta-feira, Julho 31, 2003 |
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Crenças e diferenças
Deve ser uma trabalheira de análise combinatória tremenda fazer cada pessoa diferente da outra. Já pensou quantos traços de olhos existem espalhados por aí? Tanto tipo de nariz no mundo! Cada listrinha da mão... não tenho a mínima idéia de como se formula uma impressão digital. A onda hormonal e harmônica que precede o ato sexual, como é isso? e o óvulo e o esperma e boom: uma pessoinha. E que depois cresce e morre. A vida seria contraditoriamente pessimista não fosse a certeza do prazer. Sensações, sensações. Apenas elas contornam nossa existência. (e.. *UAU* por isso)
Não sei se vocês sabem, mas o tempo não pára. Roda, roda, roda. Coisa estranha, quase pendendo pro insano. O carrasco que dá enquanto tira. A gente tem um certo espaço de tempo pra viver. Uma coisa. outra coisa. outra. Uma seqüência de coisas, dentro duma seqüência mental peculiar. No limite sinapsial de cada um. Tudo curiosamente subjetivo demais.
Ou seja: diferenças existem.
A verdade do outro como sendo cerrada, única e não como motivo de análise só vem a negar tanto esforço da roleta do acaso.
Ok, estou outra vez na iminência de uma crítica aos dogmas. Poderia sim mandar descer a natureza subversiva que tem aqui em mim e tascar uma safra delas, mas não sou de total extremismo assim. Predomina a minha parte maleável porque acredito em uma razão por trás das razões. Não cuspo na cara do "irmão" que canta glória, glória aleluia naquela voz leprosa porque ele tem todo o direito. Assim como aqueles que vendem terrenos no céu tem todo direito de exercer o potencial marketeiro. Compra quem quer. (o céu é muito bonito mesmo, se querem morar lá, tem até bom gosto. não sendo os meus, despejem os reais que quiserem)
Quando escutamos casos de abuso sexual feitos pelos padres. hmm... conseqüência do celibato, não é? Jesus perdoa as falhas humanas e não se fala mais nisso, ok?
Bem, não quero submeter o todo a sua parte comprometida. Vamos mudar de assunto.
Além do mais, cada um tem o poder que precisa pra enxergar as coisas como quer. Mas, quem se detém a uma leitura como essa, ou não tem o que fazer, ou quer acrescentar algo à sua opinião - através de outra. E a minha é a própria contradição em que caio.
Enfim, tudo pende de alguma forma pra relatividade. Em se tratando dos cristãos, não acredito que estejam condenados ao erro indelével pelo puro fato de sua fé. Se o jeito é convocar uma força externa, uma força imaginativa atuante que interfira positivamente em sua vida, se isso de qualquer forma (lhe) faz bem, isso (lhe) sendo válido, é - no mínimo - pertinente.
Se nos templos as cabeças estão mais bem amparadas do que fora deles, se estão livres da solidão do existir em toda sua complexidade, que fiquem os homens que quiserem sujeitos. Pois, de outra forma, não estou bem certa se estaria a humanidade com o nível de consciência necessária a responder pelos próprios atos, suportando o próprio peso ao mesmo tempo da concretização do bem entre todos.
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| Quarta-feira, Julho 30, 2003 |
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Utopia
Começo a fugir da realidade
E busco um motivo para ela existir
Percorro infinitos
Fecho os olhos
Um grande silêncio está a minha volta
O inconsciente abre suas portas
E me faz desejar
Ponho-me a sorrir secretamente
Viajo por lugares "desconhecidos"
Que só eu os conheço
E não quero voltar ao real
Alimento minha alma
Vivo da realidade
E sobrevivo de sonhos.
Eveline Alvarez dos Santos |
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| Terça-feira, Julho 29, 2003 |
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A letargia daqueles que não fazem teatro: a solidão sem muros
Bebo Ypióca.
Não estou no famoso eixo Rio-São Paulo,
onde as superproduções mercantilistas imperam com
atores famosos
graças
à
mídia
televisiva.
Minha atenção à fruição teatral
é
voltada para a capital [S. Luís] de meu estado [Maranhão],
quando ouso
enfrentar meu enfado
frente às estradas rodoviárias estaduais.
Em todas as vezes que presenciei alguma coisa que insistiam em chamar de teatro, me sentia tão árido, tão anestesiado com a mediocridade da proposta
[se existisse uma, claro],
que me emocionava e chorava... de ira semicontida.
Pensava
nos
assassinos
contumazes
dos
cinemas
migrando
para
a
efemeridade
do
teatro.
Nestas horas indissolutas percebo como continuo a ter razão.
Atores-não-precisam-de-público-somos-auto-suficientes.
A solidão de um ator, na composição/encenação de sua personagem, em um palco ermo
[mesmo com os demais egos que sempre o circundam],
tornam a prática da encenação, em lugares fechados, sinônimo de...
masturbação.
Aproximo-me de todas as práticas que viabilizem minha similaridade com o divino do humano existente em mim.
Estou ensaiando o espetáculo ¿A casinha dos velhos¿, de Maurício Kartún, do teatro contemporâneo argentino (estética do absurdo). Nos últimos 20 ensaios, estamos sorvendo pinga com mel e limão, misturados antecipadamente pelo diretor cinematográfico frustrado, Gilberto Freire de Santana, Mestre em Teoria Literária. Nosso estado de desvario é ensurdecedor. Assim, ensaiar reforça minha idéia no prazer voluntarioso em brincar de seriedade, com os demais que me cercam sem, contudo, praticar o teatro que jamais se mostrará. A ruína do teatro não está nas leis de incentivo, nem na ausência de platéia ou técnica de encenação.
O deslize chama-se ator sem fingimento.
O vômito pós-Ypióca se fez.
Postado por Cláudio Marconcine |
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| Segunda-feira, Julho 28, 2003 |
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Como se define a Psicanálise na atualidade
A reflexão epistemológica e filosófica sobre a Psicanálise - sua definição e seu papel social - parece ser um tema tão importante na atualidade quanto a discussão sobre as novas formas de manifestação do inconsciente, isto é, sobre os sintomas contemporâneos. Tal reflexão deveria se dar de modo contínuo, de forma a manter viva uma autocrítica necessária à evolução do pensamento psicanalítico.
Em primeiro lugar vem, mais uma vez, a já habitual pergunta: ¿O que é a Psicanálise?¿. Melhor seria indagar: ¿O que ainda é a Psicanálise?¿, ou então: ¿O que é a Psicanálise na atualidade?¿. A Psicanálise é ciência ou arte? É inegável o fato de que a Psicanálise é muito mais que um simples método terapêutico, pois nos permite ir além dos limites da clínica para penetrar na dimensão cultural e antropológica do ser humano. Também é indiscutível que a Psicanálise possuía, nos seus primórdios, pressupostos das ciências naturais. De fato, neste sentido, há uma continuidade entre o pensamento freudiano e o darwiniano. Porém, atualmente, podemos afirmar que, levando em conta a epistemologia e a herança científica de caráter empírico ou experimental, o único fundamento científico da Psicanálise seria o da sexualidade infantil.
Sobre este fato, destacamos a maneira peculiar como Freud realizou o seu percurso da histeria à sexualidade infantil. Freud não observou de forma sistemática o comportamento de crianças para chegar à sua conclusão sobre a etiologia da histeria, mas analisou de forma detalhada o psiquismo de jovens e adultos, a partir de suas lembranças da infância. No entanto, apesar do percurso incomum realizado pelo pai da Psicanálise, a descoberta da sexualidade infantil é passível de demonstrações experimentais no trabalho com crianças. Esta foi, de fato, a maior contribuição de Freud à psicologia de tradição experimental e à ciência, contribuição tal que não provocara tantas reações polêmicas desde a época de Charles Darwin.
Poderíamos nos indagar: ¿E a descoberta do inconsciente, não foi uma grande contribuição freudiana à Ciência?¿. Por não ser o inconsciente passível de demonstrações experimentais de caráter puramente empírico, este conceito não é aceito pela Ciência de maneira tão evidente quanto a sexualidade infantil, apesar de suas manifestações através dos sonhos, lapsos e sintomas, as quais parecem ser bastante convincentes na clínica. A grande contribuição freudiana que se deu com o conceito de inconsciente foi, de fato, à Cultura. A descoberta do inconsciente por Freud teve maior impacto nas tradições filosóficas, nas artes e na religião do que em qualquer meio científico. Deste modo, podemos dizer que a Psicanálise atingiu três principais aspectos da tradição do pensamento ocidental: a ética, a estética e a política. Assim, podemos afirmar que a Psicanálise é uma prática, no sentido aristotélico.
Um dos grandes êxitos da Psicanálise foi o fato de seus conceitos éticos e estéticos, bem como seu discurso político, se fundarem a partir de duas dimensões inerentes ao ser humano: a sexualidade e a linguagem. A partir do fundamento científico da sexualidade infantil, a dimensão sexual passou a ter um caráter fundamental, de presença marcante na totalidade da vida humana. Da mesma forma, a linguagem também se definiu como outra dimensão essencial à existência humana.
Então, tendo em vista o que foi discutido até o momento, podemos afirmar que a Psicanálise não é uma ciência, apesar do fundamento científico da sexualidade infantil, mas se trata de uma prática, isto é, está estruturada sob o patamar da ética, da estética e da política.
A dimensão ética da Psicanálise está fundamentada na lei da proibição do incesto e na experiência da Castração. Não se trata, portanto, de uma ética moral, mas de uma ética do desejo. O sujeito, em psicanálise, se constitui eticamente nos limites do seu próprio desejo. Por ser o desejo algo dinâmico, está sempre presente na vida do sujeito, de forma que este permanece em eterno conflito de caráter econômico libidinal, o que contribui para que haja uma contínua reflexão ética.
Do ponto de vista estético, a Psicanálise se aproxima das artes, como também é capaz de interpreta-la. O psicanalista trabalha não apenas com o manejo ético da transferência, mas também com a sua imagem, que se sustenta esteticamente no decorrer do percurso psicanalítico.
Por se tratar de um percurso, existe uma dimensão política fundada no discurso psicanalítico. É de responsabilidade do analista realizar atos em psicanálise, como também promover ao analisando o fluir de um discurso original e autêntico. Ao final do percurso como analisando, o sujeito terá não apenas construídas uma ética e uma estética do desejo, mas formado um discurso político, donde será responsável pelos seus atos como analista. A análise, neste caso, converte a dimensão da sexualidade para uma dimensão da linguagem, através do fluir de um discurso autêntico e de um estilo existencial.
Ao final, podemos afirmar que à medida que a Psicanálise se propõe a ser uma forma de cura, ela sempre tenderá ao fracasso. Na verdade, a Psicanálise é um percurso sem fim, ou seja, uma vez instituído o pensamento psicanalítico no sujeito, não há mais volta, este passa a ser marcado por sua divisão, donde fluirá um discurso autêntico, a fim de promover a liberdade do ser.
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Aí, gente-boa-noite. Vamos, para o alívio de todos vocês (e meu, principalmente) ao último capítulo da saga de Rony e o ronquenról. Juro que passei a semana toda pensando sobre como escrever este texto: o que escrever, como escrever e, sobretudo, porque iniciei esta coluna abordando este tema (é claro que, como sempre, deixei tudo para os últimos minutos do segundo tempo). Após looooooongas divagações (o que uma mente em recesso escolar não é capaz de produzir...), cheguei a conclusão de que fui contagiado pelo clima de nostalgia que paira sobre este blog. Sim, digo isto porque três dos meus seis companheiros nesta cruzada são velhos conhecidos, já lutaram outras batalhas a meu lado, acumulando vitórias e derrotas, mas acima de tudo, curtindo a amizade tal como vinho em tóneis de carvalho. Sim, meus queridos, foram vocês os culpados disso tudo (que os descontentes espanquem vocês, ao invés de mim...).
Talvez estivesse eu tentando resgatar os bons momentos de outrora aqui, e por isso acabei me esquecendo do mais importante de tudo, o futuro, que embora pertença a Deus (muito embora o diabo tente meter a sua colherzinha torta), a nós cabe dirigir (que merda, nem carteira de motorista tenho...). E em excelente companhia, permita-me dizer: neste momento está ocorrendo o 1º Semi-Encontro Se7e Causas (sim, porque sem a minha presença, não há quorum... hehehehe), e seria um privilégio para mim estar aí conhecendo nossos novos amigos (Carlos, Carlos e Bárbara, fico devendo...) e co-pilotos desta Jangada de Pedra.
Assim sendo, e voltando ao desfecho de nossa saga, admito que de nada valeria discorrer acerca do longo caminho que percorri dos meus primeiros pentelhos, digo, acordes, até o ensaio de hoje à tarde. Cabe dizer apenas que estou apenas começando na caminhada da música (credo, isso parece nome de quadro do Silvio Santos!!), caminhada esta que já me rendeu tombos memoráveis e grandes alegrias. A despeito da opinião equivocada de alguns retardos, não poderia servir de exemplo a ninguém, uma vez que acredito ser a relação com a música algo único, intimamente relacionado à percepção de mundo e à experiência de vida - desta forma, coisas que vivi e que me pareceram difíceis talvez fossem nada para outros, e vice-versa - muito embora minha disritmia (palavra esta que acabei de descobir que não existe [sic]), associada a meu astigmatismo (essa conferi no dicionário!) não ajudem em nada. No final das contas, o negócio é fazer como se diz nas reuniões do AA: viver um dia de cada vez.
E confesso, o de hoje não foi dos melhores: sabem o tal ensaio que falei com vocês? Pois é, achei que estava abafando e tal, mas quando fui ouvir a gravação, putz... é justa causa na certa! [...] Bem, nada que um porrezinho não cure... Vai um copinho? |
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| Sexta-feira, Julho 25, 2003 |
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"Eu luto sozinha contra a escuridão, na mais profunda escuridão, e só eu sei o que isso significa". Quando a personagem de Virginia Woolf declara sua situação na adaptação do premiado livro As Horas para o cinema, percebemos seu sofrimento e angústia da qual é obrigada a passar quando muda para uma monótona cidade depois de enfrentar graves problemas psicológicos.
O filme, dirigido por Stephen Daldry ("Billy Elliot") e inspirado no livro de Michael Cunningham, mostra períodos na vida de três mulheres em três épocas diferente justamente quando a dor da depressão domina suas vidas. Virginia (Nicole Kidman), a única personagem real da obra, está prestes a escrever o seu romance Mrs. Dalloway, no ano de 1923. Em 1951, a dona de casa Laura Brown (Julianne Moore) se sente infeliz em assumir o papel de esposa e mão perfeita enquanto lê o romance de Woolf. E, finalmente, em 2001, Clarrisa Vaughan (Meryl Streep) se torna uma versão moderna da personagem de Mrs. Dalloway ao preparar uma festa para um grande amigo e antigo amor que vítima da AIDS, está sendo homenageado por suas poesias.
Ao mostrar a vida destas três mulheres, Daldry mostra sua habilidade em contar histórias em paralelo com uma simetria impecável e, com a ajuda da edição feita por Peter Boyle, faz cada movimento de câmera, assim como cada cena e gestos dos personagens fluir com uma perfeita harmonia acompanhada da trilha melancólica composta por Philip Glass. Sem falar nos eventos em comum que acontecem nas três épocas: Decoração com rosas, detalhes nos ovos sendo quebrados, beijos entre mulheres, visitas que aparecem antes da hora prevista.
Sem explicar os motivos de cada sofrimento vivido pelas protagonistas, As Horas mostra a forma em que cada personagem tentar lidar com o próprio, mantendo as mesmas características em comum. Uma delas é tentar viver para o próximo, com exceção de Virgínia. O Sr. Woolf vive para Virginia, assim como Laura vive também para seu marido e filho Richard, e Clarissa vive para seu amigo poeta.
Quando Virginia diz que luta sozinha na escuridão, ela está falando não só por ela, mas também por Laura e Clarissa. Estas últimas também lutam sozinhas na escuridão e enfrentam as horas angustiantes de suas vidas, sempre em busca do conforto espiritual. Nicole Kidman, Meryl Streep e Jullianne Moore transmitem o clima melancólico e depressivo das suas personagens, e a presença dos coadjuvantes também são essenciais e dão mais consistência ao drama sofrido das personagens. Stephen Dillane faz o Sr. Woolf, que tenta fazer Virginia seguir os cuidados recomendados pelos seus médicos, temendo perdê-la. John C. Reilly faz o marido de Laura, que faz o papel do marido sensível, tradicional do conservadorismo que reinou na América dos anos 50. E Ed Harris interpreta o ex-namorado de Clarissa, que procura abrir seus olhos para que esta se dedique mais a sua vida, e não só mente por ele.
Emocional, envolvente, angustiante e intenso, As Horas é um belo filme que, junto com o livro de Cunningham, mostra que o romance escrito por Virginia Woolf estará presente em todas as épocas, assim como o fantasma da depressão que ronda todos nós. |
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| Quinta-feira, Julho 24, 2003 |
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Crer ou não Crer? Eis a questão
Cada um faz o que quer. Pensa o que quer. Isto é claro, certo? Não. Não para a realidade dogmática a que estamos inseridos enquanto submersos na sociedade cristã.
Eu sei, eu bem sei que a existência pesa e muito sob os ombros de cada ser humano. Mas, quando focalizo alguns preceitos religiosos, fico realmente sem entender o porquê de tanto extremismo místico. Então, quero aqui correr dois riscos. Um é de cair em análogo extremismo, o outro é que por alguma via - improvável mas não impossível - minha avó, a beata-secretária-executiva-de-assuntos-internacionais-da-equipe-de-voluntários-do-padre, venha a tomar conhecimento desses meus pensamentos-escritos pecaminosos. (Sim, pois não sabiam que também se peca em pensamentos? Sou uma pessoa crismada(!) e já fui anjo de igreja(!) Sei das coisas. ora.)
Como eu ia dizendo, convoco o risco sofista para inferir que todo o pacote dogmático constitui um atraso para a humanidade. Cristianismo, enquanto distorcido em fundamentos, nada mais é que a -lamentável - jaula que encarcera o homem num conjunto de regras alicerçadas na imaginação, numa certeza cega que soaria engraçado não fosse costume: uma certeza que não se pode provar.
Surge a moral cristã mantendo o ser humano sob controle, distanciando-o de si mesmo, de sua própria potência. Dar-se então a negação do ser. No lugar, há uma existência superior, grande, perfeita. Todavia, muito longe da realidade animalesca de cada dia. Ou melhor: qual a lógica de se vislumbrar um ser superior como modelo e bitolar-se na tentativa de manter-se também em santidade? Quem consegue? O fato é que a negação dos desejos, a redenção através da dor - e demais variantes - priva-nos, paradoxalmente, da capacidade de usufruir dos sentidos, nosso principal mediador do existir.
O lance é que o produto dessa tal moral cristã tragicamente anula a natureza. Que é a visceral busca pelo prazer, pelo bem estar. A busca da satisfação do que é instintivo (como um boca sugando o leite, o alimento. O sorriso onírico dos bebês. Essas coisas que felizmente nos aproxima da condição de humanidade)
Vez por outra a lembrança dos processos históricos de imposição católica, por exemplo - como a SANTA inquisição - me levam ao bizarro questionamento que/se talvez não seriam as joaninhas mais felizes que nós, seres humanos... posto que, até o eu sei, não estão elas sujeitas ao que se diz o pastor, o padre, a freira - a puta que pariu - para existirem em pleno acordo com a natureza circundante. Joaninhas, coalas ou qualquer um que esteja inserido no feliz paradoxo de serem grandes, enormes, mesmo na própria pequenez. Livres da condição humana que tanto pende pra uma ética danosa - que, na ânsia pelo infalível, esquece da máxima de manter a conscientização em torno disso de fazer o bem ao próximo.
(Pergunte quem é Deus para uma joaninha e ela certamente responderá. "Pois não, em que posso ajudar?")
Mas a questão não é essa. Voltando à inutilidade cristã... vale uma outra inferência igualmente pertinente: sem revelar o fato de apenas parte do mundo ter conhecimento de Cristo, não lhe caberia ainda a responsabilidade por inserir ordem no galinheiro? Pq dá calafrios só em pensar o que estariam fazendo esses crentes fervorosos senão rezando em histeria por tal causa.
Não fazer mal já é um grande bem, isto é sabido. Apenas explanei, aqui, meus pensamentos em torno do assunto - sem a pretensão de ficarem os seus conceitos correlacionados com o meus. O fiz por achar que meu otimismo poderia emitir seu achismo de que a evolução que necessitamos vêm do livramento dos medos inúteis. (Pois sim, o medo. Medo de se perceber enquanto responsável pelo que de bom ou ruim (lhe) acontece. Medo de não suportar sozinho a própria existência. De não ter a quem recorrer. A quem culpar. O medo, o medo. Todos sabemos dele)
O primordial é, enfim, o respeito à opinião do outro. Cada um faz o que quer, certo? E come quem quer e pensa o que quer e se tora e levanta e morre e respira.
bora botar a consciência pra trabalhar... assim... de vez em quando, sabe?
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| Quarta-feira, Julho 23, 2003 |
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Eu apenas queria & Rascunho da vida !
Mais uma vez buscando uma causa.Confesso que essa acabou de sair das minhas entranhas. Eu comecei a escrever no meu blog pessoal quando esse texto foi surgindo e no final resolvi colocar ele aqui também. Não sei como enquadrá-lo literariamente... mas não estou nenhum pouco preocupada com formas e definições literárias no momento. Eu apenas deixo com vocês hoje pedaços das coisas que sinto ! E aproveito também para deixar uma figura que a nossa Fanka me mandou. Acho que ela trás uma grande verdade ! As nossas vidas muitas vezes tornam-se rascunhos e quando escrevemos um rascunho temos preguiça de passar a limpo. Temos medo de modificar o que já é de nosso entendimento e o que está a nosso alcance.
Essa foi a minha causa desta noite... noite que infelizmente não faz frio.
Tenhamos cuidado para que os nossos rascunhos não terminem numa cesta de lixo !
* Esse é o texto vindo diretamente das minhas entranhas... quer gostem ou não.
Eu apenas queria...
Eu queria que chovesse muito hoje.
Eu queria a noite de inverno mais fria do ano.
Eu queria apenas poder tomar um chá e ouvir o silêncio da noite.
Eu queria apenas saber que uma coruja passou pela minha janela.
Eu queria apenas sentir frio e calor...
Eu queria escrever por longas horas no livro de capa preta planejado.
Eu queria um peixinho solitário no meu aquário vazio.
Eu queria tempo e paciêcia para para poder entender muitas vezes o inexplicável.
Eu queria o colo da minha avó agora.
Eu queria ver o mar, sentir a textura da areia e sentir o vento nos meus cabelos.
Eu queria deitar na grama molhada...
Eu queria sentir o cheiro de terra molhada.
Eu queria apenas uma noite... apenas uma Noite.
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| Terça-feira, Julho 22, 2003 |
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Diálogo entre dois atores: pequeno exercício de troca simultânea de máscaras (Tomo no cu III - nádegas ardendo - não há fim possível)
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EU 14 (Terça-feira, 13 de junho de 2000 00:37) - Re: lá, lá, lá, lá, lá
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(Criatura outorgada da história, por onde andam as suas pernas?)
Sinto-me em mutação. Talvez o que me motive seja a alcunha de criatura sem começo, meio e meio, pois o fim já sei qual é, foi, será. Somos finitos ensimesmados e a prisão, sem muros, é meu castelo... de cartas. Não dê o seu sopro de vida tão fortemente, pois ele (o castelo) em terra ficará.
(Talvez não sejam elas que estejam sumidas no espaço.)
Gosto de mágicas. A ilusão sempre me convenceu, do contrário criaria asas de cera com pouca freqüência; subiria ao céu com pouquíssima freqüência; cairia por terra sem nenhum remorso n'alma. Assisto a programas de televisão, comerciais e por assinatura; ensinam-me truques e macetes que minha teoria de ilusionista não percebe a farsa que há em mim, exceto ver-me em si. Assim, continuo a gostar da doce ilusão de um beijo.
(Mas a notícia é o hábito necessário para o gostar.)
Sou um suicida convicto e com remorso antecipado. Digo: Não vou para o céu e sucumbe, em mim, a idéia de sucumbir (engraçado, não?!). Pensei não gostar de aparecer em páginas policiais. Ledo engano. Minha foto ficou bonita quando tirei a roupa na universidade. Disso não mais morro (olha que legal o trocadilho...). Notícias é fácil; difícil é suprir a falta do hábito. Não escrevo por nenhum motivo que me possibilite a vida. Quero morrer num colo aparente e sussurrar no ouvido palavras obscenas com o mesmo respeito e veneração que os cristãos recitam o Pai nosso... Roçar o dorso no ombro esquerdo e desejar ardentemente pousar minha nuca. As pessoas buscam Porto Seguro na cidade errada e ainda me chamam de louco, desvairado...
P.S.: Não me venha com essa história de gostar; você está falando comigo, lembra?
(Quais são as notícias que esquecemos no rascunho dos guardanapos?)
As palavras não ditas têm sabor. Mesmo parecendo ser impossível desviar o gosto da comida deglutida ou ainda da tinta de uma reles caneta BIC (é assim que se escreve?), os demais sentidos persistem em, estampados em uma folha em branco, expressarem a fina flor do caos, como a dúvida daquele que abre uma caixa de bombons sortidos.
(Tomei vinho com maconha e lembrei do fascínio que o imaginário exerce sobre a espera.)
Lembrei-me de Dali: "...ser trincado e digerido por um fervilhar de vermes...", e de um espetáculo que um dia eu participei, chamado A Fila. Tratava do sofrimento de pessoas caricatas, porém comuns, à espera de uma
consulta. Eu era o doido que, em vão, tentava conservar o muro firme. Passava o tempo inteiro colocando, uns sobre os outros, os tijolos que eram derrubados. Minha função é sempre esperar o pior, mesmo que esse pior seja um encontro.
(Espero beber mais e ver você algumas vezes.)
Capeta chama a mim para sentar à mesa. Eu aceito. Capeta serve o vinho. Eu tomo. Capeta olha nos olhos de cor clara e sorri com o canto esquerdo da boca. Eu retribuo com um sorriso farto como se dissesse sim, quero muito. Capeta fecha os olhos e vê a cena se repetir infinitas vezes. Eu, no Estado ao lado, idem. Eu não sou narrador. Eu creio que Capeta é uma entidade, e por soê-la, é onisciente e onipresente. Eu sonho, e durmo, e choro, e rio, e arroto, e peido. Eu sou umano sem h por sentir-me ainda incompleto. Eu espero tomar da água barrenta oferecida pela entidade, e sonho, e durmo, e choro, e rio, e arroto, e peido. Eu possivelmente seria humano.
A chuva é o esconderijo do choro. Eu me mostro. Olhe-me, pois estou aqui recebendo o abraço. Porém não me peça a sensatez daqueles que não vivem, que não florescem. Dou-te o que tenho de mais importante: a incerteza do prazer e a segurança da dor.
Um beijo do tamanho de um paquiderme.
Fim, definitivamente.
P.S.1: O paquiderme continua a existir.
P.S.2: Sei que ninguém leu todo o texto. Sei cumprir meus objetivos.
P.S.3: Deus não existe.
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| Segunda-feira, Julho 21, 2003 |
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Mal-estar na civilização: da época vitoriana à atualidade
Mais uma vez nos vemos diante dos novos sintomas do mal-estar na civilização atual, procurando detectar suas causas e abstrair suas estruturas, a fim de apresentar uma teoria que possa promover uma resolução ou, senão, pelo menos, apresentar uma discussão sobre os impasses atuais.
Primeiramente, é necessário voltar à época vitoriana, no final do século XIX e início do século XX, e observar as condições em que Freud expôs o mal-estar na civilização neste período. De fato, Freud sempre demonstrou, de acordo com sua época, a forma como a civilização reprimia os desejos primitivos do sujeito para manter a ordem social e suas superestruturas. Isso gerou o aparecimento das neuroses e seus principais sintomas, a exemplo da histeria, bem como marcou as diversas manifestações culturais da época, tais como a literatura, as artes e a religião. Diante da repressão sexual causada pelas exigências civilizatórias, o sujeito era obrigado a promover uma tentativa de economia libidinal que desgastava suas energias e, em grande parte, estava condenada ao fracasso. Freud pretendeu, com sua exposição, fazer uma crítica aos ideais iluministas que ainda permeavam na sociedade da época, demonstrando os limites do uso da razão humana e do ideal de uma vida feliz prometida pelo discurso científico e, porque não dizer também, pelo discurso religioso.
Atualmente, a realidade é bastante diferente, pois os impasses na virada do século XX para o século XXI parecem indicar um caminho inverso e diverso em relação à época freudiana. As questões atuais dizem respeito ao excesso de permissividade sexual - que refletem e acompanham as mudanças históricas e sociais -, onde a sociedade não mais se opõe à força pulsional, mas reforça a mesma, de maneira a transpor todo e qualquer limite para o desejo primitivo, promovendo uma satisfação imediata, gerando uma expectativa maior em relação aos objetos, que acabam não dando conta da demanda do sujeito. O resultado disso é o surgimento dos novos sintomas na clínica e na sociedade.
Juntamente com a volta do liberalismo econômico, demonstrando um triunfo aparente do capitalismo; da explosão comercial dos fármacos e drogas ilegais; dos esforços da genética para demonstrar a eficácia do discurso científico; juntamente com tudo isso, percebemos a população recorrendo a novas formas de religiosidade, sofrendo com sintomas atuais - desde a depressão à impotência sexual. Cada vez mais a sociedade tenta eliminar as diferenças individuais, propondo um modo de vida padrão a todos: roupas, acessórios, carros, lazer, internet, etc. A ausência de um sistema econômico que se oponha ao capitalismo torna este um sistema universal, justificando a globalização e incentivando o individualismo nas pessoas, o que, a principio, parece ser uma contradição. Porém, há uma diferença entre individualismo e individualidade. O sistema vigente incentiva o individualismo baseado em princípios universais (ou globais), ou seja, todos são orientados a seguir um padrão fixo, determinado pelo sistema, sem que haja nenhum limite ou respeito pela individualidade. O sistema atual elimina as diferenças entre os sujeitos, no sentido de desvalorizar o que o sujeito tem de autêntico ou original, isto é, ignora sua individualidade. A globalização econômica acaba se refletindo nas ideologias, nas religiões e na cultura em geral, como também nos sintomas clínicos. Pessoas ¿iguais¿, vazias, acabam promovendo uma pobreza cultural, e é cada vez maior a preocupação com a imagem. O sujeito busca um título para si, quer ser nomeado, sustenta uma imagem daquilo que não é; pretende ocupar um lugar onde não consegue se sustentar, mas quer gozar de qualquer maneira ocupando aquele lugar. Para isso, os fins justificam os meios. É uma volta do maquiavelismo num contexto pessoal.
É necessário, então, uma reflexão sobre o grande salto que foi dado da época vitoriana até a atualidade. Valores humanos e costumes básicos que sempre fizeram parte da existência humana em outras épocas são ridicularizados pelas gerações atuais, num processo de inversão de valores. É a negação da economia libidinal. A quantidade infinita de objetos oferecidos pelo sistema é sempre insuficiente para o sujeito, visto que o desejo não possui um objeto que dê conta de sua demanda original. O fracasso deu lugar à ilusão da satisfação imediata e à busca eterna de objetos sucessivos. A vontade de poder desmedida gera, em última instância, a impotência. A queda da imagem onipotente gera a depressão. Um vício gera outro vício, numa busca cada vez maior por satisfação. O capitalismo fez da realidade uma lógica dos instintos, promovendo a forclusão da Lei.
A crítica da atualidade deve ser feita considerando a totalidade dos fatores manifestos e latentes, respeitando e promovendo a diferenciação entre os pontos de vistas. É necessário gerar discussões, diálogos entre as diversas disciplinas, onde cada ponto de vista seja considerado dentro da totalidade dos fenômenos apresentados. Cada ciência, por sua vez, procura abstrair das discussões travadas uma ou várias estruturas que componham uma teoria específica. A falta de posições distintas e autenticas só vem a sustentar o lugar tirano da opinião única, o lugar que o sistema vigente quer ocupar e que, em tristes épocas, promoveu o surgimento dos regimes totalitários. Não devemos esperar a situação atingir tal gravidade para só então colocar um limite ou tomar uma posição, não vamos cometer o mesmo erro mais uma vez!
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Silêncio dos Inocentes
Disseram-me que hoje o dia não tá pra peixe, não tá pra boi, carneiro, galinha, o tempo não tá pra nada...eu sinceramente não entendi porque o dia não tá pra peixe, pra boi, carneiro, galinha...porque será que ele me disse isso? O homem feio de repente ficou estátua e eu não buli no seu desejo. A parede da vizinha às vezes ronca, às vezes geme, mas eu não tenho nada a ver com esses zunidos...sou uma pessoa que ama o que não se pode amar. Só amo o invisível. Meu relógio pifou, a lâmpada do quarto se autoincendiou, o escuro goza. A velinha se arde toda, e o meu poema fome 0 parece um ovo diet! Hoje só tomei um suco de cajá. Amanhã, se meu salário aumentar talvez eu coma um tamanduá. Os Rolling Stonnes no juízo. As pedras estendidas no varal. Os ruídos da motocicleta de jonatan...nem o céu, nem o mar, nem a porra d¿um carrossel, vai levar-me para aquela metáfora; vou chupar manga com leite, só pra ver o chafurdo. A dois metros do desemprego aquele homem que me fez a pergunta à cima tomba de cansaço no chão, o olho dele bole e vira. O olho dele é uma bomba. Meu silêncio só pede que tu me estranhe...meu silêncio é do tamanho da dor dos tupinambás. Meu silêncio pau bra$il descendo no pelô...arpoador, no horto... em reticencências. Vou comer um trago de fumaça, esquecer...
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Oi, gente, cá estou eu novamente, correndo contra o tempo (só pra variar), sacrificando o sabadão em nome deste amado blog (hmmmmp, porra nenhuma, tô é sem grana pra sair - se alguém quiser pagar um chopp estamos aí...). Tenho a partir de agora 56 minutos para escrever, revisar (e reescrever tudo, do contrário não houve revisão que prestasse), postar e ouvir os comentários (ou esporros) de Eveline, que está online, sei lá porque. Mas ela está no away, de modo que deve andar ocupada... Deixemos nossa amiga se divertindo no sabadão.
Bem, antes de retomar a saga de Rony e o roquenrol (agora vou escrever assim, bem mais fácil. Fodam-se os puristas!), deixe só que eu comente uma coisa que vi esta semana. Lá estava eu zappeando pela Directv (nem tv a cabo presta hoje em dia, ainda mais no meu caso, que tenho o pacote "pão com ovo"), quando vejo no programa do João Gordo (que por uns instantes confundi com o da Hebe) o.... pasmem, gente!!!, Grupo Genghis Khan, na sua formação original!!! Cara, o Gordo quase gozava de êxtase de ver os caras no programa. Gozou muito da cara deles também (por favor, muito cuidado com essa preposição, sim? Botei em negrito para evitar processos futuros...sic.), como não poderia deixar de ser. Mas o mais hilário foi vê-los estabelecer sua defesa do rótulo de brega com base no teor histórico de sua proposta musical....
No capítulo da semana passada d'a saga de Rony e o roquenrol, encontrava-me eu ainda em choque por ter conhecido o Queen no Rock in Rio. Queria a todo custo conhecer mais sobre aquilo, mas como??? Nenhum roqueiro à vista que pudesse me ajudar (na época, eram os chamados metaleiros). Para minha sorte, eis que surge o movimento Rock Brasil e as festas americanas na casa dos coleguinhas (Porra, quem não se lembra das festas americanas? Aquelas em que você levava um pratinho de salgado ou refri, e coisa e tal? Tinha dança da vassoura e tudo!). E aí dana a ouvir Capital Inicial, Legião Urbana, Kid Abelha, Hojerizah, Ultraje a rigor, RPM, The Smiths, The Cure, B52's... pô, tanta coisa, dá uma saudade... (Mas passa rápido, pois se ser adolescente já é uma merda, ser pré-adolescente é a morte!). Daí que pra começar a gravar fita, ouvir no rádio e gravar, pegar LP emprestado dos colegas (nessa época era vinil mesmo... tenho os meus favoritos até hoje, pra matar saudade) foi um pulo. Começava, afinal, a ser formar um gosto musical, escolhas pessoais eram feitas; enfim, uma personalidade! (Já não era sem tempo...)
[pausa para o banheiro]
É, uma coisa que ficou faltando contar a vocês, que aliás é muito importante para definir o meu perfil psicológico: neste tempo, eu era bastante religioso. Mesmo! (Ohhhhh, eis que retorna Jesus ao nosso papo... não falei que ele voltava?)
A bem da verdade, hoje compreendo que talvez religioso não fosse exatamente o termo. Naquele tempo, eu era muito interessado em religião como campo de conhecimento. Vinha de uma família muito católica (minha mãe foi uma noviça, e abandonou os votos para se casar com meu pai, o primo sacana), e a Bíblia sempre foi uma leitura fácil para mim. Debatê-la, um exercício de retórica.
Contudo, nem todos viam a coisa desta maneira. Muitos achavam que eu era uma espécie de iluminado - senão, como explicar um garoto de oito anos que debate o evangelho nos cultos com os adultos? Aí começa a saga do padre Rony (putaquepariu, só falando assim... ninguém me merece de padre!), que durou até me virem beijando na boca na festa da igreja, com quinze anos! Isso pra vocês verem que paciente a Colônia Juliano Moreira perdeu!
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Com estas peças começava a se formar o mosaico que daria fundo à minha iniciação musical. Mas isto é assunto para o próximo capítulo, right? Qualquer coisa, reclamem com Eveline, que voltou e está aqui me apressando, pois agora restam apenas quinze minutos!!! Hurry up!
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Beijo a todos!
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Um off-topic: como faço para não ter que pagar a multa por envio da Declaração do IR em atraso? A net estava terrível no último dia, e só mandei no dia seguinte. Por favor, me salvem da falência!!! Obrigado!
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| Sexta-feira, Julho 18, 2003 |
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O filme Adaptação, que chega este mês nas locadoras em DVD e em VHS, é uma prova de que há vida inteligente em Hollywood. Dirigido por Spike Jonze e escrito pelo roteirista Charlie Kaufman (aqui repetindo a dobradinha de Quero Ser John Malkovich), o filme nasce de uma idéia curiosa, bizzarra, maluca e irônica.
Durante as filmagens de Quero Ser John Malkovich, Kalfman recebe o convite para adaptar o livro "O Ladrão de Orquídeas", de Susan Orleans, para o cinema. Quando parece ser incapaz de fazer tal adaptação, o roteirista tem uma idéia absurda, na qual ele se torna o protagonista do roteiro, e é a partir dessa experiência que ele começa a contar uma estória.
Nicolas Cage interpreta Charles Kaufman e seu irmão gêmeo Donald, personagem criado pelo próprio Kaufman na vida real, claro. Donald decide também ser roteirista. É engraçado quando David começa a contar as idéias de seu roteiro - típico Hollywood - e Kaufman começa a encotrar erros e situações impossíveis. Mas isso acaba não importando, pois David consegue vender facilmente sua obra. O que causa neurose em Kaufman.
Aqui Jonze também mostra sua capacidade de contar histórias ao entralaçar linhas temporais e personagens, mostrando o drama de Kaufman e da escritora do livro, Susan Orleans, quando esta faz estudos das rosas. E quando os dois personagens se cruzam quando Kaufman tenta manter contato com a escritora para falar sobre o roteiro.
Nicolas Cage está ótimo como não se via a muito tempo, e Meryl Streep está brilhante no papel da escritora. Como em Quero Ser John Malkovich, Spike Jonze e Charles Kaufman brincam com a realidade e a ficção com criatividade e com um toque de humor, algo quase extinto no cinema.
É, minha gente. Nem só de super produções o cinema é feito. Às vezes um filme não comercial vale muito mais que muitos Titanics enfileirados, como há inúmeros por aí que nem eu nem se quer conheço. Basta dar uma olhada nos cartazes menos chamativos e com menos destaque entre os outros dos filmes que estão em exibição. Pode valer muito a pena. |
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| Quinta-feira, Julho 17, 2003 |
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por causa do trabalho p/ Top. Esp. de Filos. Antiga II (segue um pedaço dele), não tenho cabeça pra outra coisa além da filosofia helenística. Dão licença:
A MEDIDA DE TODAS AS COISAS
Autodomínio. É essa a propulsão invocada para que se chegue ao equilíbrio. Alvo da reflexão que Epicuro se vale, é a consciência da condição interna o que permite o distanciamento aos mitos. A voz interior teria, assim, sua chance de combater o externo a si. Estariam, os interessados, libertos do que lhe era imposto por um universo mental diferente ao próprio. Não havia o que temer - nem, também, a quem recorrer. Proporcionado pelos átomos, partículas criadoras, instaura, o epicurismo, uma outra forma de pensar que não recheada de sincretismo mitológico. Os deuses não tendo vínculo interativo nenhum com os homens - além, apenas, da mesma composição atômica fundamental - o inferno muda de endereço, sendo, assim, o julgo da própria consciência humana. E é consideravelmente ela o que mais vem a lapidar o epicurismo.
A luminosidade racional auxilia também na distinção das vontade que, embora livres como trajetórias atômicas, precisariam ser bem posicionadas para a obtenção da ataraxia - imperturbabilidade da alma. O cálculo se faz necessário por ocorrência dos desejos supérfluos , que nada tem a adicionar ao homem enquanto sábio, do contrário, conserva ascendentes frustrações e mergulha-o na vã superficialidade que não lhe é natural.
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| Quarta-feira, Julho 16, 2003 |
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Oi gente...mas uma vez por aqui...tentando deixar algo registrado mas tá difícil... nem todo dia se acorda com inspiração.
Acho que Drummond tem uma boa resposta pra isso.
Poesia
Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Coloco hoje um poema que fiz há muito tempo atrás...
Desemparo
Sou como um poeta
Pensa que ri
E chora
Que vive de ilusões
De fantasias não realizadas
Do ermo
Da noite fria
Como uma criança
Desamparada pela vida
Com a barriga cheia do nada
O coração vazio
Boca seca
E os olhos cheios de lágrimas
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| Terça-feira, Julho 15, 2003 |
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Diálogo entre dois atores: pequeno exercício de troca simultânea de máscaras (Tomo no cu II, sem retorno possível)
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ELE 6 (Quarta-feira, 12 de abril de 2000 14:59) - Remember.
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É o descanso das horas que me alivia a fome, e para cada presa morta entre os dentes, um gosto de sangue ou de melancia. Não há morte maior do que a fantasia em descobrir os limites do corpo e as abjurações da alma. Pois a única referência concreta do beijo é o gosto de saliva, não o do amor. Quem acredita em sangue frio já teve o seu coagulado pelo medo, ou pela mancha na pia. Ninguém morre sem deixar as impressões na roupa suja, já que a grande testemunha do morto é o seu silêncio. De fato, sempre consigo lembrar de você, sem o esforço do tempo, através das impressões na parede. Quando a memória me desanima, faço questão de ler a tua voz sem nexo por trás das palavras dúbias do gosto e do desgosto. Feito o que digo, desdigo. Mas não me importa por quanto tempo nos mantenhamos vivos, ou solícitos, já que para cada larva abandonada no caminho, há uma expectativa de vida ou de morte. Assim é que se sobrevive na falta de luz, ou na falta de partida. Quem nunca vai embora perde a coragem inventada no escuro das gestações. Todos os fetos constróem o mesmo percurso entre uma mãe e o medo do abandono. Porque de vez em quando os seios maternos coagulam seu leite ralo no frio da noite, feito fruta esquecida na árvore. Mas quando o alimento chega, não há um só pássaro que fique em silêncio vendo um outro alimentar-se em seu lugar. Mas de quem é o lugar perto do alimento perdido? Quem encontra um corpo boiando no rio tem o direito de enterrá-lo ou de deixá-lo para os peixes. Nunca ao abandono das águas. Abandonar um corpo, mesmo que já esteja morto, é o mesmo que escravizar um desejo na alma. Não há desejo que se antecipe ao medo de ter desejo, antes da comida há a fome, e isso basta para que continuemos a trabalhar. Comer carne estragada é o mesmo que deixar um verme ocupar a ferida, e sentir-se vivo pelo incômodo da dor. Percebo assim um inchaço na boca causado pela mordida dos dentes, no vazio. Salivar com fome é conversar com a língua e não com os sentidos. Se tenho sentidos, antenho-me vivo e com fome, esperando o gosto de sangue ou de melancia.
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EU 9 (17 de abril de 2000) - Re: Remember.
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O TEATRO OU O JOGO DAS ILUSÕES
Joga bilhar. Religiosamente ao acordar, olha-se no espelho. Observa se apareceu alguma espinha. Olha nos olhos de cor escura. Procura alguém. Tenta encontrar a personagem ideal para aquele dia. Encontra com a mesma facilidade de sempre. É perfeito em tudo que faz. Sai.
Joga bilhar. Religiosamente ao acordar, olha-se no espelho. Conta as rugas que persistem em não aparecer. Olha nos olhos de cor clara, buscando forças para conseguir viver. Pensa em todas as tentativas fracassadas
que teve. Vislumbra outra possibilidade e sorri. E sai para mais um dia de estafante trabalho.
Joga bilhar. Ao levantar não vai ao espelho. Sai com a cara que só ele tem. Sai sem personagem alguma.
Joga bilhar. Acorda e não se observa no espelho. Naquele dia surge uma ruga que não é notada. Não percebe que envelheceu e sai feliz para o trabalho.
Jogam bilhar. À noite se encontram no salão para jogar. Jogam lado a lado, mas não se conhecem. São parceiros naquela noite, mas não se conhecem. Simultaneamente vão ao banheiro. Urinam no chão, defecam na
latrina, vomitam nos pés. Percebem o que tinham comido no almoço: arroz, feijão e carne. Vão à pia. Lavam as mãos. Observam o espelho à frente. Enxergam-se como verdadeiramente são. Espantam-se com as "caras limpas" do espelho. Gritam. O espelho se quebra. Como que unidos por um impulso único, descem ao chão catando os cacos espalhados por toda a extensão do banheiro. Ferem-se. Sangram. Tudo fica vermelho: paredes, braços, roupas. Tocam-se e não se sentem. Cacos por todo o chão. Desistem de recolher todos
eles. Levantam-se e saem do banheiro, do salão, levando para casa os cacos que cataram.
No dia seguinte, juntam os cacos para comporem o espelho. E conseguem. Olham. Em cada mosaico a imagem se compõe. Ficam felizes com o que vêem, apagando das mentes as imagens que anteriormente se formaram nos espelhos de suas vidas.
Mal sabiam eles que as imagens que viam eram trocadas. A partir de então ao amanhecer, viam um a imagem do outro.
No passar de três dias deixam de jogar bilhar.
Quarto dia. No necrotério local, dois corpos dormem lado a lado, sem uma gota de sangue. Ninguém reclama os corpos. Causa desconhecida.
Sem parentes, são enterrados como indigentes. Ninguém os acompanhou ao enterro. O coveiro cava a cova de ambos, lado a lado. Os corpos descem. A terra é jogada. São consumidos, devorados pelos vermes.
Cemitério clandestino. Tiveram que exumá-los. Estavam totalmente decompostos. Só restavam os ossos e os cacos do espelho que ambos tinham engolido.
Se alguém juntasse os cacos, veria que as imagens continuavam lá, como que vivas, sem rugas, sem espinhas, com olhos claros, escuros. Ninguém o fez. Foram novamente enterrados, sem os cacos que foram recolhidos e logo em seguida jogados fora. Só então morreram.
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EU 10 (Quinta-feira, 20 de abril de 2000 23:55) - Remember.
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Gosto de jogar o jogo do jogo quando não faço parte da mobília. Insuportavelmente a poeira me causa uma estranheza desnecessária. Sinto falta de ar poluído pela fumaça que vem dos corpos na mesa de formato
circular. Minhas trapaças são infantis ao ponto de não serem sequer sugeridas. Isso faz com que eu, mesmo não ganhando, não perca... o juízo. Essa sensação não desqualifica os que gostam de roubar o fluído do isqueiro
ao lado, ou aqueles que insistem em tirar o pó da mobília fazendo com que ela invada o universo uterino. Esse frenesi faz com que os ponteiros deixem de existir, e o tempo percorre, conjuntamente com o sangue, as artérias dos presentes. Um mundo se forma. Esse mundo possibilita a partição da lembrança em quilométricos segundos, toneladas de minutos. Cada um deles tem uma lembrança presente de um ser ausente. Cada um tem uma lembrança ausente de um ser presente. O fragmento potencializa a vontade de viver, de buscar, de querer. Engraçado que é nesse mesmo tipo de lembrança, do ser ausente, que percebo a morte na vida, ou ainda a viNda da morte. Eu jamais morrerei; existirão sempre as lembranças, mesmo que fragmentadas, jogadas pelos
ponteiros do relógio no/do tempo. Daí, os sentimentos nunca morrerão, não haverá um corpo a ser sepultado, mas somente um corpo. E quando o fígado não mais suportar o álcool pensarei em sorver o doce de uma grande fatia de melancia ao amanhecer. Por fim, fico com um filete de sangue escorrendo num dos cantos da boca inchada de tantos beijos não dados. O gosto de ferrugem na boca só será sentido se a língua percorrer o lábio inferior rumo ao vermelho. Sinto-me.
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ELE 7 (Quinta-feira, 13 de abril de 2000) - Admiração pelos cães.
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Quanto mais me aproximo da distância entre uma hora e outra, percebo a existência dos cães que rosnam para o insignificante do voar das moscas. Um cão e seu absoluto trabalho de catar insignificantes. Um cão e seu desprezo pelos minúsculos artefatos que pairam sem cheiro. Um cão e seu cheiro de homem podre. Um cão e pronto, porque não pode ser mais que a existência aprisionada de insignificantes. E por que escrevo esse insignificante? Não sei. Pensei e esqueci de te dar os telefones de contato: mas nem sei de fato onde estou, porque nunca quero ficar no mesmo lugar. Comprei um telefone para nem sempre estar comigo, porque lembro de deixá-lo desligado. Aceito qualquer recado, até os monossílabos que definem uma guerra ou estragam um encontro marcado.
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EU 11 (Quinta-feira, 20 de abril de 2000 23:58) - Re: Admiração pelos cães
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Sinto-me beijado. O inchaço da boca diminui.
Tenho os números e o desejo. Não mais precisarei buscar a vida nas runas.
O óbvio (gosto de utilizar esse vocábulo): Estava eu na universidade quando, ao passar por uma garota, daquelas que sabemos que existem e conhecemos, porém não o nome. Cumprimentei-a e perguntei se estava tudo bem. Disse que sim. Pedi confirmação e ela a minha mão. Contou horrores pelo qual estava passando. Uma saudação de 30 segundos eqüivaleu a um diálogo de 30 minutos... Meu medo, certamente, não é dos monossílabos, tão pouco do encontro ou da guerra. O encontro nunca será o último, único talvez, e a guerra não faz parte do meu vocabulário. Estou relaxado.
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ELE 8 (Quarta-feira, 19 de abril de 2000 13:01) - Os números.
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Tenho a loucura necessária aos cães, de ficar com a boca aberta ao vento esperando para que me chamem à hora do almoço desconhecido de meu faro. Tenho a percepção exata de um mosquito, que sente mais pelo cheiro do que pelo gosto. Sinto algumas diferenças entre o gostar e o esquecer o gosto de frutas na boca. E nesse jogo de permissão e omissão, daqueles que esquecem os recados escritos no banheiro público, recomeço sempre. Conto os dias fora de meu corpo e sirvo-me de um relógio quebrado para acompanhar o tempo.
Assim é que percebo o barulho do mar e dos ratos que reconhecem os papéis do meu quarto. Recomeço e conto com mais um tempo para restabelecer a vontade de continuar. O que sinto: permito, o que sei: detesto. E passo a escrever cartas anônimas de amor ou de morte. O que é preciso fazer é preciso lembrar. Desconheço as possibilidades de amor sem morte e por isso invento recados para o outro-quase-nada em mim. Por falar nisso pode marcar meu telefone necessário. Quando você ligar e eu estiver em casa, eu ligo pra você.
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EU 12 (Quinta-feira, 20 de abril de 2000 23:59) - Re: os números
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Divagações acerca do verme, do homem & de outros bichos
Tudo relaciona com a dualidade do ser. De um lado o prazer e a beleza necessários à natureza, de outro corporifica um sentimento não condizente com a idealização humana. O prazer e a dor se confundem. Há uma subversão da ordem natural das coisas. Logo, insatisfação. O previsível dá-se a partir da imprevisibilidade, já que verme, homem & outros bichos não florescem.
Através da chegada do vento, identifica-se uma mudança da situação vigente, fazendo com que as fraquezas fiquem à mostra, pois o tempo direciona a uma estação onde as trevas, a dor e o sofrimento são características marcantes. Absortos em pensamento ¿ as vozes do passado ¿, que são verdadeiramente vozes, não se apresentam, fazem questionar o motivo do silêncio interior. Não há uma satisfação, já que o questionamento existe. Em existindo o silêncio é perturbador.
A incerteza e a dúvida possibilitam o engano. A falta de convicção naquilo que se quer e/ou se pensa facilita a manipulação, a mudança repentina de posicionamentos e idéias. Por um lado isso é ruim, mas por outro, dá
mecanismos para a busca de algo além daquilo que se mostra. Daí a cobrança em continuar a existir algo que provoca dor.
Constata-se a própria fraqueza com as vozes, com o passado e conseqüente presente. O fraco deixa de ouvir as vozes que servem de munição para a vida perceptível. Com a falta das vozes a possibilidade da razão estar é anulada, e responde com outra pergunta, como se fosse algo inadmissível. A proximidade de algo indesejado faz com que a existência das armas sirva de argumento para o início do combate. Qual deles tira proveito da situação? Não são coitados. Talvez um deles não saiba o que quer, mas todos sabem do não querer.
A visão daquele que condena, de uma forma ou de outra, é a mesma que nada vê, ou vislumbra com deformidade. Não há condenação de espíritos por seus possíveis estados. Os sentimentos e emoções fluem de acordo com a necessidade, com o passado vivido, com as neuras do dia-a-dia. A dissociação da razão e emoção, do feio e belo, e dos demais "pares díspares" não dá o direito à condenação de um ou de outro, pois aos olhos de um certamente diferirão dos olhos de outro.
Mesmo no inverno, em frio intenso, onde há sombras, descortina-se a luz e a aproximação dá-se por algo que é comum a todos. É no próprio conflito que se encontram as respostas para os questionamentos, as soluções para os problemas, não sendo necessário um distanciamento da realidade.
Contrapondo-se às vozes que enganam, a neve nada ouve ¿ imparcial. Triunfa por não travar embates, por ser conciliatória, por ser superior e por representar uma pureza sem igual, dentro de uma aparente frieza. O
imaginário está presente. Finca o pé na terra junto com os seres. Vem e apazigua. Sua superioridade possibilita essa proeza. Não há nada de divino. Somente vazão do imaginário, do abstrato da vida. Tão próximo está que chega a fazer parte do real, como um adorno. Não há uma junção, tão pouco perda de ambos os lados. É parte de um todo. Por isso o ser não se mostra, não se solidifica. O todo não se molda. Ora surge uma, ora outra parte. Elas são identificadas como diferentes. Estão juntas e ao mesmo tempo separadas. Sofrem do mesmo mal (neve sobre os cabelos). A relação com os cabelos é meio estranha: reflete a diferença dos seres, sua insatisfação em tê-los como são, a necessidade de cortá-los de quando em quando, e de nunca deixar de
existir.
As diferenças e os conflitos são eternos. Mesmo que ocorra um hiato duradouro, ele terminará e continuará o conflito, que ao mesmo tempo em que causa dor, causa prazer em existir. A essência do humano é ser conflituoso. Jamais será diferente.
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ELE 9 (Segunda-feira, 24 de abril de 2000 15:44) Vertiginosamente.
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Sempre apago a luz na tentativa de reconhecer o óbvio, apago a luz e aprisiono cada sombra moribunda - minha e do outro, no barulho das baratas esquecidas, temendo o alimento e o limiar da morte. Na falta de luz, sempre
o rosto e a necessidade de afeto e qualquer jogo entre o desejo e o medo. Eu apago o medo e estabeleço o ócio. Eu finjo que não quero o outro e transformo a ansiedade em ópio porque desprezo quem chega adiantado para o encontro marcado na véspera. Detesto esperar debaixo do sol e fragmentar meu corpo em susto. Prefiro o grito e o soluço, antes do silêncio da observação. Repito o gesto e bebo o suor pela espera, qualquer gosto é sempre lascivo porque depende do entendimento entre a língua e o afeto. E de vez em quando o ócio, o ópio e o divorcio redescobrem a necessidade de sentido - quando o sentido é saliva exposta, e o experimento da disputa é o recomeço do toque.
As taças ressecadas de vinho não dizem mais do que um diálogo desnecessário. Um diálogo amoroso já traz seu encatamento e sua prisão. Vou esperar um tempo pra acender a luz ou perguntar pra banalidade - o que há entre a falta de luz e o gesto, não me contento com a antecipação da fome - nem sempre o alimento pode estar presente, daí recomeço a perceber a quantidade do sustento.
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EU 13 (Terça-feira, 25 de abril de 2000 00:07) Re: vertiginosamente
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Se o meu fígado não mais funciona, retiro-o. Fica um espaço. Se aos rins não é permitido a entrada do líquido, fica o espaço. Não quero ter um lugar ao sol, e nem ser o próprio. Nada que possibilite uma distância daquilo que pretensamente ratifico no calendário das horas. Se me calam o tempo eu nego o poste aceso, e as ruas não mais serão escuras, e a cada esquina aberta certamente terão portas semicerradas à espreita. Eu espreito minha ruína alicerçando a ridícula vontade de ver meu próprio sangue na boca de um desconhecido que dorme comigo. A sonolência não me castiga; me enternece. A brutalidade do sono me obriga a acordar com desejo de balançar o pinto. Nessas horas sei que o sexo existe; nessas horas sei que o sexo ainda não existe. Não sou bom com números, tão pouco com palavras que nada dizem, mesmo sendo elas, ou eles, a resultarem no óbvio que venero. Eu sei a sensação de ser pulverizado por um fuzil expresso num olhar, e ainda da faísca que advém de pedras circulares cujo objetivo é fornecer o calor a um saco de sangue, excremento e pus. Há espaços que jamais serão preenchidos. E se esse vazio possibilita a existência da dor, talvez aí eu renegue a vida advinda do sustento. As costumeiras manhãs não servirão mais para a retomada de um divagar autêntico, mas sim as noites em claro que um bom insone reflete. O silêncio me espreita até a consumação do barulho latente do bater de latas e caixas. Ontem eram três; hoje são dois. Choro a inexistência de mim. Esse choro não perdôo. Melhor será não existir o perdão, mas o refestelar de portas e a ausência de janelas.
Um ato,
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ELE 10 (Quarta-feira, 26 de abril de 2000 12:46) Sonambulismo.
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Para cada xícara de café um olhar no vácuo da parede e a espera de um susto. Acordar é estar distraído quando não tivermos uma idéia de existência brincando com nossos desejos. Eu desejo a pele e isso basta para que eu me mantenha vivo ou sonambulado pela fome. Um pão dormido é sempre a resposta de ato sem sentido ou de um sentido sem ato. Quando qualquer mensagem burlesca nos for enviada pelo sonho, o simples bocejar para o amanhecer é a desistência para a busca das palavras. Se existimos acordados é porque estamos amarrados na mesma sensação de estarmos na espera. Esperar é qualquer coisa de infinito.
Um dado,
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ELE 11 (Quarta-feira, 31 de maio de 2000 12:01) Argumentos
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O que permito ao corpo, refaço em palavras e deduzo a vontade do outro. Facilito a relação para não ter que argumentar uma verdade permissiva. Beijar é mais fácil que convencer com palavras.
Um beijo é uma verdade incontestável. (dois também)
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ELE 12 (Segunda-feira, 12 de junho de 2000 03:56) - lá, lá, lá, lá, lá
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Criatura outorgada da história, por onde andam as suas pernas? Talvez não sejam elas que estejam sumidas no espaço. Mas a notícia é o hábito necessário para o gostar. Quais são as notícias que esquecemos no rascunho dos guardanapos? Tomei vinho com maconha e lembrei do fascínio que o imaginário exerce sobre a espera. Espero beber mais e ver você algumas vezes. Se necessário formos ao espaço, seremos heróis vencidos nestas noites de chuva.
Continua...
Postado por Cláudio Marconcine |
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| Segunda-feira, Julho 14, 2003 |
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As influências da Psicanálise na Psicologia Social
A Psicanálise surgiu num contexto histórico marcado pelo ápice da burguesia como classe dominante na sociedade do final do século XIX e início do século XX. O triunfo burguês, embasado no domínio dos meios de produção, do comércio internacional e da política imperialista, refletiu-se de modo particular na religião, nas artes, nas ciências e nas demais ideologias, isto é, na totalidade do campo cultural, atingindo, sobretudo, o núcleo familiar.
O modelo patriarcal desempenhou um papel essencial no desenrolar deste processo histórico. A ausência familiar da figura paterna, detentora da propriedade privada e da ordem moral na sociedade, causou uma grande falta no desenvolvimento do sujeito à medida que a função paterna era a de administrar os bens adquiridos através das relações de trabalho. Por sua vez, a mãe se tornava responsável pela educação e formação das crianças, de forma marcante nos primeiros anos de suas vidas. É dentro deste contexto estrutural que surge, primeiramente em Nietzsche, o conceito de ¿morte de Deus¿ e posteriormente, em Freud, os conceitos de ¿morte do Pai¿ e ¿Complexo de Édipo¿. Ambos apresentam uma problemática da função paterna na família e na sociedade. Há, portanto, uma relação dialética entre as condições materiais históricas da época e o surgimento dos sintomas individuais do sujeito e do mal-estar na civilização.
Há cem anos atrás, Freud nos introduziu, com a Psicanálise, a problemática da morte do Pai e a questão do desamparo ¿ principalmente a partir de Totem e Tabu, na qual o fundador da Psicanálise, numa tentativa de unir esta à antropologia, compara a mente dos primeiros selvagens com a dos neuróticos. Freud nos fala da morte de um pai primevo e da adoração religiosa de um substituto do pai. Também houve um declínio da Metafísica e da Razão. As certezas deram lugar às incertezas; a ordem, ao caos; a completude, à incompletude, à falta. O terceiro golpe ao narcisismo humano provocado pela Psicanálise colocou o homem em confronto com seu desamparo, com uma falta estrutural: a Castração.
A religião, em particular, projetou de forma considerável as relações estruturais da época à medida que trazia à tona um modelo próprio de família e de casamento, além dos conflitos subjetivos e individuais. Freud fala da religião como uma projeção dos conflitos humanos, e Marx afirma que a religião é uma ideologia, portanto sustenta interesses políticos e econômicos de uma classe dominante. Mais uma vez, a dialética existente entre os conflitos internos do sujeito e a realidade material e histórica fica cada vez mais clara.
Voltando ao Complexo de Édipo, podemos observar a sua influência como núcleo das religiões monoteístas, que têm por representação a figura simbólica do Pai, além dos sintomas neuróticos tradicionais (histeria e obsessões). Além disso, a literatura está impregnada pelo Complexo de Édipo desde a mitologia grega até os trovadores da idade média e os românticos do século XIII. Também está presente nas ciências, como sustentação do pensamento crítico ¿ que desafia a ordem autoritária do Pai ¿ e da ética. Freud não se cansou de demonstrar durante toda a sua vida, nas suas obras, inúmeros exemplos da presença do Complexo de Édipo em nossa civilização. Nas sociedades onde a postura dos líderes é mais autoritária, por exemplo, temos uma exploração inconsciente por parte destes do significado da figura paterna no inconsciente social e individual. É prudente mencionar aqui que o que chamamos de inconsciente social não pode ser associado à idéia de inconsciente coletivo de Jung, mas à predominância de representações inconscientes em comum para toda uma sociedade em determinada época. É pela alienação social e pelo desconhecimento das lembranças inconscientes individuais que surge esta postura passiva por parte de um povo diante de seus governantes.
A Psicanálise surgiu, como vimos, nesse contexto histórico particular, onde a ¿morte do Pai¿ pode ser interpretada como ausência do papel paterno dentro do núcleo familiar, com um distanciamento provocado pelos interesses individualistas e egoístas do patriarca. Inicia-se o processo de esfacelamento da família, que atinge seu ponto crítico na atualidade com a emancipação do trabalho feminino e a ausência da mãe nos lares (morte da Mãe). Apesar de a Psicanálise possuir uma ótica própria em relação à religião, criticando-a e demonstrando a alienação ao Outro, ambas possuem elementos em comum: tanto a religião monoteísta quanto o Complexo de Édipo tratam dos mesmos temas, a saber: o triângulo Pai, Mãe e Filho, e a questão da Morte.
É possível, e bastante provável, que tenham ocorrido semelhantes acontecimentos, relacionados à problemática familiar, em outras épocas históricas, evidentemente que sempre condicionado pelas limitações de um contexto material e histórico particular.
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MOTE VIVO NA PENA DO POETA
O Cariri foi desde as primeiras produções do cordel brasileiro um espaço difusor e produtor desses versos. Caracterizado como baluarte dessa literatura, detentor de variadas expressões artísticas, entre elas gravuras e esculturas, vê-se, atualmente, reascender, nesta região, a antiga chama desta narrativa poética. Este gênero literário na realidade cultural do Cariri, se mantém na ordem do dia como um mote vivo na pena do poeta.
Apresentando-se como palco de vastas histórias e lendas, essa região onde habitaram os índios Cariris (Pinheiro, 1963), conheceu lutas e batalhas singulares como a ¿Sedição de Juazeiro¿, ¿Caldeirão do beato José Lourenço¿... entre outros fatos importantes. Sendo um lugar onde teve passagem marcante o grupo de cangaceiros de Lampião, é ainda reconhecida pela sua religiosidade, manifestações culturais, e pelo verde da Chapada do Araripe, uma natureza que resiste no mapa do Ceará.
Próximo à cidade do Crato
com o nome de caldeirão
pois pedras lá encontradas
em forma de panelão
foi o palco o cenário
da grande destruição.
Destas realidades emergem, portanto, a extrema diversidade do Cariri- ¿uma nação de mestiços Tapuia que têm em comum a mesma formação histórica e cultural¿ (Cariri, s.n.t), e onde, segundo o historiador Irineu Pinheiro, teria como destaque importante na cidade do Crato ¿cousa singular!- a primeira mulher republicana no Brasil, dona Bárbara Pereira de Alencar¿ (Pinheiro, 1963, p. 30).
Das presenças de João de Cristo Rei, Patativa do Assaré, Manoel Caboclo...Eloi Teles... foi erguendo-se nesta região, uma importante criação artística desta narrativa. Ao contrário do que propagava alguns pesquisadores em suas caracterizações fúnebres, os versos de cordel ressurgem das cinzas do postulado acadêmico, e nascem novos poetas, nova poesia. Como exemplo José Flávio, poeta da nova safra de cordelistas de Juazeiro do Norte, citado em artigo do Jornal do Cariri pela sua ¿dissertação poética¿, que fala do meio ambiente:
¿O cordel ¿cuide bem do meio ambiente pra dar qualidade à vida¿, é uma dissertação poética recheada de exemplos, de uma consciência ecológica em todos os aspectos como, não jogar lixo nas ruas, em casa, colocá-los em sacos de plásticos bem fechados para ser recolhido. O cordel traz ainda exemplos de estudantes que poderiam ajudar na melhoria do meio ambiente (Jornal do Cariri, 4 de Novembro de 1998).
O Cariri apresenta um forte movimento cultural composto de vários segmentos artisticos que se destacam inclusive fora do seu espaço geográfico. É assim por exemplo que se fala do gravador Mestre Noza, expoente da xilogravura de Juazeiro do Norte, que teve exposição realizada em Paris. Outros como o gravador Francorli e o poeta Abraão Batista, que participaram de eventos internacionais, levando a cultura local ao extrapolamento de suas fronteiras.
Esse movimento cultural caririense tem se tornado cada vez mais vísivel. Seja pela presença diária de intelectuais e pesquisadores que se deslocam para este ¿calderão cultural¿ e que abrem para as páginas da academia este universo não oficial, dito popular, criativo, religioso...um lugar que por ¿ser encantado revela-se¿ . Ou ainda, pelo investimento de políticas culturais que promovem suas manifestações ditas ¿populares¿ e que levam para outros cenários os traços de uma arte compreendida como ¿tradicional.¿ Essa dinâmica na nova produção do cordel, por exemplo, rendeu ao SESC Ceará o prêmio, já citado, Rodrigo de Melo, cuja referência a este a revista FECOMÉRCIO, órgão de divulgação do SESC-SENAC-IPDC, fez o seguinte comentário:
¿O Sesc Juazeiro numa iniciativa brilhante, vem, há algum tempo, desenvolvendo um projeto de revitalização da produção cordelista do Cariri, uma tradicional manifestação da cultura popular que conheceu na década de 40 seu apogeu e que vinha enfrentando um longo processo de descaso e abandono (...) atento a este processo de degradação de um patrimônio histórico da cultura popular foi lançado o SEScordel Novos Talentos, com o claro objetivo de promover a publicação de novos autores de cordéis, dando vez e voz a jovens escritores que tinham seus trabalhos engavetados (Novembro/Dezembro, ano III, n. 28, 2001).
Para esta revista, que trás artigo sobre este assunto e cujo título é: ¿SESC Ceará ganha prêmio do IPHAN¿, o poeta Abraão Batista escreveu os seguintes versos:
O SESC-CE mostra
Trabalho, força e ação
Promovendo os cordelistas
Com o nível da amplidão
Pelo projeto sescordel
Recebeu a premiação
O IPHAN deu para o SESC
Um prêmio de bom valor
Por ser o Sesc, do cordel
O seu maior divulgador,
Que a nível nacional
É o Sesc incentivador.
Nesta região, o cordel não foi colocado em xeque ¿ mate, como pensaram alguns estudiosos do tema, ao revés, foi dinamizado. No Cariri, sua produção continua sendo significativa e é escrito por uma gama de novos poetas, por grupos organizados como a ¿Academia dos Cordelistas do Crato¿ e a ¿Sociedade dos Cordelistas Mauditos¿, respectivamente de Crato e Juazeiro do Norte. O fio condutor que atravessou décadas impulsionando uma extensa criação de versos e xilogravuras, é um guia útil para compreender, talvez, o intenso fazer poético que permanece na atualidade nesta região , inclusive motivando a organização destes agrupamentos, tanto local como da capital. Para José Erivan Bezerra de Oliveira: ¿O Cariri, seja pela tradicionalidade, que sempre exerceu na produção, seja pela força com que ainda produz, influencia a produção (de cordel) em Fortaleza¿ (2001, p. 23).
Neste universo, a figura da mulher como autora vem se destacando, e chamou-me a atenção sua crescente participação nesta poesia. Sua presença atual não determina, no entanto, uma ausência no seu passado, pois sabemos da existência, mesmo que pequena, de mulheres no campo da cantoria, ou participando como colaboradoras em programas de rádio, tal qual do radialista Eloi Teles ¿Coisas do Meu Sertão¿, no Crato, voltados para poesias de estilo ¿brejeiras¿, como chamava o poeta Eloia sobre as composições poéticas ditas matutas.
Em razão dessa efervescência cultural na região, há uma maior difusão em jornais, revistas, TVs e internet da arte caririense. Aparecem cada vez mais em cena poetas, grupos, bandas cabaçais, violeiros, xilógrafos, enfim. Mantém-se e renovam-se dia-dia um acervo de repertórios os mais diversificados onde tradição e modernidade se misturam, se imbricam e ressignificam-se.
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Bem, retomando o texto um tanto quanto controverso da semana passada... Mas como? Enrolei(-me) tanto aquele dia que me encontro agora enredado em meu próprio fluxo narrativo (isso me lembra Clarice Lispector - sem as baratas, evidentemente!). Ahã, talvez a solução seja partir do começo de tudo mesmo, como havia prometido afinal...
Pois é, as pessoas que me conheceram há cerca de uns 15, 18 anos atrás (ou seja, nenhum de vocês) tomaram conhecimento (se é que tomaram mesmo.) da existência de um ser bastante diferente deste que hoje vos tecla. Era eu, nesta época, um indivíduo muito independente, muito expressivo, mas, ainda assim, muito introspectivo (Oh, paradoxo cruel!). As maneiras que então encontrava como pré-adolescente para me fazer notar no mundo projetavam-me para as pessoas de maneira distorcida,, gerando em mim um sentimento de profunda frustração, que, por sua vez, agravava a já existente introspecção, que desta forma... (Putz! Que rolo! Taí um bom quadro clínico para Carlos Lyra discutir qualquer dia desses, em um de seus textos).
Contudo, como em qualquer narrativa que se preze, eis o clímax chegou - poderia dizer até, numa de enfeitar o pavão misterioso que na minha vida este momento se deu de maneira epifânica (acalmem-se, ateus, não irei falar de Jesus aqui - por enquanto). Distante de qualquer êxtase religioso, ele se materializou através da música, mais precisamente no rock 'n roll (sim, irmãos, o rock 'n roll me libertou!). Eu simplesmente incapaz de acreditar naquela novidade que chegava aos meus ouvidos!
A bem da verdade, não posso aqui dizer que a música nunca tivesse habitado o meu ser - Roberto Carlos e similares sempre marcaram ponto em minha casa, como na maioria dos lares brasileiros. [Oh, nunca me esquecerei nesta época! Eis que agora me vêm ao pensamento, diretamente das profundezas da alma, aqueles domingos passados em família, no sofá da sala (a primeira grande revolução foi abandonar a mesa da cozinha), comendo macarrão, frango frito e maionese com Coca-Cola de 1 litro (aqui ainda de vidro) e assistindo "Qual é a música", onde Gretchen (ih gente, vi a Gretchen ontem na TV, falando da plástica número...!) disputava a Coroa de Ouro com o Ovelha (Só o Ronnie Von tinha ganhado a tal Coroa, após 25 vitórias sucessivas!!! {Até hoje minha mãe jura que meu nome não foi em homenagem a ele e seu grande feito!}). Claro que além deles havia Gilliard, Trio Los Angeles, Rita Cadillac, Nelson Ned, Agnaldo Timóteo, As Patotinhas, Grupo Ghengis Khan (comer, comeer.... lembram?), ou seja, o supra-sumo do circuito Silvio Santos/ Raul Gil/ Chacrinha-Bolinha.]
A esta altura, já estando prestes a aumentar as estatísticas da Unicef de suicídio infantil, eis ouço os acordes miraculosos do Queen no Rock in Rio. O que era aquilo?! Gente, afinal pode-se cantar bem neste mundo!?, perguntava-me, estupefacto. Naquele momento, mesmo sem saber, eu já estava irreversivelmente contaminado pelo germe do rock 'n roll... :-)))
... Contudo, nosso encontro definitivo ainda não havia sido desta vez... a partir deste capítulo, muitas pedras rolariam montanha abaixo (...)
[segue]
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| Sexta-feira, Julho 11, 2003 |
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A arte de copiar
Nada se cria. Tudo se copia. Essa poderia ser uma regra usada pela Microsoft. Mas, infelizmente, no mundo cada vez mais as pessoas apelam para fórmulas já elaboradas e partem para uma adaptação, uma pequena modificação, mas seguindo sempre a receita escrita por outras pessoas.
No cinema isso é regra, e não exceção. Esta cada vez mais difícil apreciar uma boa idéia, e os filmes tendem a nascer a partir de um outro filme. Pra falar a verdade, isso é até natural quanto se trata de imitar um filme que marca uma época, como podemos testemunhar com The Matrix. Mas aqui o que eu quero abortar são as seqüências desnecessárias que o cinema produz.
Quando um filme torna-se um sucesso (entenda-se como lucrativo), é quase inevitável que seja realizada uma seqüência, um "PARTE 2", um "RETORNO", um "A MISSÃO" ou quem sabe, mais tarde, um remake. Uma vez perdida isso pode até dá certo. O resultado final pode ser até lucrativo, mas o produto, que é o filme, geralmente é ruim.
É tão evidente que até quem sabe fazer cinema cai na armadilha. Basta ver o grande filme que é O Parque de Dinossauros e o fiasco que foi O Mundo Perdido, ambos dirigido por Spielberg. O primeiro roteiro não foi feito pensando numa seqüência, mas como eu falei antes, o filme fez sucesso e os engravatados da indústria cinematográfica apelaram para mais um e como se não bastasse, uma terceira parte.
Podemos citar, claro, alguns filmes em que a seqüência supera o original, como O Exterminador do Futuro 2, Aliens, Star Wars: O Império Contra-Ataca, De Volta para o Futuro 2, O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, O Poderoso Chefão: Parte 2. Mas a grade maioria destes títulos já estava prevista antes do primeiro capítulo ganhar vida, e não apenas quando o seu antecessor fez sucesso.
Dr. Dollitle, O Professor Aloprado, Pânico, Todo Mundo em Pânico, O Parque dos Dinossauros são só alguns exemplos de que suas idéias deveriam parar por aí. Mas como nada, tudo se copia, um sucessor é produzido e assim caminha a humanidade.
Que um raio sobre a cabeça de quem ousar mexer em Amnésia, A Lista de Schindler, Os Suspeitos, Pulp Fiction ¿ Tempo de Violência, Sinais, Clube da Luta ou em tantos outros filmes brilhantes que não merecem ser imitados, nem refilmados. |
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| Quinta-feira, Julho 10, 2003 |
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A seguir, um pedaço do meu trabalho pra Tóp. Esp. de Filosofia da Linguagem, sobre Indústria Cultural. Essa coisa toda que nos envolve mídia a fora.
(em homenagem a Erick por ter ele questionado a idéia de "venda da imagem", despertando mais um assunto pro enchimento dissertativo de liguiça que eu precisei no desenvolvimento dessa chatice)
O PROCESSO DE FANTOCHELIZAÇÃO
Da necessidade de interação surge a linguagem, trazendo consigo o complexo de representatividade íntima. Essa externalização pessoal exprime uma imagem. Um imagem lingüística, que é escolhida e utilizada para representar o que somos enquanto pensamento. Desta forma, não somos nada mais que mediadores de nós mesmos, instintivamente vendendo nossa imagem. E o fazemos através do uso, ou não, de técnicas - impregnadas nos atos comunicativos.
Imersos na condição natural de espectadores do outro e transmissores de nosso íntimo, estamos nós, os seres humanos, enquanto pertencentes a um convívio social. Sob esta fatal condição, decorre de forma análoga a mídia. Detendo técnicas consideráveis de manipulação do inconsciente coletivo, vez à tona um fator de fácil comprovação: o poder que essa mídia exerce.
Aprisionado em sua própria condição de vulnerabilidade, está o indivíduo que mantém seu esforço mecânico e fatigante de produtividade intensa ao longo de sua jornada de trabalho. Eis um alvo maciço para atuar uma mídia alienadora. O indivíduo como sendo um produto consumidor do produto oferecido, prova que esta vulnerabilidade a que está sujeito, acaba por mobilizá-lo de forma cíclica, onde suas vontades são projetadas pela propaganda, suas necessidades são impostas e até seus instintos são transformados em possibilidades de consumo. Tendo esse conjunto de valores impregnados como pano de fundo de sua existência, observa-se, e com proporcional intensidade, a isenção deste na participação estrutural e política do todo, ou, ainda, o atrofiamento de sua consciência crítica. Dar-se então o aparecimento de seres controlados pela indústria cultural, sutilmente transformados em fantoches.
Como desvincular os seres desta condição de fantoche? Quem pode mudar a sociedade?
Questões como estas, propostas - não somente - por Marcuse, perdurarão por tempos em razão de sua complexidade. Ou, antes, sucumbirão quando em processo interpessoal, cada indivíduo promover, em si, o desprendimento da opressão comum. Só então entrará em cena a consciência crítica necessária para a percepção da verdadeira felicidade, longe de todo marketing da indústria cultural e muito perto da ataraxia - imperturbabilidade da alma - perante o bombardeio alienador.
O indivíduo que procurar a satisfação plena de viver longe das imposições materiais e intelectuais que lhe são feitas, estará no caminho da evolução qualitativa da vida, terá realmente domínio sobre si e a autonomia necessária para assumir o controle.
Sobrepondo-se ao conformismo que lhe traz contenção, exercerá sua consciência crítica de participação política, percebendo-se enquanto parte significativa e motora do todo. Exercerá a liberdade necessária para se manter a salvo das garras da indústria cultural.
(...)
e pah e pah e pah
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| Quarta-feira, Julho 09, 2003 |
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Uma outra semana aparecendo por aqui...
Alguma coisa para falar sem saber o quê... essa é a dificuldade maior. O será querer falar e não saber como? Ou será ainda falar algo e não ter o que ouvir sobre o que foi dito? Bem, vou parar de teorizar por aqui, afinal já existe muita teoria idiota sobre a arte de escrever.
Hoje tive a idéia de vir aqui apenas para comentar algo que Manuel Bandeira escreveu. Este um poeta maravilhoso que vim descobri há pouco mais de dez meses. Quer dizer a única coisa que havia lido dele era a "Poética" e os "Sapos". Comecei a me interessar por Manuel quando eu estava muito ansiosa para que algo acontecesse há um tempo atrás e por acaso recebi essa poesia por e-mail de um aluno meu. Para a situação de ansiedade que eu estava, caiu como luva.
TERNURA
Enquanto nesta atroz demora,
Que me tortura, que me abrasa,
Espero a cobiçada hora
Em que irei ver-te à tua casa;
Por enganar o meu desejo
De inteira e descuidada posse,
Ai de nós! que não antevejo
Uma só vez que ao menos fosse;
Sentindo em minha carne langue
Toda a volúpia do teu sonho,
Toda a ternura do teu sangue,
Minha'alma nestes versos ponho;
Por que os escondas de teu seio
No doce e pequenino vale,
- Por que os envolva o teu enleio,
Por que o teu hálito os embale;
E o meu desejo, que assim foge
Ao pé de ti e te acarinha,
Nossa sentir que és minha hoje,
E és para todo o sempre minha...
M.Bandeira
Manuel Bandeira por Portinari
Pois bem...o tema é ANSIEDADE!! Mas o problema é: o quê falar? Vamos partir então da definição.
Ansiedede segundo o aurélio...
[Do lat. anxietate.]
S. f.
1. Ânsia (1 a 3)
2. Psiq. Med.
Sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, e a
que se agregam fenômenos somáticos como taquicardia, sudorese, etc.
Eu queria saber o porquê de alguns seres humanos (eu, por exemplo) serem tão ansiosos. As vezes a gente deposita a nossa ânsia em outra pessoa e esquece que ela não pensa da mesma forma que a gente. Ou que ela não sente como a gente sente. As vezes a gente tem mania de querer que as coisas aconteçam mais rápido do que o seu ciclo normal.
Eu, por exemplo vivia desde os meus quinze, dezeseis anos pensando no dia em que eu moraria sozinha...passaram-se dez anos para que isso acontecesse e o mais engraçado foi que isso aconteceu quando eu menos esperava. Será então que os dez anos valeram a pena? Não sei. Só sei que essa tal de ansiedade tem a capacidade de muitas vezes tirar as pessoas do sério. Não tenho nenhuma explicação científica para a existência desta perturbadora palavra.
Dizem que as mulheres são mais ansiosas, principalmente quando estão na famosa TPM. Aí os homens respondem: "Isso é frescura". Mas não é mesmo!!
Acho que uma boa dose de "ansiedade" não faz mal a ninguém. A Ansiedade pode nos fazer sonhar, desejar, planejar e...quando ela finalmente acaba pode nos trazer felicidade. Apenas cuidado... "ansiedade" em exagero pode nos trazer frustração e decepção pelo simples fato das coisas não saírem como a gente planejou.
Esta então foi a causa do dia e sabe de uma coisa? Eu já estou ansiosa para saber o que vocês acharam dela. :) |
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| Terça-feira, Julho 08, 2003 |
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Diálogo entre dois atores: pequeno exercício de troca simultânea de máscaras (Tomo no cu I)
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EU 1 (Quarta-feira, 2 de dezembro de 1998 21:00) - Viagem ao centro da terra do nunca onde nunca mais serei o mesmo.
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Perguntas necessitam respostas? Se sim, aí vão as primeiras:
Você recebeu a minha carta? Se não, ousas querer recebe-la novamente, via e-mail?
Estará na Bienal, em Salvador? CONEL, em Goiânia?
Soube que eu telefonei para vc?
"A dor que deveras sente" existe ou inexiste?
Monogamia ou poli?
Um passo adiante eqüivale a dois retrocedidos ou a uma estagnação temporária?
O silêncio ainda diz o que mil ouvidos jamais perceberão?
Quando é que um sim eqüivale a duas negativas?
Onde a matemática relaciona-se com o sentir?
Se a terra é parte do universo, onde estamos?
Sinto saudades de palavras não ditas. Ainda no afã de dizê-las, despeço-me.
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ELE 1 (Quinta-feira, 3 de dezembro de 1998 16:19)
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Lispector já diria que enquanto tiver perguntas e não houver respostas continuaria a escrever, então... É difícil lembrar de todas as coisas no momento em que elas não estão sendo ditas, não me ensine, me fascine, e todas as outras coisas estarão no mesmo lugar que as deixou. Onde o ponto é começo de linha também é fim de estrada/siga seu ponto/novelo de lã... Mas o que é mesmo o desejo se não o desejo de continuar desejando o objeto não-desejado? O que excita a humanidade é a POSSIBILIDADE DA IMPOSSIBILIDADE DOS FATOS PODEREM ACONTECER DE FATO. Não seriam fatos se não fossem possibilidades de tempo e espaço. É a causa que está em jogo de perguntas e respostas, os efeitos não estão para os que sabem o que vai acontecer... e não sabemos nada. O desejo maior do sujeito caminha na impossibilidade da possibilidade para se obter algo que não se sabe onde vai dar. Vai ter que darrr? Acabe-se com tudo isso e acabarás consigo mesmo, e é por isso que o orgasmo é uma morte em vida, e eu quero todas as minhas vidas de gato presas a uma vida de rato (para lhe responder sobre o poli-mono). O homem sensato se adapta ao mundo? O insensato insiste em tentar adaptar o mundo a ele? Todo progresso depende portanto do homem insensato? Quem disser que é livre tem que experimentar o mal e sorver o bem. Eu te desejo a liberdade... porque toda escolha implica em perda, então perca-se... Uma saudade aqui....
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EU 2 (Segunda-feira, 7 de dezembro de 1998 13:58)
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Esta é uma carta onde se desnuda o óbvio, se efetiva o homem e se personifica a necessidade de se ter, querer, e acima de tudo, atesta a sinceridade e a tentativa do acento.
Sempre fui meio "desligadão" para as coisas tidas como do coração, não sabendo separar um sorriso simpático de alguém feliz em me ver e/ou me conhecer, de uma tentativa sutil de aproximação com objetivos menos genéricos - minha ruína. Em função, por feedback, demonstraram a minha incapacidade de não exteriorizar o sentir, e tão pouco definir as emoções expostas por terceiros, quartos e quintos. A partir de então tento, na medida do impossível e inimaginável atentar para o que acontece ao meu redor. Por reflexo, a necessidade de verbalizar o sentir e o querer ficaram aflorados em demasia fazendo com que eu permaneça constantemente na berlinda, procurando respostas para as interrogações que comumente me incomodam. Por isso tento, tento sempre na expectativa do acento, e dando-me permissão de ser contraditório e/ou repetitivo acento sempre quando verbalizo, não deixando que a incerteza e a dúvida me consumam pelo resto da vida afora. Tem funcionado, na medida que me proponho, diminuindo em muito as reticências.
Uma das alternativas que tenho quando viajo retornando para minha cidade é a utilização da duração do percurso para análise e proximidade das ações. Esta última não fugiu à regra, e o tempo que em primeiro momento poderia parecer interminável se perpetuou em minutos respirados, em sensações de ânimo e desânimo. O término da viagem nem sempre quer dizer o fim de tudo, mas a continuidade daquilo que se pensou e refletiu através de tomadas de posição. E as tomo correndo o risco, inclusive, de me expor ao ridículo. E a pergunta que me faço, eu mesmo respondo: Quem não os corre?
E vislumbro a morte na vida...
[hoje, morto confesso, sobrevivi a fragmentos de sustentação do espírito. Indecifrávelmente as horas continuaram a seguir, enquanto o tempo parava, possibilitando o vislumbre da vida que se fez qual morte insepulta. Como a espera era aguardada, fez-se presente como Lestat, que em busca de sua presa, apressa-se em chegar numa hora não marcada, não prevista, não desejada. Caso a morte possibilitasse a vida, estaria eu morto? Haveria um desejo maior em me ver morto do que obter vida? Uma aldeia foi descoberta, hoje, dentro de um outro mundo. O cataclismo sucedeu-se à chegada de sete arcanjos, tocando sete trombetas, sete músicas, com sete acordes cada, sete vezes. O vermelho fez-se presente frente aos azuis. O fascínio era o passado em busca da consumação, no presente, de desventuras de um natimorto. Cipó de pau. As horas continuam por detrás dos ponteiros. Distância entre um crepúsculo de outro duram, exatamente, dois desencontros seguidos. O real fica por entre os dentes indefinidamente separados por um estado de espírito dual, amparado ou marcado por alguém igualmente distinto. E a dor se faz. Ruge estrondosa penetrando sem aviso prévio por debaixo de uma das unhas da mão que aperta reafirmando a despedida. Nos conhecemos? E dizemos sim sem percebermos a sonoridade de uma palavra não dita]
....como forma de ressurreição, pautada no que não tive e nas mil e uma utilidades de um Bombril nas prateleiras dos supermercados, que vai, que fica. É dor? Não!, somente impressão. Nada mais feliz do que sentir a necessidade da possibilidade em descortinar o papel, revirar as almas. Sim, tenho muitas em estoque. A cada estocada perco ou ganho uma outra. Meus botões afirmam, e eu não contribuo em nada para a chegada do consenso. Continuo a ter personalidade forte, mesmo quando fico exposto demais. É o preço que se paga. Meus sentimentos? Fiéis, na medida do possível, naquilo que acredito. E creio como Moisés, sobre o monte, recebendo as tábuas da Lei, assim como Artaud na "divindade divina", em Arrabal em sua pluralidade facetária, Baudelaire acerca do ópio. E digo: sim, quero constatar e viver a pseudo babaquice do amor, redescobrir fronteiras e revisitar o Eros. Sei que não tenho receitas e ao mesmo tempo sei que elas existem, mas cada ingrediente é tão individual quanto impressões digitais tiradas em algum DP por porte de maconha para uso.
Admito que a massa possa ser mexida por quatro mãos, tanto para a direita quanto para esquerda. Que significado teria o bolo solado que não fosse o prazer da companhia? Conto com alguém? Alguém me ouve?
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EU 3 (Sexta-feira, 11 de dezembro de 1998 20:46) - E a roda gira...
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Vivendo e aprendendo ou a visão de um babaca disfarçado
Sei do prazer da dor que infiltra os órgãos: tubos, cordas, preto, branco, sons. Fecho os olhos e vejo meus tímpanos serem perfurados por sonora manhã. Elétrico o corpo fica na expectativa de+o zumbido que vem feito trem na linha. Palmas para os pés que sustentam o esquálido corpo de ossos. Trinco-me ao romper com um urro de dor o prazer sentido. Agulhas, amo as agulhas que perfuram os dedos das donzelas insistentes em seus bastidores. Neste momento não escorre sangue, mas atestados de óbito. Os funerais circulam numa ciranda celestial, enquanto os ins se digladiam à cata de mais um ilusionista. Sei que também amo a ilusão de ter o perdido, o desvio do olhar, a pedra no arroz e a palavra não dita. Escrevo com a dor de quem sabe o que quer. Só assim sei que morro. Parte de mim fica aqui. Dali continua sendo aqui, bem perto do peito. E enquanto não me presentearem com a rosa dos ventos, deus continuará sendo o longe.
"E fique sabendo: Quem não se arrisca não pode berrar. Citação: Leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi."
(Torquato Neto)
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ELE 2 (Terça-feira, 15 de dezembro de 1998 13:40) - O boi e o homem
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É o grande grito que justifica o verbo, e o verbo é o que seduz embora seja a metade do homem. Um ou outro justifica a mesma necessidade de sobrevivência. É a carne que está em jogo. O mesmo jogo de bichos que se procuram estando entre a morte e a vida. A vida de dois, boi ou homem, é a vida perecível, visceral e atômica. Gosto de perceber com que víscera me escreve no momento em que diz que a fome é o que importa. Matar um homem e um boi teria o mesmo significado se esse homem e esse boi fosse o que deseja sem a víscera? Acredito na possibilidade de homens e bois terem a mesma vida tardia. E onde está o boi que se esconde no estômago do homem? O verbo. É como ter saudades do que não se conhece e esquecer o que nunca se apreendeu. Apreender o óbvio é matar o dia. O dia. O que se faz primeiro com um dente estragado é tentar reaproveitá-lo, mesmo que depois de tudo, ele, não faça parte da boca. A boca. Homem ou boi, víscera ou verbo? O verbo.
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EU 4 (Quinta-feira, 14 de janeiro de 1999 16:01) - Re: O boi e o homem
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Escrevo com a víscera que sangra... e o algoz tem a sutileza de "um rinoceronte numa clara manhã de revolução". Os dedos me faltam e faço dos pés a língua que baba frente a um bom prato preferido. Num primeiro momento essa substância é rejeitada, mas em abundância começa a escorrer pelo corpo, cobrindo poros e pêlos, acabando por fazer parte do ser homem/boi como dantes. Não desprezo o paladar assim como os demais sentidos: abro as orelhas e sinto o gosto pelo desgosto; furo os olhos e enxergo uma cascata de sons extasiante... "caio na asneira de ser sincero" [sic?] poços existem, assim como asas e o peso. Um quilo de penas continua a ter o mesmo de um de pedras. E a boca cheia de dentes é a que conheço. Ademais, perdendo os baninos, caninos, daninos é boca, não? Dia melhor do que o 15 de dezembro eu nunca vi, mesmo sendo saboreado no passar de vinte dias. Dia bom, sabemos disso, nunca tem sua validade vencida, pois o verbo "vale
quanto pesa". Assim, voltando ao pé da balança, constato a inexatidão da vida. Ela existe.
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ELE 3 (Terça-feira, 9 de fevereiro de 1999 09:12) - a baba da mosca sugere mais que a do homem
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Quanto se paga para ficar em silêncio quando o grito é o preço da liberdade? É melhor alterar a entrada ou permitir o acesso? Se dois e dois são quatro necessariamente deixam de ser par. Aí o pau come... Só é permitida a utilização de uma pessoa por cadeira... tem-se a vontade de duas e o cansaço de três... quem iria sentar quando chegasse a quarta? Então, todos em pé... de guerra. É sempre bom falar contigo quando "bom" signifique o que se deseja. Espero te ver ainda um dia, mesmo que não te veja mais sem saber que te vi. Assim é aquele teatrinho da rua do bairro em que a platéia agitada pede para que se conte outra história, porque o teatro mesmo, todos já conhecem (a história). A prioridade é colaborar para que o teatro (a história mal(u) contada de Rapunzel(u) termine bem legal(u) e todos continuem acreditando na fábula) exista para os náufragos.
Por isso gosto de conhecer atores ou artistas de estradas inacabadas para que, também, comam carne de caça e bebam água com barro-fresco. Tenho duas explicações para ser talvez um artista-homem: uma eu esqueci, a outra é tentar sê-lo. Como o inconsciente que é a segunda alma do homem, aquela que pede para ser aceita pelo inconsciente do ego. Onde está A VERDADE da víscera que sangra? Assim termino com o abraço do ego...
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EU 5 (Domingo, 14 de fevereiro de 1999 08:59) - :-)
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Quando pagar relaciona-se com posse? Ouso responder que sempre. Duas ou mais pessoas podem apreciar a mesma obra e mesmo assim o juízo de valor não é comercializável. É óbvio que os sentidos têm raiz no sentir. E sinto. Para que serve uma tosca cadeira se o chão é o limite? Sou adepto da não violência, mesmo que a selva aparentemente nos mostre um covil de famintos lobos. Certamente um terá sua sonoridade destacada perante os demais. Com a guerra... de nervos, o objetivo continua a ser o mesmo: sustentar aquilo que nunca soube ser ao certo o que se gostou e o que se quis. Armas. Não caio mais na asneira de ensinar. As relações sempre são conflituosas e a cada uma somos diferentes, pois diferente é o tempo, o lugar, o mar, o ar. Sei que te vejo, hoje, diferente do ontem. O verbo nos dá o norte e meto os pés num lodaçal sem receio de afundar, pois sei que busco. Atores são phoda. Em um espetáculo único qualquer ele pode ser confuso ou esclarecedor e o texto não diz nada. A. Parker diz que somos o cara com o pastelão na cara. E somos a personificação dessa expectativa. Erro e acerto.
E vou...
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EU 6 (Segunda-feira, 18 de outubro de 1999 09:52) - Já jogou o resta um?
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Quem disse que capricorniano não sofre certamente não é capricorniano. Pode ser um dos demais, mas definitivamente não é capricorniano. Amamos singularmente os que amamos e sofremos com eles, sorrimos com eles, transamos com eles. Sei que cada um tem a verdade, assim como eu tenho a minha. Ela é fabulosa e maravilhosamente minha, e de mais ninguém. Quem diz que capricorniano não sonha e não ama jamais amou um capricorniano na vida, e se não é capricorniano não é vida. Eu, como capricorniano convicto, sou vida. Eu sou a vida que sai por entre os dentes semicerrados pela dor da perda, a vida existente no adeus de um retorno pouco provável, aquela que busca sentido pela existência dos outros antes da sua sem ouvir um mínimo retorno através do eco, a existente num leproso, canceroso e involuntário beijo roubado num grande quarto escuro, onde as bocas desdentadas se confundem com os buracos existentes nas três paredes e teto. Certamente há um passado a refletir, um presente a viver, e um futuro-passadista que se apresenta. E eu, na minha dor, descortino a incerteza dos outros signos do zodíaco para suplantá-la. Ademais, estes só são usados como referencial graças à existência dos capricornianos. E eu sei que existo.
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ELE 4, Sábado, 8 de janeiro de 2000 - A cor da carne
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Quem tem fome de leão morre na espera do alimento. Quem tem medo de leão morre antes de se alimentar. Quem acredita na fome sufoca-se no mesmo ato de comer. E eu, que não sou nem leão e nem homem-faminto por alimentos perecíveis, espero todas as horas ser devorado. E o ponto de partida para a mudança da minha pele, são os sete sentidos da paixão num só: sem sentido pra delatar. É o mesmo corpo que entre nós se cala e vai criando formas animadas e manifestos absurdos para justificar a fome da carne. Cada um na sua tempestuosa busca por ser alimento - do outro ou de si - da boca em trégua com a dor nos dentes. E quem não tem boca esperando por comida? Sente-se faminto, e isso basta para reavivar a memória das dores. E mesmo com toda dor do tempo gástrico digerindo nossos desejos, da saliva ácida amargando nossa pele e do intestino denso processando nossos medos, eu te penetro as vísceras como um vírus. E te sufoco mesmo sem ser alimento. É minha dor que comunica a guerra, não a minha espada. Sou mesmo este leão faminto sem ter noção do que come na hora em que é alimentado. E nestas relações - de medo e desejo - eu ritualizo qualquer sonho que valha um alimento - não perecível.
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EU 7 (Terça-feira, 13 de janeiro de 2000 01:15) - Carne humana é muito bacana
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Determinadas circunstâncias não são, necessariamente, circunstanciais. São fragmentos de um todo que não se solidificam. É essa circunstancialidade que nos move e nos sedimenta no limo, e lima o fio de vida que insiste em perpetuar-se em cada um que ousa viver. Vida que não se distingue da vida humana; inumanos detalhes de uma inconstância do desviver, desnovelando-se paulatinamente através dos ponteiros que marcam o compassar de um tempo ainda latente. E é essa insignificância da vida que maltrata, que é indistinta de uma não vida, de uma morte aparente. Não sou parte, tão pouco um todo. O dilema de uma pseudovida é escatológica e mais ainda crudelíssima, como a canção que embala um filho recém morto por atropelamento. E o que fica é o insignificante, cheio de significado, que é o vazio.
Certamente uma catástrofe não vem só, mas sim acompanhada de mais pontos numa escala que vai até lugar nenhum ou comum. Daí apela-se para um deus ausente proliferador de intempéries climáticas. É frio, extremamente frio e faz calor, um imenso calor calórico, indefectível e indescritível. E essa essência maligna não é mensurável. É vida que não se cria, porém vicia feito narcótico, que ao mesmo tempo é prazer, e prazer da dor no prazer da dor. Passa um, um outro e, mais que uns, outros tantos. Vêm-me nomes soltos à mente minimalista: cada um tem o seu significado e é a partir daí que recupero meu brando fervilhar. É neles que me calco, me suporto. Sou suportável e suportado. O que me resta é o resto, e esse certamente me detesta.
Nada me dá menos prazer do que a fome saciada. Chego a constatar que a maioria não tem o que sorver. Não sou mais um; somente único. E sei que saco vazio [sic] não prevalece em pé-de-escada-espiralada. E esse ar quente que passa por meus tubos não são os de Terry Gilliam. Ao contrário, são desburocratizados em excesso. E é a partir do existente que vão. O que é uma fera enjaulada se não um pássaro sem asas. Se pensarmos como Caetano (voar com gaiola e tudo), somente isso não será. O que somos, então, se não uma multiplicidade de sentires conjugado à ânsia de se ter o que se deseja? Eu, antes de desejar o seu desejo, desejo o meu desejo. Quando me vejo percorrendo jaulas, vislumbro a velha Clarice e seu búfalo, com uma única e derradeira diferença: não é ódio que nutro, mas sim o velho e babaca amor, pois de amor de vive. Talvez não conheça a veracidade de um sentimento que sucumbe ao alcance das mãos. Se for como a areia que se esvai por entre os dedos, correremos o risco?
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ELE 5 (Sábado, 29 de janeiro de 2000 09:33) - Teorias do lago.
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A tempestuosa busca do ser não é propriamente para ele, ou para o outro dele - não é para nada. Todos são heróis vencidos, pagadores de promessas, teoricamente bastardos, cheios de idéias obtusas e obscuras. Não são nada. Mas o que procuramos afinal ao olharmos um lago poluído sem sabermos que alguns vermes já moram ali? Quem procura o outro, o verme ou o homem? Um lago vive para ele ou para a morte do outro - e nós que vivemos mais para o outro não saberemos nadar até encontrar o verme em nossas costas. Se é a história da falta que faz um homem, é a idéia da água que refaz a dimensão de um lago e as buscas de um verme. Eu nado. Mesmo que seja para molhar-me o corpo - embora fite a margem. O desejo de nadar é imaginário.
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EU 8 (Quinta-feira, 20 de abril de 2000 23:52) - Re: Teorias do lago.
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A contradição é nossa excelência, e não é mais um grande-ovo-de-Colombo.
Tinha, em minha mente, a sensação de ser devorado por vermes pelos olhos de Dali, até que os ditos começaram a devorar-me o tendão de Aquiles. Essa nunca mais senti. Esse pêndulo bastonete que repete demasiadamente a mesma seqüência de movimentos sou eu, só eu, e mais ninguém. É nesse olhar meio finissecular que digo: Eu procuro o verme e o homem. Não há homem ou verme até o momento em que eu desejar ter o desejo. É esse desejo de ser completo que me faz fitar o espelho. Essa completude não basta, como a perfeição e a redenção. E quem quer sê-lo? Ouço vozes diariamente sussurrando fragmentos de palavras que me forçam a uma ação tardia. Sei que tardo, e falho. A margem é tão distante que não me serve de referencial para absolutamente nada. Infinito? Esse não procuro, não desejo, não necessito. Quando busco aproximar-me de ratos e/ou gatos é para sentir o cheiro característico de ambos. Se fossem elefantes e/ou formigas, idem. Sei da fantasia que surge no fechar dos olhos. Delicio-me com os demais sentidos. Eu continuo a desejar, mesmo que ilusoriamente, o lago, o verme, o homem.
Continua... |
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| Segunda-feira, Julho 07, 2003 |
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Tenho que escrever algo aqui... mas o quê? Eu prefiro sair para ver algum filme, sei lá. Como todo mundo está se apresentando, irei fazer o mesmo. Então vamos lá.
Como já deu pra perceber, meu nome é Carlos E., drogado, prostituído, lascado, duro, revoltado, indignado, puto, mal-humorado, alucinado, lunático, paranóico, cancerígeno, aidético, leproso, esquizofrênico, destruturado, delinqüente, e vítima de um sistema que não está nem aí... mas tudo bem, que eu não estou nem aí muito menos...
Pois é. A partir do dia 26 de setembro 1981 o mundo teve aqueles seus dias de azar. Eu vim a este planeta que se chama Terra (não sei porquê, já que estamos no meio de tanta água), logo no Brasil (também não sei o porquê desse nome, mas o que deu no Cabral para batizar o nome do país o nome de um pau???). Mas isso não importa agora, o que importa é que o Banco Real está dando dez dias sem juros com o cheque especial. E já que passarinho não tem dente, o pneu do navio furou e como melancia não tem caroço, espero que possamos receber muitas visitas daqueles que apóiam nossas causas.
Sim. E visitem minhas páginas:
- Carlos Eduardo Website
- OH MY GOD, THEY KILLED KENNY!
- BLOG TOOLS |
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[Segundo a teoria do caos, basta apenas um ponto de desiquilíbrio na corrente para que as coisas se desmantelem, pouco a pouco, até o devido caos.Que prazer atestar este princípio ao ler a enorme quantidade de ousadia lingüística que hoje se observa neste blog... Legal, muita escatologia para todos.]
Respondendo rapidinho para a colunista social:
RONY LEAL, 28 anos, brasileiro, duquecaxiense da baixada fluminense, pós-graduado em literatura, professor, estudante, aprendiz, músico, namorado nas horas possível, insuportável nas horas necessárias, insuperável nas horas impossíveis. Debochado, desbocado, abusado e modesto ao extremo. Um enorme apaixonado pela vida e pelas pessoas. Fazedor de macarrão e lasanha. E, superando todas as expectativas, feliz de viver neste nosso mundinho terceiromundista.
(É isso aí p-p-p-pessoal, amem-no ou deletem-no!) |
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07/07/03
::Kbrum!::
Bárbara Romeika. brasil. nordeste. rio grande do norte. vinte anos. estudante do quinto período de filosofia. ufrn. pressão arterial dez por sete. tipo sangüíneo a positivo. felizmenteperturbada.
Uma das sete almas- perdidas ou encontradas nesse site. Não importa, porque 7 é conta de mentiroso mesmo...
Defenderá, toda quinta-feira, a causa da FILOSOFIA. Essa coisa fluentemente troncha que nem sempre desce redondo por entre as córneas, mas que pode ser o que você quiser, inclusive procuradora da felicidade.
E tá um sol lindo lá fora, não convém que se implique com a Vida.
um. dois. três e ... e... e..................... já!
Arteiros, podemos começar a brincadeira!
(as mãe dizia que nois era artêro. oolha no que deu..)
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Feliz qualquer coisa para todos nós ou quem orgasmou que atire a primeira pedra no bálano do outro
A idéia do pecado me excita, e quando põe-se à mesa uma quantidade cabalística, me dou o direito de sorver a essência de todos. A completude está no lambuzar-se de bosta buscando, essencialmente, as motivações humanas. Não há desejo de construir relações; ideário de iconoclasta deve ser seguido, pois mesmo paginada a história desiste de ser-se vil.
Um beijo, um abraço, um cheiro no sovaco em todos que, como eu, queiram quebrar a perna chutando a bunda daqueles que insistem em não andar por direção alguma. |
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NOSSAS VAI-IDADES... saudações aos big-bang-blog
Vaidade mamãe, é isto! A vaidade é uma porta para a cátedra! O referido caminho que Nabucodonosor frisou antes de projetar a válvula de escape. A fome de Ali Baba e Baby Doc. O furúculo nunca tido, graças! Quando Moisés cruzou o Mar vermelho, a vaidade o possuiu. Assim como ele, Platão decifrou a gota do orvalho e piscou para uma fotografia onde, além de sorrir, apareceram juntos os três mosquiteiros, e os 12 apóstolos, de calça caqui, sentados nas pedras que Jesus encontrou para cruzar o mar, com Moisés e Sancho Pança. A vaidade tem suas glórias, mamãe... a vaidade é perene como as pregas e a mentira dos civilizados... Um vidrinho de aflição, nunca! Uma fórmula de beleza, sempre! A urina deve dispensar tudo, sair no coco, tudo deve ser como no céu e na terra. Um manjá, um divã, uma sombra manhanzinha, uma chazinho de hortelã... deus será benevolente conosco... Saberá gozar as piruetas dos algozes nos minutos das variedades do tempo. Santa Luzia olhará pela brecha da porta, sempre. A vaidade vai na idade. A vaidade vai na idade...
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Gente ! Hoje é o dia oficial para a inauguração deste blog! Fico muito feliz em fazer parte destas SE7E CAUSAS ! Espero que aqui possamos expressar o que nos inquieta ! Deixemos que as nossas idéias e impressões fiquem registradas aqui, para que assim possamos dividí-las com outras pessoas.
Todas as causas aqui são importantes e espero que este blog perdure por muito tempo.
Fico feliz por ter perto de mim "OS ARTEIROS"... pessoas execêntricas e especias.
Aqui, tenho uma causa que é a LITERÁRIA ! Mas...além dela tenho outra...que é está "rodeda" de pessoas que eu adoro! Pessoas que me dão trabalho as vezes...mas vale a pena.
É isso... essa foi a minha CAUSA de inauguração no DIA 7 do 7 !! :)
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Oi pessoal, fico feliz em participar deste blog. É um espaço útil para divulgação de textos, que compreendem várias áreas do conhecimento. Espero que outras pessoas tenham acesso a este conhecimento que estamos construindo.
Um abraço, Carlos. |
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Uma Mente Brilhante
O filme Uma Mente Brilhante (lançado em 2002) é baseado no livro A Beautiful Mind: A Biography of John Forbes Nash Jr., de Sylvia Nasar. O filme narra a história verídica do matemático John Nash que, aos 21 anos, formulou um teorema aplicado à teoria dos jogos na área da economia, o que provou sua genialidade. Contudo, seu reconhecimento só viria 66 anos mais tarde, em 1994, quando ganhou o Prêmio Nobel de Economia. Durante este longo intervalo de sua vida, Nash foi diagnosticado como esquizofrênico pelos médicos, enfrentando batalhas em sua vida pessoal, lutando até onde pôde para manter o equilíbrio mental. Pouco antes de começar a manifestar seus primeiros traços de esquizofrenia, Nash estava ajudando o exército americano a quebrar códigos de comunicação.
Tentaremos fazer um comentário breve do filme sob uma perspectiva do Behaviorismo, através da análise objetiva do comportamento de John Nash.
O Behaviorismo é uma corrente psicológica que tem por objeto de estudo o comportamento observável. Seu principal referencial teórico é a equação S ® R (estímulo ® resposta). Os principais representantes do behaviorismo clássico ou metodológico são Watson, Pavlov, Thorndike e Skinner.
A esquizofrenia é um distúrbio psicopatológico que leva o sujeito a um distanciamento progressivo da realidade através de alucinações, muitas vezes acompanhadas de delírios paranóicos. Nash começou a sofrer de esquizofrenia aos trinta e poucos anos, vivenciando alucinações em que via pessoas que, de fato, não existiam na realidade. Seu delírio parece ter tido início, segundo o filme, no momento em que ele consegue decifrar códigos para o exército americano. Ao receber elogios do exército pela ajuda fornecida, Nash começa a construir um delírio em que ele passa a ser um agente secreto do exército americano, envolvendo-se com personagens fictícios e se arriscando em tarefas ultra-secretas e perigosas. Tudo isso não passa da imaginação perturbada do matemático, a qual iria levá-lo a mais profunda loucura.
Tentando estabelecer uma conexão com a corrente psicológica behaviorista, podemos sugerir que o elogio recebido do exército americano, após cada deciframento dos códigos secretos realizado por John Nash, funcionou como um reforço positivo, reforçando seu comportamento como decifrador. O traço psicopatológico deste comportamento - o qual surgiu em determinado momento da decifragem dos códigos, levando Nash ao delírio psicótico ¿ contudo, só ocorreu, evidentemente, porque o matemático apresentava uma tendência à esquizofrenia.
No momento em que descobrem sua doença, Nash é levado a um hospital psiquiátrico, onde é submetido ao tratamento utilizando choques elétricos. Sob uma perspectiva behaviorista, esses eletro-choques são aplicados como uma punição positiva para o comportamento delirante do matemático.
A proposta de uma análise behaviorista do filme parece se reduzir a esses dois momentos, nos quais podemos observar a operacionalização do comportamento do sujeito através do reforço e da punição, respectivamente. Contudo, por mais que, didaticamente, estes comportamentos observáveis contemplem minimamente aspectos essenciais da teoria behaviorista do reforçamento, esta não dá conta da complexidade do processo psicopatológico da esquizofrenia, pois se limita apenas à análise do comportamento observável do sujeito, ignorando, desta maneira, os processos mentais e a dimensão do psiquismo de ¿uma mente brilhante¿. Neste sentido, poderíamos sugerir uma análise psicológica sob uma perspectiva psicanalítica, que daria conta da dimensão subjetiva do sujeito esquizofrênico e que, neste caso, poderia ser mais plausível.
Concluímos que, embora nossa tentativa de análise behaviorista do filme tenha abordado conceitos importantes e essenciais desta corrente psicológica, há aspectos diversos e mais complexos que só poderiam ser analisados tendo em vista uma teoria que abrangesse outras dimensões do sujeito: subjetividade, aspectos cognitivos, emocionais e sociais.
Neste sentido, poderíamos examinar a infância de Nash, suas relações com os pais e a família, seu comportamento como estudante colegial, etc., a fim de estabelecer fundamentos psicanalíticos que pudessem esclarecer o desencadeamento da esquizofrenia no sujeito, podendo compreender, desta forma, a dimensão da subjetividade do indivíduo e seus aspectos emocionais e sociais.
Por outro lado, poderia ser feita uma análise mais minuciosa da mente de John Nash, contemplando seus aspectos cognitivos, procurando entender os processos mentais envolvidos no seu raciocínio matemático extraordinário e investigando os possíveis mecanismos cognitivos que o conduziram à alucinação e ao delírio psicótico.
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Aqui jaz los retirantes da seca de quinze
Faiscou o mundo teu riso de abóbora. Sempre foi assim, eu e você, uma massada danada. Uma amassada arretada, uma espoletada de beliscões ao pé de piqui ancestral. De repente no estrondo do estômago, a bicicleta do ET nos atropelou. Não deu pra comer nem um naco de pedra, nem um tico de areia. Morremos. Seria formidável escrever em Mi maior um soneto gosmento. Dedilhar a ruptura no botão atômico, explodir nossas risadas de hiena... fatalmente nos encontraremos no purgatório. Você de calça roxa, sempre a mesma tanga lá Tarzan...eu? Pedro ficará encucado com nossa indumentária ridícula. Com nossos trajes fuleragens e pobres. Fazer o que? A vida é passageira, se esconde em qualquer ônibus, cavalo alado, anjo tupiniquim... Quando o sol retornar, quero morder as faiscas nossas, na covinha besta que nos fizeram. Plantarei uma rosinha de mandacarú no seu túmulo escrito: ¿jaz um tolo¿. A tolice é uma ferramenta para os discípulos de Adão, esse canalha hipócrita que sacaneou com Eva. Eva nem sabe das fofocas, mais foi ele sim que incubiu-se de falar dela, descaradamente. O pintassilgo, lembra? Nem canta mais, também morreu de angústia. De saudade colossal. Nada mais resta na poesia que gesticulamos em vida. A poesia faleceu com a charada que vitimou, Aladim, Batman e Robim.
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(...) [(em off) Well, last but not least, here we go.]
Após alguns probleminhas de ordem técnica, cá estamos nós para nossa estréia neste blog. E para não decepcionar meus detratores, que insistem em afirmar que sou um cara "do contra", já vou começar marretando: amigos blogueiros, por que somos tão teóricos? Às vezes entro nesta página e tenho a impressão de que estou lendo os anais (ops, sem trocadilhos) de algum congresso de sei lá o quê. Fica a idéia de que estamos influenciados pela fala recente de nosso presidente (não a dos cortadores de cana) de que os universitários precisam dar a chamada "contrapartida social", ou seja, justificar o seu suado diploma. Daí talvez o tal teorismo explícito que vemos aqui. Vamos pensar nossos objetivos? É uma outra questão que deixo por aqui. (sim, porque quem pensou que a questão acima relacionada era de fundo retórico, enganou-se. Gostaria de respostas, mesmo que mal-educadas e teor chulo - adoro gente desbocada!).
Neste ponto da narrativa, acredito que muitos de vocês devam estar se fazendo a mesmíssima pergunta, aquela que não quer calar: quem foi que convidou esta porra deste cara para o blog? E impossibilitado de respondê-la, passo a bola à única pessoa que pode - bem, vamos lá:
Eveline, por que você convidou?
Conhecendo a figura como conheço, lá virão as justificativas:
1) Ah, sei lá, acho que você escreve bem;
2) Você conhece bem música. Afinal de contas, você não é músico?
Mas o fato é que acredito que por melhores que sejam as respostas (que, tenho certeza, serão as acima relacionadas), muito a contragosto reconheço que tudo não passa de nepotismo. Nepotismo? Claro! Observem: Ela disse que eu escrevo bem. Como assim? Será que escrevo? Ponto polêmico ao extremo, uma vez que nada mostrei que o justificasse - tudo o que fiz até agora foi reclamar de tudo e todos (tão divertido...). Conhecedor de música? Mesmo? Amigos, tudo o que esta moça sabe musicalmente a meu respeito é um mp3 safadinho que ela ouviu da minha banda dia desses (horrível, diga-se de passagem) e alguns dos meus melhores cd's do U2 que ela "pegou emprestado por tempo indeterminado" (nada como o sujeito indeterminado - afinal, ninguém entende mesmo!!). Logo, desconfiem de mim desde o início - eu não presto (e ninguém melhor do que eu para dizer isso).
(...)
hehehe! ;-) A esta altura vocês já devem ter percebido que tudo isso foi uma grande enrolação numa tentativa desesperada de fugir do tema em questão: música. E, agora sem perguntas retóricas, digo que a grande dificuldade talvez seja tratar de um assunto tão envolvente e tão íntimo a todos. Sim, porque falar das paixões, sejam elas de que natureza for, tem como efeito imediato o embotamento dos sentidos. E como falar de música então, sendo que esta é algo que mobiliza todos os sentidos de maneira absolutamente irresistível? Bem, tentarei seguir o modelo bíblico, partindo do início de tudo. Mas não hoje: está tocando agora uma música no rádio que leva meu pensamento para longe, muito longe...
[Hmmmm, conversamos na volta...]
T+!
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| Sexta-feira, Julho 04, 2003 |
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Os vilões do cinema
Durante anos, o cinema tem criado vários obstáculos no caminho de nossos heróis. Uma parede, um muro, um precipício. Quanto mais difícil fosse atravessá-lo, mais crédito merecia o nosso herói. Com o tempo, os obstáculos foram se tornando vilões e cada vez se tornam mais maudosos, e assim fomos testemunhando vilões marcantes que chegam a merecer um crédito igual - e por que não maior - dos seus inimigos.
Darth Vader, vilão da série Star Wars e o meu preferido, revela uma figura mitológica por trás do seu personagem: o deus romano Satuno, que devorava seus filhos e depois, se arrependia. Um vilão memorável, que se revela pai do seu inimigo: o jovem Luke Skywalker. Quem poderia imaginar? Não há como negar que às vezes torcemos por eles.
Os raptors de Jurassic Park, o T1000 de Exterminador do Futuro 2, Jack Nicholson em O Iluminado, o Agente Smith da trilogia Matrix, Robert De Niro em Cabo do Medo, o demônio em O Exorcista, o Um Anel em O Senhor dos Anéis, Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes. Eu poderia lembrar de vários, mas o que eu quero chamar a atenção nesses personagens é que, como falei no início, eles são mais fortes na tela do que os seus protagonistas.
São raros os filmes em que eles levam a melhor. Por uma razão conservadora, os diretores preferem usar a fórmula "o bem sempre vence", blá, blá, blá. Mas quando um diretor ousa fazer diferente, o resultado quase sempre é bom, pois ele sabe o que está fazendo. A Profecia e O Suspeito da Rua Arlington são bons exemplos disso.
A verdade é que a mesmice torna-se chata, e um filme que o final nos surpreenda, mesmo que mocinho perca a batalha, pode-se tornar interessante. Esperamos dos nossos ousados diretores finais que não esperávamos ver, e mesmo assim, interessantes. |
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| Quinta-feira, Julho 03, 2003 |
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O que lhe traz felicidade?
Viajando pela filosofia helenística, é comum a presença da ataraxia como resposta a essa pergunta. Sendo ela, a ataraxia, um estado de imperturbabilidade da alma, estaria o indivíduo submerso em sua própria condição de ser, bastando pra haver a paz interior.
Quando, em toda complexidade física, atingimos um estado onde não há ocorrência dos desejos, atingimos então o equilíbrio. A ausência da dor, de alguns tipos de necessitar: eis o objetivo. E mesmo havendo inferência externa, há que se cultivar a ataraxia, como forma de preconização da dor. Constitui-se, assim, o meio de usufruir tranqüilo de uma vida harmônica.
Quando nos percebemos livres das perturbações, o passar das horas dá-se num fluido harmônico, onde a própria consciência imanente basta pra haver a satisfação individual. O mundo deixando de ser um palco trivial, volta-se ao estado latente que permeia a mente das crianças, quase sempre acometidas com a noção de estar nesse cenário no mínimo encantador.
Convém penetrar nesse sentimento 'infantil' para que toda mágica que nos rodeia não caia fatalmente em mesmice mecânica, quando uma flor acaba perdendo sua loucura exclusiva, geométrica. Um cair de tarde acaba perdendo seu tom assustador de ser alaranjado. Esquece-se da coisa estranha que é nascer tronco de árvore duma semente debaixo da terra. Tudo sendo engolido pelo sentimento trivialístico dos que desapercebem o ato de respirar.
Enfim, bom dia pra vocês.
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| Quarta-feira, Julho 02, 2003 |
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A tristeza como Elemento de Criação
Passei o dia hoje pensando no que escrever e sinceramente não sabia o quê.
À tarde, eu estava dando aula e foi então que me lembrei de quanto tempo faz que eu não escrevo um poema. Perguntei-me então o porquê de tanto tempo sem escrever se quer um verso.
Abri então os arquivos no computador e fui relembrar o que tinha escrito. Percebi que todas os meus poemas são tristes e tentei associá-los aos momentos os quais eu os escrevi. Os momentos também eram tristes e carregados de intensidade.
Nessa procura por coisas antigas achei cartas e textos meus que escrevi em momentos tristes da minha vida.
Caramba, a tristeza tem a capacidade de trazer à tona uma boa inspiração para escrita. A tristeza foi e ainda é motivo de inspiração para muito poetas e prosadores. Lembro-me dos poetas Românticos em sua fase Byroniana (também conhecida como mal-do-século), que faziam poemas belos e tristes. Poemas estes recheados do egoísmo Romântico da época.
O que estava em questão para os Românticos era o "Eu", o "meu" sofrer, a "minha" dor, a "minha" solidão ou a "minha" tristeza. Os Românticos usavam a poesia como elemento de refúgio para despejar suas frustrações e tristezas...
A tristeza sempre foi e sempre será um elemento de criação. Afinal a tristeza é um elemento presente em nossas vidas. Ela vem, vai e vivemos torcendo para que ela não fique.
Aproveito a oportunidade para deixar aqui um poema que escrevi em 1996...
Desfecho
Paixão escolhida
Amor inevitável
Sofrimento esperado
Sofrimento vivido
Medo
Ilusão
Desejo
Descontrole
Lágrimas
Noites vazias
Lábios secos
Pensamentos
Conclusão
Vida.
Eveline Alvarez
Vou dormir agora... ou será que ainda há tempo de escrever um poema? |
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| Terça-feira, Julho 01, 2003 |
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Teatro: simulacro do ator
De tempos em tempos ouve-se falar em uma teoria nova que prevê o esclarecimento, a elucidação da mítica arte da interpretação.
Salvaguardando absolutamente nenhum deles [contradir-me-ei abaixo], o teatro sequer seria considerado arte.
Em Boal podemos ter caracterizado o teatro como arte maior, já que envolve outras artes, menores, como a arquitetura, a música, a literatura, a dança, a pintura, a escultura. As artes, neste caso consideradas menores, têm em si um objeto [aca] de estudo; o teatro, não.
A existência do teatro está pautada na utilização de dois rudimentos: o ator e o público. Talvez daí resida o principal erro em se caracterizar o teatro, hoje, como arte. A efetivação do teatro passa pela efemeridade em ser, puro e simplesmente. Antes de tentarmos entender o teatro como algo externo, exterior, devemos compreender que o ator, sendo o sujeito do teatro, deve fazer com que as emoções sejam interiores, que seja seu próprio público não-espectador. Não falo isso pensando em Boal, quando ele ¿democratiza¿ a representação, fazendo com que os não-atores se tornem atores de seu cotidiano. Sei da existência das máscaras sociais, mas o teatro não é democrático; plural, sim.
Esse distanciamento do teatro enquanto arte, reforçado pelo ocidente, traz à tona o desejo de sermos múltiplos. A compreensão do sentir dilui o formato estabelecido e torna-o vida. Vida, então, todos nós temos e somos. Não há teatro, mas sim vida. A compreensão de si, do derredor, faz-nos seres completos. O dito ator nada mais é do que aquele que tem a compreensão do seu papel, do seu inter-relacionamento com as demais personagens, dentro de um espaço e tempo determinados (excetuando-se aqueles atemporais).
Triste é querermos representar, como fazemos com os animais no circo, circunstâncias externas àqueles que, como nós, não têm vida. Talvez tenhamos em Antonin Artaud um fiel escudeiro, mas isso já é outra história.
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