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Domingo, Agosto 31, 2003
Os meus companheiros de blog, já completamente putos, porque querem que eu fale de ¿Ciências Políticas¿ de uma forma convencional, insistem que devo mudar o tom do estilo. Após, como eu tô estudando neste momento o cordel, vou atender aos pedidos desesperados de Eveline, sobretudo, e fazer um texto enorme e cheio de citações para o gozo da galera. Aproveitem.
CORDEL E RESSIGNIFICAÇÃO

Embora a maioria dos pesquisadores concorde que a literatura de cordel veio ao Brasil, sobretudo ¿através dos colonizadores lusos¿ (Antologia de Literatura de Cordel, p. 11, 1994), ou como ¿uma extensão da tradição literária de Portugal¿ (Curran, p. 11, 1973), o fato é que, aqui ao chegar fez-se o ¿sincretismo com os mitos indígenas e com as narrativas africanas¿ (Carvalho, in: Cult) dando-lhes um novo sentido e significado.
Esta narrativa que ¿passou a ser impresso em forma de versos¿ (Carvalho, in: Cult), a partir de fins do século XIX, teve no cantador Silvino de Pirauá ¿ ¿pioneiro ao fazer imprimir os versos que criava e difundia na forma oral¿ (Barbosa, p. 15 1997), e Leandro Gomes de Barros ¿ ¿o mais importante dos poetas populares da literatura de cordel do Nordeste do Brasil¿ (Curran, p. 11 1973), um dos seus principais precursores.
Silvino de Pirauá e Leandro Gomes de Barros são talvez as primeiras sínteses de um processo de recriação desta poética. Uma transição que se fez permanente, híbrido, entre um código (música) com outro (literatura). Entre o oral e o escrito. Esta relação é que faz com que o pesquisador Gilmar de Carvalho afirme ser o cordel uma ¿literatura oral¿ (in: Cult). Isto é, uma literatura que apesar de ter como base o texto impresso se caracteriza ¿pela codificação de uma linguagem ajustada aos valores poéticos de uma comunidade culturalmente consubstanciada na oralidade¿ (Quintela, 1996 p. 19).
Fato que possa vir a justificar sua intensa popularidade, aceitação e difusão, fazendo com que a literatura brasileira encontre nesta poesia uma de suas mais extensas formas de narrativa, enquanto comunicação poética elevada à condição de ¿jornal do povo¿ (Curran: 2001: 20) nordestino.
Os temas centrais que exemplificam uma relação com a Península Ibérica tratam de romances de cavalaria, princesas dragões, entre outros. Segundo afirma Grangeiro, o cordel ¿apresenta-se bastante variado e vai desde os romances tradicionais- Carlos Magno e os Doze Pares da França, a Princesa Magalona, João de Calais, etc, que nos chegaram da Idade Média, através do romanceiro Ibérico¿ (2002:133/134).
Essa relação com temas medievais só mudaria a partir nos anos 30, segundo Ruth Brito Terra, quando os poetas passam a relatar os fatos específicos do seu contexto. Os temas ibéricos são ¿digeridos (antropofagicamente, no sentido oswaldiano) e recriados com os gostos e sabores locais, até assuntos históricos brasileiros, ligados ao misticismo, à religiosidade, cangaço, desastres e até mesmo pornografia¿ (idem, 2002 : 133/134).
Esta literatura que se inicia no Brasil em fins do século XIX, vai conhecer uma grande difusão, produção e distribuição, notadamente, até o ¿boom¿ dos anos 50 (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980: 90). A ¿década de 1940 e 1950 foi, apesar da censura policial do último qüinqüênio do estado Novo (1940-1945), muito favorável ao cordel¿ (idem). Neste período ¿havia uma rede bem estruturada de comercialização¿ (Carvalho, 2002 : 8) onde estes eram vendidos ¿nas feiras, nas festas de padroeiros (...) existia todo um circuito que funcionava¿ (idem).
Este movimento foi impulsionado, entre outras coisas, pelas instalações de gráficas no Nordeste. Entre 1904 e 1930 soma-se, segundo nos informa o livro Autores de Cordel, ¿21 tipografias que imprimem folhetos¿, (1980: 90). Nas décadas seguintes surgem as tipografias dos poetas, que também passam a serem editores. As mais importantes são a ¿Popular Editora¿, de Francisco das Chagas Batista, na Paraíba; ¿Guajarina¿ em Belém do Pará, de Francisco Lopes e a ¿São Francisco¿, de José Bernardo da Silva, em Juazeiro do Norte-Ceará. Nesta última, nas décadas de 1940-1950, a prensa cortante das máquinas funcionava a todo vapor, e ¿tirava um mínimo de 12 000 folhetos por dia¿ (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980:91), dado que confirma o quanto esta poética teve aceitação e difusão no seu contexto de produção e recepção.
Porém, registra, em 1960/1970, uma ¿série crise¿ (idem, 1980: 91) no sistema do cordel . Vários fatores são mencionados para justificar esta premissa: a TV, o êxodo rural, a inflação, entre outros. A maioria das gráficas (tipografias) é fechada, como a São Francisco, do editor José Bernardo da Silva , em Juazeiro do Norte.
Neste sentido, advém deste período, uma intensa campanha de que esta narrativa estaria morrendo. O cordel passa neste momento a ser visto no discurso de alguns pesquisadores como uma literatura superada, morta:
¿o problema do cordel em forma escrita, publicado em folheto, ao meu ver é um assunto praticamente liquidado. Não acredito que isso tenha vida muito longa, ou melhor, acredito que o cordel já morreu, está com a vida falsa¿ (Almeida, 1982: 17 ).

Diathay de Menezes, sobre este assunto, também ressalta:
¿Há quatro anos atrás assisti a uma reunião semelhante a essa, com esse mesmo tom saudosista. Com esse mesmo tom de lástima e lamentação. Só que na época eu estava no lugar do Prof. Átila e fui quase agredido. De modo que gostaria de lembrar que essas atividades feitas pelas Universidades podem parecer beneméritas, mas a beleza do túmulo não torna o repouso mais agradável¿ (Menezes, p. 41, idem).

Apesar dos efeitos econômicos sobre a produção do cordel, como o fechamento de gráficas, o êxodo rural, entre outras transformações geradas pela economia, as caracterizações de morte desta narrativa foram no mínimo exageradas.
O fato é que, ¿na década de 1970, uma nova fase na produção de cordel, assinalada por um razoável aumento das tiragens, confirma um novo surto¿ (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980: 92). Começa a se movimentar, contraditoriamente, no mesmo período que enterram a literatura de cordel, uma ¿razoável¿ retomada da mesma. Segundo o pesquisador José Erivan Bezerra de Oliveira
¿Já a partir da década de 80, começam a se desenvolver novas formas (principalmente nas cidades) de ver, ouvir e transcrever para o Cordel a realidade emergente; surgem as academias, novos autores, muitos dos quais com nível superior e vindos de uma tradição rural, que partem para reivenção dessa tradição, unindo uma formação intelectual e erudita (às vezes não) com a memória, com o que ficou guardado da tradição rural e oral. Essa reinvenção- extremamente lucrativa- permite que a suposta ¿morte¿ do Cordel não aconteça, ou antes, transforme-se em uma nova vida, que representa ainda mais quem a produz, criando uma espécie de identidade, mesmo que ela seja parcial e esteja também em constante movimento¿ (Oliveira, 2001, p. 5)

Esta análise, no qual concordo e compartilho, demonstra as estratégias pela qual foram construindo um novo surto em que os poetas iniciam uma nova retomada do cordel. Este processo é visto, mas notadamente quando os cordelistas ocupam outros espaços de performance, anunciam outras temáticas e viabilizam grupos, academias e sociedades. Relativo a esta organização dos poetas a imprensa local identifica:
¿com a chegada das emissoras de rádio, da televisão e dos jornais que circulam no mesmo dia na mais longínqua cidade do interior, o cordel perdeu a sua força como instrumento de informação e divertimento. Isto exigiu dos que da literatura se alimentavam uma nova postura. Foi através da organização que os poetas sobreviveram a avalanche de informações imposta pela mídia eletrônica¿ (Jornal O Povo, 13 de fevereiro de 2001).

Esta campanha de morte do cordel tem haver com um processo mal compreendido de uma transição entre um contexto de tradição que se descontextualiza, para outro. Talvez, possa-se dizer que há um declínio de um modelo no sistema do cordel concernente à sua forma de produção, comercialização e difusão. Porém, esse sistema não morre, ao revés, se amplia e encontra eco ao se redimensionar para outros espaços, propiciando outros receptores, incorporando as novas tecnologias, propiciando outras temáticas, e, sobretudo, surgindo novos autores. Neste sentido é que é ¿interessante pensar em uma mudança do perfil do poeta popular. Hoje o produtor tem formação universitária e faz um cordel para um outro público. Mudaram o poeta e o receptor¿. (2002: 9), diz o pesquisador Gilmar de Carvalho.
A própria ¿atualização lingüística que aconteceu na Literatura de Cordel, foi, antes de tudo, de fundamental importância para sua própria sobrevivência, pois a própria linguagem se modificou¿ (2001, p.49). Estas etapas e linguagens que vão se diferenciando, funde-se noutra lógica. Essa lógica evidencia a dinâmica inerente que tem as formas de linguagens artísticas de moverem-se na realidade, inclusive ocupando outros espaços e se imbricando com as novas tecnologias.
Acredito que este novo momento do cordel faz uma conexão entre os velhos paradigmas de seu sistema, que vigorou até década de 1970, com outro contexto que incorpora, intertextualiza, rompe e provoca sua ressignificação, apresentando, neste sentido, outras características. O movimento atual do cordel, embora vindo de uma ¿crise na edição popular¿ (p, 47-Cult), não determinou sua morte anunciada, ao revés, ele anuncia, na contemporaneidade, a imbricação com outros códigos, inclusive, para permanecer. Neste aspecto é que o
¿cordel está presente na música de e Zé Ramalho, Ednardo, Xangai, Alceu Valença e, pricipalmente Elomar, transformaram esse universo poético em canção. Contemporaneamente, o Mesrtre Ambrósio, o Cordel do Fogo Encantado, a Cabruêra! E o Dr. Raiz, mas o espectro vai de Luis Gonzaga ao Armorial, de Jackson do Pandeiro ao mangue-beat. Na dança, pode-se falar no Parabelo, do grupo Corpo (música de Tom Zé/Wisnik). O cordel vem a ser essa manifestação camaleônica apropriada por vários códigos¿ (Carvalho, pp10/11, 2002).

Vele salientar que o termo ressignificação é aqui pensado e estabelecido tendo em vista de que as manifestações culturais não são estanques, nem perenes. Elas se movem, dialogam e se transformam a partir das práticas sociais e o cordel, ao fazer parte da cultura também passa por estas modificações. Há uma rede de elementos do contexto cultural brasileiro em conexão que interagem na trajetória desta narrativa, e que apontam no interior outros sentidos simbólicos.
Neste sentido, entendo a ressignificação como a capacidade que tem a cultura de ganhar outros sentidos, sem, entretanto, negar-lhes totalmente sua origem. É um ¿novo¿ convivendo com um ¿velho¿, sobretudo, para que este permaneça. Não seria a ressignificação, portanto, uma descaracterização, mas uma dinamização norteada pelos elementos que compõem um contexto onde tradição e contemporaneidade se hibridam, projetando na memória dos poetas uma ¿subjetividade-singular e coletiva¿ (Babha, apud, Oliveira, 2002) propulsora de uma reinvenção de novos processos e usos para esta linguagem.
Fanka | 12:12 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Agosto 29, 2003
Gangsters, porcos, ciganos, lutas clandestinas, diamantes e uma pitada de humor. Dirigido por Guy Ritchie, Snatch - Porcos e Diamantes é recheado de humor, violência e personagens bizarros bem ao estilo Tarantino.

Com histórias paralelas que se cruzam de forma curiosa, conhecemos os produtores de lutas de boxe Turco (Jason Statham) e Tommy (Stephen Graham), que estão numa fria depois que perdem um lutador e acabam contratando o cigano Mickey (Brad Pitt) para lutar. O problema fica maior quando Mickey acaba vencendo a luta que deveria perder.

Assim, o gangster Tijolo (Alan Ford) não fica nada contente quando perde a aposta. Este também resolve se vingar de três bandidos trapalhões que tentaram assaltar sua casa de apostas, e estes se safam quando prometem entregar a Tijolo um enorme diamante que está com um sujeito viciado em jogos (Benicio Del Toro). Diamante este que também está sendo procurada por um perigoso russo (Rade Serbedzija) e por um receptador americano (Dennis Farina).

O filme passa com um rítmo frenético envolvendo flashbacks, slow motions e cenas congeladas. Devido a quantidade de personagens, não há como torcer por um, e sim só curtir os excelentes desempenhos de cada ator.

Não muito diferente do seu primeiro filme (Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes), Ritchie ainda consegue fazer o prender o espectador com seus movimentos de câmera, cortes rápidos e com a ironia dos seus personagens. Um prato cheio de entretenimento.
Carlos Eduardo | 23:48 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Agosto 28, 2003

ode aos artistas pragmáticos


se filosofia é o meio que remete à satisfação plena de viver
filósofo é aquele que consegue acalentar o ronco das tripa com o sorriso mesmo ausente os dentes
aquele que estrutura uma família para o bem sem as mínimas condições básicas de sobrevivência
feliz
apesar de. mesmo que. embora.
sob piada do salário que recebe

o resto é aprendiz.
Bárbara RoMa | 00:18 | Deixe seu comentário |
Quarta-feira, Agosto 27, 2003
Por estarem distraídos ( Parte IV)

Cecília levava seus dias sem Joshua. A dor da ausência tomava conta de sua rotina.
Seis meses se passaram e Cecília continuava amando Joshua. Ele, que continuava o namoro com a pianista, decidiu se afastar de vez de Cecília. Ela o ligava, e ele sempre arranjava uma desculpa para não estender a conversa com Cecília. André, o único amigo em que Cecília confiava, também tentava entender o porque do comportamento de Joshua.
A menina não mais adolescente conseguiu entrar na faculdade. Desistiu de fazer o curso de odontologia e entrou no curso de arte cênicas que era realmente o que ela amava. A faculdade fez com que ela esquecesse um pouco de Joshua. Ela ficava horas na faculdade aprendendo mais e mais sobre a arte de representar. Ficava na praça lendo livros inicias sobre teatro. Foi numa das tardes em que estava na praça esperando a aula começar que Joshua apareceu para falar com Cecília. Ela simplesmente estranhou o fato mas apenas o escutou. Joshua sentou ao lado da menina, ainda nervosa, e a olhou por uns longos segundos. Olhou-a e apenas pediu desculpa por tê-la deixado. Ela, sem entender, apenas perguntou-lhe o motivo. Ele apenas disse que não havia aprendido amar. O sentimento de medo havia sido maior no momento. Ele não conseguia aceitar o fato de amá-la tanto. Cecília apenas riu e o beijou. Diante daquilo tudo que estava acontecendo ela lembrou de perguntar pela pianista. Ele disse que havia terminado com ela por não amá-la. Agora tudo parecia estar resolvido. O casal estava mais feliz do que nunca. Faziam planos, aqueles tipos de planos que os adolescentes fazem.
Num fim de tarde em que Cecília esperava por Joshua em sua casa ele simplesmente não apareceu. Ela, preocupada o ligou e ele disse que no dia seguinte iria encontrá-la e explicaria o motivo de não ter aparecido.
No dia seguinte, Joshua encontrou Cecília na praia e muito nervoso deu-lhe uma notícia muito ruim: A pianista estava grávida de Joshua. Cecília não sabia o que fazer. Ela, uma menina cheia de sonhos e ainda virgem perguntava-se o que mais poderia acontecer. Joshua explicou-lhe toda a história . A pianista havia engravidado enquanto ainda era namorada de Joshua e simplesmente isso aconteceu pelo fato dela ter dito que não poderia engravidar. Joshua um menino de quase vinte anos não sabia o que fazer e Cecília era o único apoio que tinha. Cecília mesmo abalada com toda a história continuou com Joshua por muito tempo. A filha de Joshua nasceu e logo depois a pianista começou a proibi-lo de ver a filha enquanto ele estivesse com Cecília. A pianista queria estragar o relacionamento deles de qualquer forma.
O tempo foi passando e o relacionamento manteve-se forte por alguns meses. Tudo estava indo muito bem, até que...


( Infelizmente não consegui terminar a história hoje. Vejo vocês na sema que vem )
Eveline | 23:43 | Deixe seu comentário |
Terça-feira, Agosto 26, 2003
Solilóquio - uno

(12:23:15) Visceral entra na sala...
(12:24:24) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Tenho desejos, confesso.
(12:25:36) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Não sei como realizá-los, admito.
(12:28:28) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sinto-me só...
(12:30:09) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Realizáveis?
(12:30:57) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Almas...
(12:31:12) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Corpos corroídos pelo tempo.
(12:31:32) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Confesso não ser santo.
(12:31:49) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sou testemunha do meu sexo.
(12:32:00) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sedento.
(12:32:18) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Querendo crer que exista outro sexo.
(12:32:36) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Compartilhar talvez seja a palavra.
(12:33:08) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Desistir é o remédio amargo.
(12:33:31) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Como o ser que parte na estação.
(12:33:42) Visceral fala para (reservadamente) Todos: A fumaça.
(12:33:50) Visceral fala para (reservadamente) Todos: O som do apito.
(12:34:03) Visceral fala para (reservadamente) Ricardo: Vc duvida?
(12:35:07) Visceral fala para (reservadamente) Todos: É ensurdecedor.
(12:35:19) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Ouço vozes.
(12:35:27) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Pessoas.
(12:35:36) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Buscam o vagão do trem.
(12:35:49) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Não há vagas.
(12:36:09) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Desisto do sonho.
(12:36:19) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Não há cama.
(12:36:32) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Acordo.
(12:36:42) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Percebo não estar só.
(12:36:56) Visceral fala para (reservadamente) Todos: São múltiplos de mim nos outros.
(12:37:13) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Reajo.
(12:37:34) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sinto como o... super-homem!
(12:37:45) Visceral fala para (reservadamente) Todos: E vôo.
(12:37:57) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Alto... por demais alto...
(12:38:07) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Não há fragilidade no sentir.
(12:38:23) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Bate em mim a fina flor da nuvem branca.
(12:38:43) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Percebo o céu plúmbeo naufragando no hiato da dor.
(12:39:30) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Nem meu céu é de verdade.
(12:39:37) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sou uma farsa.
(12:39:45) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Mentira eu sou.
(12:40:01) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Rejeito humano!
(12:40:13) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Fezes.
(12:40:23) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Pus.
(12:40:39) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Excremento.
(12:40:46) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Catarro.
(12:40:54) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Linfa.
(12:41:12) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Ah, senhor, dê-me a sutileza do rinoceronte.
(12:41:38) Visceral fala para (reservadamente) rafaell: Sinceramente, não sei ao certo.
(12:41:52) Visceral fala para (reservadamente) rafaell: Por que perguntas?
(12:42:27) Visceral fala para (reservadamente) rafaell: É para seduzir.
(12:43:19) Visceral fala para (reservadamente) rafaell: Não sei ao certo. Creio que alguém tecla comigo...
(12:45:20) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Meu chão suja em mim.
(12:45:49) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Sinto-me um caco.
(12:46:08) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Mania de me sentir inferior.
(12:46:35) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Preciso ler mais colunas sociais...
(12:47:00) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Preciso soletrar palavras.
(12:47:19) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Preciso ser. E ponto.
(12:47:42) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Prazer, eu sou alguém.
(12:48:21) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Tenho cabeça, pernas, braços, bunda e pau.
(12:48:49) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Vitória, eu sou alguém!!!
(12:49:15) Visceral fala para (reservadamente) Todos: E bebo vinho barato.
(12:49:32) Visceral fala para (reservadamente) Todos: E sinto o cheiro da morte.
(12:49:56) Visceral fala para (reservadamente) Todos: E vislumbro o coelho saindo da toca.
(12:50:12) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Acorda, Alice!
(12:50:39) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Alice, Alice. Por que me abandonaste?
(12:51:11) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Preciso flexionar os joelhos.
(12:51:30) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Preciso aceitar minha sina.
(12:51:47) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Tecer um rosário.
(12:51:58) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Tomar vacina.
(12:52:29) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Mesmo assim, sinto-me só.
(12:52:50) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Eu só, sozinho...
(12:53:16) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Judas morreu acompanhado, pois não?
(12:53:32) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Já eu, vivo só.
(12:53:57) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Passo as folhas das horas.
(12:54:23) Visceral fala para (reservadamente) Todos: Os ponteiros não indicam uma saída sequer.
Marconcine | 22:35 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Agosto 25, 2003
Etapas da evolução psicossexual

Freud propôs uma divisão do desenvolvimento infantil em etapas, as quais denominou de estágios, cada uma apresentando características próprias em relação à fonte, objeto e finalidade pulsional (Freud, 1905).

Estágio fálico

O estágio fálico corresponde ao período dos quatro aos cinco anos de idade (Rosa, 1995). Esta fase, segundo Freud, caracteriza-se pelo deslocamento da libido para a zona erógena genital (Freud, 1905). É neste período que a criança começa a manipular suas genitálias, sentindo prazer na prática do ato, sendo, portanto, o início da chamada masturbação infantil. Também é nesta fase que a criança descobre a diferença sexual entre os indivíduos de sexos opostos, assim como começa a manifestar curiosidade em relação às origens dos bebês (Freud, 1908, p.213).
Durante este período do desenvolvimento, as crianças começam a procurar uma identificação sexual com um dos pais. No caso do menino, haveria uma identificação sexual com o pai, pois ambos possuem um pênis. Já as meninas se identificariam sexualmente com a mãe, que por sua vez, possui uma vagina e o clitóris. A descoberta da sensação de prazer nessas regiões contribuiria para o desenvolvimento sexual considerado padrão pela sociedade, isto é, promoveria o que Freud denomina de organização genital infantil (Tyson & Tyson, 1993). O chamado complexo de castração surgiria, de acordo com Freud, neste contexto, e se caracterizaria pela angústia associada à perda do pênis, diante da ameaça paterna de castração. A criança do sexo masculino investiria seus desejos sexuais ¿ no sentido mais amplo do termo ¿ na figura da mãe. Diante deste desejo incestuoso, o menino se confrontaria com uma angústia por não poder dar conta do desejo da mãe e por se sentir ameaçado pelo pai, caracterizando o que Freud denominou de Complexo de Édipo. Na menina, ocorreria o inverso, pois esta manifestaria um desejo incestuoso em relação à figura do pai, escolhido como objeto sexual, e rivalizaria com a mãe na disputa pelas atenções da figura paterna (Kusnetzoff, 1982).
Carlos Lyra | 13:38 | Deixe seu comentário |
Domingo, Agosto 24, 2003
Epistologia n. 01


foi muito longe dos cataguases
em montes de eucaliptos e vagens
que despi meu casulo
(agoro sofro de um apetite de angú com cajú).
mexido com penas de ganso, a última dança das focas)

Está na mente, meu amor, a imagem azeda da discórdia, o evangelho monossílabo de Adão, quando comeu Eva, inocentemente com seu afã de deus. Tudo impróprio, mas desejado como nossas mãos e nossa sede, porque não só de pão vive o cidadão precisa de café com torradas, caviar e framboesas no outono sob o arrebol, quando se dá vontade de amar. Está nas partes, meu amor, o nú daquele índio. Nas tetas macias da moça correndo atrás de um tamanduá quando Pero Vaz escreveu aquela cartinha ridícula. Nos peitos febris do povo aqui encontrado, outrora: os habitantes que cozinhavam seus desjejuns no fogo acesso da liberdade. Você não sabe, mas tá na rota, no caminho navegado a procura da moedinha de Tio Patinhas. No desafio dos mares quando por aqui chegou um fulano esnobe chamado Cabral... Está em muitas fugas, meu amor, nossa procura boba de anjos, em lugares nunca dantes navegado, nem por Aleghier, nem por Jesus. Está em muitas lacunas e fornalhas essa procura desesperada, essa caça ao tesouro dos emboabas pra alimentar de ilusões e sonhos o que não se mistura com as estrelas de uma noite enorme e arretada. Em todos os lugares, nos discos e vespas, nas coxas, nas têmporas a via para o onírico e para as fantasias de Alice, pobre menina tola! Fico pensando se encontrarei no labirinto a sílaba do amor prosaico, vistoso, amoroso, ensopado de delícias e beijos. Se encontrares primeiro, me procure a salva, pois no labirinto coxo da vida, canta pintassilgos e rouxinóis, mesmo com as baladeiras apontadas para a testa da espécie. Eu te procurarei também com uma varinha de condão, e quem sabe neste destino caótico de víboras possamos testemunhar um show lilás com óperas e groselhas, para tomarmos enfim um suco de amor próspero. Quem sabe possamos saber mais do que as fadas loucas e por infortúnio da sina descobrir aquela brisa morna do castelo de Rapunzel.

Fanka
Fanka | 00:46 | Deixe seu comentário |
Sábado, Agosto 23, 2003
Oi, meio que com o rabo entre as pernas... (por favor, amigos, não maldem...) cá estou eu novamente. Com saudades, confesso: achei que não fosse sentir saudades, uma vez que nunca fui daqueles de manter diário na net e tal, mas senti... Ótimo, sensações inesperadas sempre foram as minhas favoritas, então benvindos todos nós ao mondo, nostro mondo.

hmmp, eu e minhas digressões eternas... como todo marido safado que se preze, cá estou eu e minhas desculpas esfarrapadas; fugindo do tema, como sempre (quem acompanha meus textos medíocres já está acostumado). Mas, vamos fazer de conta que este é o último capítulo da nossa novela, onde todas as verdades se revelam. Ei-las, nuas e tesudas, pois: passei as três últimas semanas sem computador, envolvido que estive numa operação escusa de compra e venda de hardware, ainda não concluída. Aqui estou graças à generosidade (e mini-pizzas maravilhosas!) de Jean e Andréa (obrigado, meus queridos!!!). Agora que consegui voltar, vamos aos nossos interesses primários.

Há duas semanas atrás (acho), pedi à sempre prestimosa chefe Eveline (todas as mentiras são válidas pra não se perder o trampo... [ops, não leia isso, Eveline!]) para que postasse duas letras: Inútil, do Ultraje a Rigor (foda esse nome!), e Televisão, dos Titâs do Iê-iê-iê (pra quem não sabe, esse era o nome original deles), para que eu as comentasse na semana seguinte, que seguindo a cronologia dos romances contemporâneos (ou seja, a porralouquice total), é hoje, rigorosamente. E que ninguém venha discutir a precisão dos dados comigo; que liguem para o 103 da Telemerda (emrpesa que mudou de nome depois da fusão com o PFL).

Bem, gosto demais destas letras, não apenas porque me lembram o supra-sumo de minha puberdade (nessa época, Dona Jura ainda era Solange Couto, vai vendo...), mas porque contrariam toda uma lógica de mercado de que a Geração 80 era composta de um bando de alienados movidos a Martini (há controvérsias quanto à bebida oficial - estamos fazendo uma enquete aqui sobre o tema - mas é consenso de que era destilada e de que a ressaca foi escrota) e pó. Importante é pensar que depois de tanta dor e revolta das décadas anteriores, quando foram submetidas ao jugo dos militares, esta ainda tivessem a coragem de lutar. Pelas diretas, pela democracia, pelo fim da censura. E ver que tudo aquilo resultou em manipulação, degradação, depredação dos valores primários - ou seja, tudo o que hoje conhecemos por GLOBALIZAÇÃO.

... ainda que reconhecendo suas "limitações" - como legítimos aríetes de sua era, eles assumiram o discurso vigente para expressar toda a frustação e sentimento de impunidade perante a conjuntura do país naquela década. Desta maneira, "a gente somos inútil", deixa de ser meramente erro de concordância e licença poética e passa a se configurar no retrato de uma juventude que se sente atada, mas não silenciada, perante o quadro que se revela diante de si - muito embora diga, em reconhecimento e reverência a tudo e todos: "a televisão me deixou burro, muito burro demais/ Agora vivo dentro desta jaula, junto com os animais.). Bem, mordemo-nos, pois.

T+

P.S.: " Bom estar com vocês, brincar com vocês..."
Rony | 22:34 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Agosto 22, 2003
O medo está presente em todo lugar. Em casa, na rua, no trabalho. Vivemos com ele o tempo todo. Temos muito o que temer, e não gostamos da sensação. Mas nem sempre.

Adoramos sentir medo no cinema. Gostamos do suspense, do frio na barriga.

Os antigos filmes de terror e suspense não lotavam as salas de cinema e muitos estão entre os melhores filmes já realizados. Psicose é um bom exemplo. E Alfred Hitchcock ainda é o maior diretor diretor de trillers da história do cinema. Suas obras, Os Pássaros, Intriga Internacional, Janela Indiscreta e Um Corpo de Cai são só alguns entre outras que estão muito bem colocadas na lista do American Film Institute (AFI) dos melhores suspenses de todos os tempos, incluindo Psicose, que conquistou o primeiro lugar.

Não podemos esquecer também os suspenses de grandes diretores, como Tubarão, de Steven Spielberg e O Iluminado, de Stanley Kubrick. E também de filmes que nos fizarem pular da cadeira como O Exorcista, Alien, Cabo do Medo, Poltergeist e muitos outros filmes que nos fizeram temer em dormir com a luz apagada.

Pânico, Lenda Urbana, Premonição e cia. são só um terror mais moderno dos antigos filmes de Drácula, Sexta-feira 13 e A Hora do Pesadelo. E um novo Exorcista vem aí.

Um novo cieasta está sendo considerado um segundo Hitchcock. Até agora com filmes de suspense bem recebidos pela crítica, o novato indiano M. Night Shyamalan já fez O Sexto Sentido, Corpo Fechado e Sinais. Filmes que dão um frio na espinha.

Vida longa à Shyamalan e que ele possa fazer mais filmes (e vida longa para mim para que eu possa vê-los).
Carlos Eduardo | 21:21 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Agosto 21, 2003

Sobre Sofia


Chegará um dia em que a filosofia descerá do salto alto pra calçar chinelas de arrastar?

Fosse pra esquina dar o rabo, a filosofia. Parasse com isso de permanecer sempre tão penteada, tão munida de trajes galantes nas noites mal dormidas dos pretensiosos.

Parecendo uma mulher insegura, Sofia. Ganha a vida garimpando termos técnicos nos dicionários. Entendida de retórica que é, conquista por entre palavras bem ditas os dispostos em admiração.

Sussurra seu universo onírico em cada par de folhas. Instaura verdades. Cria a imaginação. Imagina e cria. Pensativa que nem as damas de preto sabem.

Pra cair em contradição profunda. Depressiva, não sabe quem era aquilo no sonho. Deus? Não sabe se reza, se sonha, se ainda dorme. Na dúvida consulta a razão. Teoriza. Disseca. Formula. Faz dela história. Detém (um)a história pra si.

Complicada e perfeitinha que é, tem os Kants da vida. Pouco mostrando os dentes, mas querendo falar da vida.

Mimada, diria sua filha rebelde, apressada, a ciência. Que olha no relógio e diz mãe, acorda desses sonhos. Ora, pois que deu certo: matemática, física, medicina, orgulhos da mamãe.

Passeia pelos jardins pra se perder nas academias, levada pelos braços dos boçais. Nas grades da formalidade, assim preferem-na.

Omitem a verdade, esses frustrados: é medo de perdê-la. Lá no fundo sabem, pra onde realmente tende a ir (a filosofia).

Quando irão admitir que Sofia gosta mesmo é de criança? Sim, é pedófila. Amante dos loucos também. Aos bêbados pertence Sofia, parceiros de verdade.

Bárbara RoMa | 08:45 | Deixe seu comentário |
Quarta-feira, Agosto 20, 2003
Por estarem distraídos ( Parte III )

Depois de saber do término no namoro de Joshua, Cecília se sentiu estranha mas mesmo o assim os sentimentos pelo seu namorado atual não havia mudado.
Cecília e Joshua continuavam amigos e cada vez mais entrosados. Joshua não estava infeliz pelo término de seu namoro e foi aí então que ele começou aprestar mais atenção em Cecília. O problema era saber se era tarde para tentar colocá-la em sua vida.
Meses passaram e todos amigos de Cecília haviam passado no vestibular. O namoro de Cecília havia acabado e agora havia iniciado o namoro com Joshua.Tudo aconteceu de maneira muito rápida. Finalmente eles tinham achado a sua hora. Para Cecília tudo parecia algo fora de sua realidade. Tudo era uma mistura de sonho e realização.
O relacionamento pós- adolescente dos dois era intenso e ao mesmo tempo calmo. Isso pelo simples fato de estarem juntos.
O tempo ia passando e tudo parecia estar bem até que Joshua subitamente terminou o namoro com Cecília sem maiores explicações. Cecília sofreu muito. Ela muitas vezes parecia fazer com que o mundo caísse sobre suas costas. Cecília sofria e amava com intensidade. Dor e amor eram constantes em sua realidade. Nesse período ela se isolou bastante. Passava horas em seu quarto em silêncio e fazia da dor sua aliada.
Joshua levava seus dias distantes de Cecília. Ele simplesmente não a queria perto. Era algo estranho, algo que ele não quis entender. Ele estava simplesmente a sofrer. Ele apenas sentia sem muitas vezes saber o quê.
O sofrer escolhido fez com que ele se sentisse só em meio a seus sentimentos e a ele próprio. Joshua já não sabia o que sentir nem passar. Foi aí então que a ¿música¿ que um dia esteve presente em sua vida retornou. Joshua voltou a namorar a pianista.
O tempo ia passando e Cecília cada vez mais tentava entender certos sentimentos. Cecília apenas queria entender porque o Amor era algo que doía tanto. Cecília muitas vezes sentiu raiva e maldisse o amor. Por que duas pessoas que se amavam não podiam ficar juntas? Ela questionava a possibilidade de ter amado demais.Existiria então uma medida de amar? Cecília não tinha respostas.

( Para quem não agüenta mais... continua e termina na próxima semana)


Eveline | 23:45 | Deixe seu comentário |
Terça-feira, Agosto 19, 2003
IMPROVISAR

[De improviso + -ar2.]
V. t. d.
1. Fazer, arranjar, inventar ou preparar às pressas, de repente.
2. Falar, escrever, compor, sem preparação, de improviso.
3. Citar falsa mente; falsear (aquilo que não existe).
V. int.
4. Discursar ou versejar de improviso.
5. Mentir levemente.
V. p.
6. Adotar dolosamente, ou por necessidade de eventual, uma profissão, uma qualidade; arvorar-se em.

Improvisar é lançar a matéria no espaço e no tempo. Neste caso, é imprescindível aprisionar a matéria à narrativa. Atores de teatro não são atores de televisão. Linguagens diferentes, eu sei. Porém, para ilustrar, vou me reportar às personagens que foram lançadas no tempo e no espaço: Odete Roitman, Maria de Fátima. Um outro significativo exemplo são os objetos de pessoas famosas, que deixam de ter o valor de utilitário para obterem valores astronômicos, acima do que definitivamente valem (três vês???). Então, não é do teatro, do drama, essa exclusividade.

Precisamos levar em consideração, inclusive, o tempo diegético e o espaço do drama. Cito Appia: É a oposição do corpo que anima as formas do espaço. O espaço vivo é a vitória das formas corporais sobre as formas inanimadas. A reciprocidade é perfeita.

A improvisação em Stanislavski e Grotoswki somente é possível se for levada em consideração como treino no trabalho dos atores. Já com Boal, em seu teatro invisível, deixa de ser preparação para ser apresentação. Neles, a diferença do enfoque dado à improvisação reflete, drasticamente, na encenação, na utilização do espaço, do tempo dramático e principalmente, da visão das funções do teatro ¿ o para que serve.

Na improvisação de Boal os espectadores deixam de sê-los, para dar vazão às libertações possíveis das opressões impostas pela sociedade. Em Stanislavski e Grotoswki a improvisação reflete a necessidade da composição das personagens (podemos recuperar o parágrafo inicial: personagens ficam; atores, não), para, ocupando o espaço em um tempo determinado, fortalecer o drama e possibilitar a fruição dos espectadores (espectadores mesmo!, de forma vicária, segundo Boal), e quiçá a sua catarse.

Emissão de valor, no caso, torna-se impossível, pois que as escolas são tão diferentes, os universos tão distintos... e eu tão múltiplo...
Marconcine | 21:54 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Agosto 18, 2003
Etapas da evolução psicossexual

Freud propôs uma divisão do desenvolvimento infantil em etapas, as quais denominou de estágios, cada uma apresentando características próprias em relação à fonte, objeto e finalidade pulsional (Freud, 1905).

Estágio Anal
O estágio anal compreende do início do segundo até o terceiro ano de vida (Rosa, 1995). Nesta fase, a criança deslocará sua libido para a zona erógena anal como fonte de prazer ligado à retenção e expulsão das fezes (Freud, 1905). A criança aprende a controlar o esfíncter anal e passa a valorizar suas próprias fezes à medida que os pais a estimulam, por exemplo, a usar o banheiro. A criança aprende a manipular os objetos que a cercam e a estabelecer relações de posse e domínio desses objetos, em analogia ao sentimento que experimentam no controle de suas fezes. A necessidade de aprovação dos pais ou de outros adultos é uma característica marcante nesta fase (Rosa, 1995). O impulso sádico se faz presente neste estágio através do comportamento agressivo e hostil, que contribuiria, muitas vezes, para o estabelecimento de uma relação ambivalente com os objetos importantes para a criança (Tyson & Tyson, 1993). A variedade de objetos com os quais a criança mantém contato, neste estágio, contribuem para o desenvolvimento de seu ego, tornando-o mais estruturado e aumentando a complexidade das relações pulsionais. É também nesta fase que a criança começa a ter uma noção de moralidade e passa a introjetar valores éticos que são absorvidos da sociedade, formando, desta forma, o que Freud denominou de superego (Rosa, 1995).

Carlos Lyra | 00:06 | Deixe seu comentário |
Domingo, Agosto 17, 2003
O Infinito gasoso fez sombra

O infinito gasoso fez sombra. Em 2003, o mundo todo corre, desesperadamente. Ninguém entende porque os olhos da primavera já não abrem, é tudo rodeado de uma incrementada dor...os trabalhadores em greve, sonham com as papoulas, enquanto o governo títere corta os pentelhos de sua barba. A vida, coitada, despe-se, prostituída pela reforma de uma previdência, tributária, imperialista...o colonizador goza com suas tetas cheias. O colonizador come o cu da Amazônia. O colonizador come o cu do PT e o pt come o cu dos trabalhadores, enquanto o infinito gasoso faz sombra no design. O design é um menino com aids, uma criança com câncer, um velhinho morto de fome...o design é a estética da misericórdia: fome % sob meus olhos que pifam de estrangulados... Quando me pus a contar as estrelas naquela noite, não poderia imaginar que as nebulosas me engolissem. Agora estou no estômago do silêncio, roendo minhas unhas desgastadas e que jamais serão pintadas com os produtos Avon. Naquela noite o cometa Halley teve um orgasmo em minhas pernas. A vida atravessou o período histórico e fez um desenho imbecil chamado ¿ordem e progresso¿. O corcunda de notre dame foi quem fotografou a imagem, mas foi Tio Sam quem se deu bem. Hoje, quando o infinito gasoso faz sombra na Medina, as mulheres encapuzadas fazem dormirem seus gemidos, em dúzias de rezas e couraças, mas mesmo assim, elas gemem, de tesão... eu fiquei, para não me amedrontar com os sofrimentos do mundo torto, completamente extasiada, diria até, paralisada, e a dor, meu caro, ser menor naquele paraíso fiscal. Estou tentando ser mais cautelosa com as possibilidades que meus poucos anos informam, tentando, porque talvez, eu possa decidir, na utopia das veias, lutar pelas borboletas do infinito gasoso...
Fanka | 20:12 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Agosto 15, 2003
Tudo começou com um facho de luz no escuro. Com um filme em movimento, a imagem na película era exibida uma após a outra, dando impressão de movimento. Neste dia, em 28 de novembro de 1895, os irmãos Lumière projetam a primeira imagem em movimento.

No início eram pequenos rolos de filmes, rodados manualmente com uma manivela. O resultado final sempre saia com movimentos na velocidade maior ou menor que o normal. O primeiro filme, que mostrava um trem chegando a estação, foi um entre outros filmes que mostravam ocasiões do cotidiano. Mas não demorou muito para que o cinema mostrar imagens antes só imaginadas em sonhos. Muito antes mesmo de o cinema ganhar cor ou som, os primeiros filmes de fantasia já eram realizados. Uma viagem a Lua ou uma luta entre monstros já fazia parte da imaginação de cineastas de dois séculos atrás.

Graças a esses sonhadores - antecessores e atuais -, fomos capazes de imaginar um mundo de magia e fantasia, mundos antes nunca imaginados que gostaríamos de fazer parte - ou não. Fomos capazes de ver monstros submarinos, lendas e fábulas ganharam vida, testes nucleares gerarem aberrações, animais extintos entre nós, grandiosos fenômenos da natureza, seres de outros planetas, guerras espaciais, viajem no tempo, máquinas lutando contra humanos pela dominação da Terra.

Vimos Alice no País das Maravilhas, O Mágico de Oz, King Kong, Star Wars, Jornada nas Estrelas, E.T. - O Extraterrestre, Tron, Jurrasic Park, AI - Inteligência Artificial, Matrix, O Senhor dos Anéis, Contatos Imediatos do 3º Grau, Superman, Fantasia, A Fantástica Fábrica de Chocolates, Godzilla, De Volta para o Futuro, História sem Fim, A Lenda e muitos outros filmes que foram capazes de encantar nossos olhos ou nos fazer temer o futuro.

Disney, Fellini e Spielberg são os maiores sonhadores. Graças ao talento de trazer para a película o que passa nas suas mentes, eles são os mestres da fantasia, capazes de dar uma nova visão otimista do mundo, sempre com competência, seriedade e antes de tudo, sem medo de sonhar.

Seus sucessores possuem um grande legado, e esperamos que cuidem bem dele, sempre criando mais sonhos, mundos de fantasia e magia, sem medo de sonhar.
Carlos Eduardo | 07:57 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Agosto 14, 2003


Não é engraçado que esta sua existenciazinha especial de merda dependa de que eu não segure por quatro minutos sua respiração?


O mundo inteiro faz cócegas pra eu me esquecer de rir.

Um ser acha a felicidade provocando o holocausto, tendo raivinha dos seres que não de sua cor. Costurando uma grávida em trabalho de parto pra ver no que dá (por certo pra ver se o bebê voltava pra forma primordial, pro pensamento) Se prum ariano isso é pertinente, pra ¿Jack o estripador¿ é certamente ::massa oh, yeah::
Se pra mim é uma coisa que até dá trabalho pra caber no pensamento, pra Hitler foi possível.

Tudo dependendo do olhar que se é lançado, despejam-se razões como rajadas de vácuo.

A Vera Loyola - minha mocinha - é quem é a sabida da história? Leornardo Boff passa a vida procurando a felicidade e ela tem roupas legais e cachorros fofinhos e casados. Heidegger perde seu tempo se esgoelando sobre o Ser em toda sua complexidade e ela tem mais o que fazer, entre o sorriso de uma coluna social e outra.

Bertrand Russell perdeu-se entre números e números, debateu-se em teorias, contribuiu pra ciência, pra matemática. Achou-se na afirmação de que só a paz mundial seria o caminho. A paz, que é irmã da felicidade. A felicidade, que sob um ponto de vista, tá confinada no suor compassado desses É O TCHAN. Se isto for pensado como felicidade instantânea, uma seqüência delas dá uma vida. O preenchimento, a satisfação necessária.

Se isto é suficientemente capaz de suprir uma vida, cabe ao dono de cada vida.

Particularmente não disponho de paciência pra arriscar opinião nenhuma. Ponto pro meu ceticismo, que contorna enquanto sou-me uma platéia agradecida pela enxurrada de adrenalina que tem acesso (o sentir, o viver, que os estóicos, esses loucos, esses jegues (ôpa, ôpa)* cegamente insistem em evitar, negando a única válvula de vida que dispõem. Mas isso é outra história)


* ok. Na minha opinião, os estóicos são uns otários porque escolhem a privação como meta. Mas prefiro abster-me de julgamentos e adotar a natureza relativa das várias formas de se ver o mesmo quadro.

Bárbara RoMa | 00:31 | Deixe seu comentário |
Quarta-feira, Agosto 13, 2003
Por estarem distraídos ( Parte II )


Os meses passaram e Cecília continuou levando sua vidinha pacata e sem graça. O namoro com Jonas já não tinha tanta graça assim. Ele a telefonava de Natal todos os dias. Cicília adorava ouvir todas aquelas promessas de amor que ele fazia para ela.
As reuniões em baixo da árvore continuavam acontecendo e inevitavelmente Cecília acabou se apaixonando por Joshua. Era um problema, pois ele já havia se tornado um de seus melhores amigos e além de tudo ele era comprometido.
Cecília, não podia mas continuar namoro. Seu coração, seu ser, seu pensar já pertenciam a Joshua.
Depois de ter acabado o seu namoro, Cecília vivia em sua introspecção costumeira. O silêncio era o seu melhor amigo e as noites suas aliadas.
Os meses iam correndo e Cecília era a mesma. Em toda a sua vida não havia passado tanto tempo em constância sentimental. Joshua ainda com a pianista. Cecília ainda apaixonada e André começava a descobrir o lado sexual da vida. Cecília parecia ser o confessionário de André e Joshua. Ela adorava ouvi-los mas nunca tinha nada para contar.
Cecília estava cansada daquele sentimento que tomava conta dela. Era incrível como alguém poderia gostar daquela forma. Aquele gostar tanto fez com que ela desistisse temporariamente de Joshua. Cecília então começou a namorar uma garoto do bairro que estudava com ela. Ele era um garoto legal e uma boa companhia.
Meses tomaram conta do tempo e Cecília começou a gostar do seu namorado. Joshua já não era um problema para seu coração. Pelo menos ela achava que não.
Tudo estava indo bem até que, numa noite, André liga para Cecília diz que Joshua havia terminado o namoro com a pianista.


( Continua na próxima sema e eu não sei quando termina não.)
Eveline | 10:37 | Deixe seu comentário |
Terça-feira, Agosto 12, 2003
O JATO DE SANGUE, de Antonin Artaud
(Tradução de Luís A Correa. Revistas Cadernos de Teatro)

O Mocinho - Eu te amo e tudo é belo.
A Mocinha - (Com um trêmulo intensificando na voz) Tu me amas e tudo é belo.
O Mocinho - (Num tom um pouco mais baixo) Eu te amo e tudo é belo.
O Mocinho - (Bruscamente, abandona a mocinha) Eu te amo. (Silêncio) Fica na minha frente.
A Mocinha - (Mesmo jogo, Ela se coloca à sua frente). Está bem.
O Mocinho - (Num tom exaltado, super agudo). Eu te amo, eu sou grande, eu sou claro, eu sou pleno, eu sou denso.
A Mocinha - (Num tom super agudo). Nós nos amamos.
O Mocinho - Nós somos intensos. Oh, como o mundo está bem estabelecido! (Silêncio, se ouve como o barulho de uma imensa roda que gira e desempenha o vento. Um furacão os separa. Neste momento se vêem dois astros que se entrechocam e cai uma série de pernas em carne viva com pés, mãos, cabelos, perucas, máscaras, colunas, pórticos, templos, alambiques. O desmoronamento é feito aos poucos, lentamente, como se tudo caísse no vazio. Caem ¿ ainda três escorpiões, um atrás do outro, depois uma rã e um escaravelho com uma lentidão desesperadora, nojenta).
O Mocinho - (Gritando com todas suas forças). O céu ficou louco! (Olha o céu). Vamos sair correndo! (O mocinho empurra a mocinha de sua frente. Entra um cavaleiro da idade média com uma armadura enorme seguido por uma ama que segura os seios com as duas mãos e respira graças a seus seios muito inflamados).
O Cavaleiro - Larga tuas mamas! Me dá meus papéis!
A Ama - (Gritando). Ah! Ah! Ah!
O Cavaleiro - Merda! Que que há?
A Ama - A nossa filha! Lá! Com ele!
O Cavaleiro - Psiu! Não tem menina nenhuma!
A Ama - Eu estou te dizendo que eles estão se beijando!
O Cavaleiro - Porra! Que merda eu tenho a ver se eles estão se beijando?
A Ama - Incesto!
O Cavaleiro - Matrona!
A Ama - (Afundando as mãos nos bolsos que são tão inflados quanto os seios). Cafetão! (Joga-lhe rapidamente seus papéis).
O Cavaleiro - Vaca, me deixa comer. (A ama foge. Ele levanta e dentro de cada papel tira um enorme pedaço de queijo. Tosse e engasga). Ei! Ei! Mostra os peitos. Mostra teus peitos! Onde ela foi? (Sai correndo, o mocinho volta).
O Mocinho - Eu vi, eu fui, eu compreendi. Aqui na praça pública: o padre, o sapateiro, os vendedores, os vendedores de quatro estações, a porta da igreja, a lanterna do bordel, as balanças da justiça! Eu não posso mais! (Um padre, um sapateiro, um bedel, uma puta, uma juíza, uma vendedora de quatro estações chegam em cena como sombras).
O Mocinho - Eu me perdi dela! Devolvam!
Todos - (Num tom indiferente). Qui, qui, qui.
O Mocinho - Mas ela é minha mulher!
O bedel - (Muito Barrigudo). Sua mulher... Farsante!
O Mocinho - Farsante! Farsante é a tua!
O Bedel - (Batendo na testa). É, pode ser. (Sai correndo). (O padre se destaca do grupo e passa o braço em volta do pescoço do mocinho).
O Padre - (Como num confessionário). A que parte de seu corpo você faz, freqüentemente, mais alusão?
O Mocinho - Deus.
O Padre - (Desconcertado pela resposta, toma rapidamente o sotaque suíço). Mas isso não se faz mais! Eu não ouvi nada da sua boca. Como penitência você tem que invocar aos vulcões, aos terremotos. Nós vivemos das pequenas sujeiras dos homens nos confessionários. E agora é tudo, é a vida.
O Mocinho - (Muito agitado). Ah, sei, é a vida! Então preciso sair correndo.
O Padre - (Sempre com sotaque suíço). Amém. (Neste instante, num só golpe, se faz noite em cena. A terra treme. O trovão ruge, com relâmpagos que fazem zig-zag em todos os sentidos e nos zig-zags dos relâmpagos se vêem todos os personagens que começam a correr: abraçam-se uns aos outros, caem na terra, se levantam e correm como loucos. Neste momento uma mão enorme arranca a peruca da puta que se incendeia às vistas do público). Uma voz gigantesca ¿ Cadela. Olhai vosso corpo! (O corpo da puta aparece absolutamente nu e horroroso com um corpete e uma saia que se transformam como em vidro transparente).
A Puta - Deus! Me deixa! (A puta morde os punhos de Deus. Um imenso jato de sangue rasga a cena e se vê através dos relâmpagos maiores que os outros o padre fazendo o sinal da cruz. Quando a luz se refaz, todos os personagens estão mortos e seus cadáveres jazem por todas as partes, no chão. Só restam a puta e o mocinho que se comem em olhares. A puta cai nos braços do mocinho).
A Puta - (Num suspiro e como ao extremo ponto de um espasmo amoroso). Conta pra mim como foi pra você. (O mocinho esconde a cabeça com as mãos. A ama volta trazendo a mocinha nos braços como um pacote. A mocinha está morta. A ama deixa a mocinha cair na terra onde ela se quebra e se torna pálida como uma bolacha. A ama não tem mais seios. Seus seios estão completamente achatados. Neste momento aparece o cavaleiro que se atira sobre ela e a sacode violentamente).
O Cavaleiro - (Com uma voz terrível). Onde você escondeu? Onde você escondeu? Me dá o meu queijo! Onde está?
A Ama - (Alegremente). Aqui. (Levanta as saias. O mocinho quer correr, mas não consegue: ele se congela como uma marionete, petrificado).
O Mocinho - (Como suspenso no ar, com voz de ventríloquo). Não faça mal a mamãe.
O Cavaleiro - Maldita. (Cobre o rosto de horror: uma multidão de escorpiões cai da saia da ama e começa a pular em seu seio que pega fogo e se racha, tornando-se vidrado e brilhante como um sol. O mocinho e a puta fogem como dois trepanados).
A Mocinha - (Levantando, maravilhada). A virgem! Então era isso o que ele queria.

PANO
Marconcine | 17:24 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Agosto 11, 2003
Etapas da evolução psicossexual

Freud propôs uma divisão do desenvolvimento infantil em etapas, as quais denominou de estágios, cada uma apresentando características próprias em relação à fonte, objeto e finalidade pulsional (Freud, 1905).


Estágio Oral

O estágio oral corresponde, geralmente, ao primeiro ano de vida (Rosa, 1995). Neste período, o bebê necessita de cuidados especiais da mãe, principalmente em relação à amamentação, pois a sobrevivência da criança depende praticamente do leite materno. Este vínculo estreito com a mãe promove uma série de vivências experimentadas pelo bebê. O ato da sucção do leite no peito é tão importante para saciar a fome do lactente quanto para o desenvolvimento afetivo da criança (Kusnetzoff, 1982). O seio materno seria, portanto, o primeiro objeto de prazer, o qual estimularia a zona erógena bucal, deslocando a libido, segundo Freud, para esta região (Freud, 1905). Este prazer experimentado na sucção do seio, bem como o calor trocado entre mãe e filho, fariam parte da finalidade pulsional do indivíduo neste estágio, ou seja, haveria uma descarga momentânea da angústia originária, proporcionando uma sensação de gozo no sujeito. Além da sucção, posteriormente, com o aparecimento dos dentes, o bebê passa a experimentar um impulso sádico, desejando morder os objetos que ele relaciona com o prazer oral (Kusnetzoff, 1982). É comum, portanto, que haja uma fixação oral neste período, no qual a criança tende a colocar na boca qualquer objeto ao seu alcance.
A relação com a mãe é de extrema importância para o desenvolvimento do sujeito neste período, pois a criança, através do desejo da mãe, começa a ter noção da realidade que o cerca e passa a interagir com o mundo material, o que se tornará de importância fundamental para a formação de seu ego.
Carlos Lyra | 00:04 | Deixe seu comentário |
Domingo, Agosto 10, 2003
Diante da violência praticada contra a mulher na região do Cariri, vimos por meio desta protestar veementemente contra tamanha atrocidade...

No Cariri, seu leitor
Um caso virou rotina
A morte desenfreada
De moça e de menina
Parece até normal
Todo dia no jornal
Ver notícia tão cretina.

A mulher está na mira
Do revólver, do facão
Degolada, estuprada
Encontrada qual tição
Em Barbalha, Juazeiro
Todo dia o coveiro
Enterra uma no chão.

A população do Crato,
Missão Velha, Brejo Santo
Já conhece a violência
Praticada no seu canto
A impunidade reina
No cenário ela teima
Produzindo muito pranto.

Neste Cariri oásis
De fartura até de fé
Assassinam friamente
O ¿viado¿e a mulher
Pela mão do preconceito
Um e outro é defeito
Indo contra a maré.

Porém é chegada a hora
Do machismo ser banido
E acabar com a violência
Do doutor ou do bandido
Do machista prepotente
Que mata diariamente
Sem sequer ser combatido

Acabar a impunidade
Acabar com o desdém
Do governo e da polícia
Do sistema que contém
A cultura imperialista
A moral capitalista
Que não vale um vintém.


Fanka | 00:36 | Deixe seu comentário |
Sábado, Agosto 09, 2003
Oi gente, o Rony me passou a senha dele e pediu para que eu postasse essas duas músicas que serão comentadas no próximo post. No momento ele está sem computador e pediu para que eu postasse.
Abraços, Eveline


Televisão

Titãs

A televisão me deixou burro muito burro demais
agora todas as coisas que penso me parecem iguais
o sorvete me deixou gripado pelo resto da vida
agora toda noite que me deito é boa noite, querida

Ô Cridê fala pra mãe
que eu nunca li num livro
que o espirro fosse um vírus sem cura
e vê se me entende uma vez criatura
Ô Cridê fala pra mãe

A mãe diz pra eu fazer alguma coisa, mas eu não faço nada
a luz do sol me incomoda então deixo a cortina fechada
é que a televisão me deixou burro muito burro demais
agora vivo dentro desta jaula junto dos animais
Ô Cridê fala pra mãe
que tudo que a antena captar meu coração captura
e vê se me entende uma vez criatura
Ô Cridê fala pra mãe
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Inútil - Ultraje a Rigor

A gente não sabemos
escolher presidente
A gente não sabemos
tomar conta da gente
A gente não sabemos
nem escovar os dentes
Tem gringo pensando
que nós é indigente
Inútil, A gente somos inútil
Inútil, A gente somos inútil
A gente faz carro
e não sabe guiar
A gente faz trilho
e não tem trem pra botar
A gente faz filho
e não consegue criar
A gente pede grana
e não consegue pagar
Inútil A gente somos inútil
Inútil, A gente somos inútil
A gente faz música
e não consegue gravar
A gente escreve livro
e não consegue publicar
A gente escreve peça
e não consegue encenar
A gente joga bola
e não consegue ganhar
Inútil, A gente somos inútil
Inútil, A gente somos inútil




Rony | 22:59 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Agosto 08, 2003
O cinema, além de divertir, nos emociona. Através de ações, gestos, amores, palavras, trilha. Se tivemos um dia chato, com nada de bom, podemos ir ao cinema e soltar um pouco da tensão causada pelo longo dia. Podemos rir, sentir medo, chorar.

Somos humanos, e precisamos de emoções. Assim como a música, o teatro, a Literatura, a política, a filosifia e a busca da verdade, o cinema é capaz de tirar de nós emoções reprimidas, através de uma cena ou um diálogo.

Nada melhor do que presenciar o drama humano, que apesar de todas as dificuldades, consegue passar por cima ou, dependendo ânimo, experimentar todo o lado pessimista da história humana. Assistir um farrapo humano.

Apesar de toda a ação e comédia, os dramas costumam ser os melhores filmes pois esses relatam a vida real. Esta semana pude assistir Beleza Americana na TV. O que pode ser mais real do que uma família que aparentemente é feliz, mas na verdade está de desmoronando por motivos que desconhece. Essa é a tragédia humana. As coisas acontecem e nem sabemos, nem percebemos. E quando isso acontece, pode ser ou já é tarde demais para contornar a situação.

Doença, morte, desilusão. O lado amargo da realidade é transmitida muitas vezes sem perdão pelos projetores de luz espalhados por todo o globo. Para nós resta a reflexão.
Carlos Eduardo | 00:56 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Agosto 07, 2003


Uma predisposição natural contorna as ações?


Acreditar numa disposição ou tendência natural pra coisas acontecerem oscila entre ser muito confortável e/ou estar meramente reduzido ao fatalismo. Ora, se carimbados com uma tal essência ¿ responsável pelo desencadeamento de nossas ações ¿ que tipo de enlatado seríamos?

Credito pertinência a tais inferências por puro deleite do ócio, mas sei do risco metafísico de se querer saber se a natureza humana foi de alguma forma moldada ou adquirida ou inerente ¿ ou alguma coisa assim que também a psicologia se ocupou com suas ¿teorias classificatórias de seres humanos¿ (quando da disposição dos humores biliares do indivíduo)

(Meu nó a desatar circunda em torno de saber se há possibilidade da natureza humana mudar, porque, pelo que aprendi com o senso comum, pau que nasce torto morre torto)

Talvez fosse necessário que Vera Loyola (por ser ela um ícone instantâneo que veio agora com mais rapidez de meus registros mentais) ficasse disposta para, através de uma análise minuciosa, tomarmos conhecimento se ela está fadada a carregar a considerável parcela de futilidade que lhe é própria ou ela mesma escolhe ser como é.

Porque dizer que ela escolhe é dizer que Hitler escolheu por puro capricho ¿ inerente a si ¿ mudar a história do mundo (ou no mínimo a história dos judeus) Dizer que não, que ninguém escolhe ser dessa ou daquela natureza, é creditar pertinência a uma força atuante que direciona os atos, os fatos.

Existencialistamente questionando: a mocinha citada, a Vera, seria vítima de si mesma? assim como o outro mocinho, o Hitler, teria a si mesmo como borda danosa e pestilenta? Se pudessem ser de outra forma, não escolheria ela gastar os reais que despeja em inutilidades com os que caem a sua volta de fome? ou não teria ele poupado as atrocidades com os humanos, os judeus?

Se só meu ângulo de percepção prevalecesse, diria ser um suplício habitar-se internamente em tais condições. Diria ser injusto ou desleixo natural alguém atolado na própria nocividade. Respirar a premissa da ânsia pelo poder, da ausência(?) da consciência do mal para o todo. Se eu fosse perfeita citaria os seres que poderiam ser descartados da história da humanidade. Mas tudo é relativo demais pra que eu possa apontar alguém como o ¿pau torto¿, como a pedra no meio do caminho para a humanidade topar. A minha própria limitação golpeia a vontade de saber o que está por trás disso tudo.


Bárbara RoMa | 11:00 | Deixe seu comentário |
Quarta-feira, Agosto 06, 2003

Por estarem distraídos ( Parte I )

Ela morava em um bairro pacato da cidade.Uma menina de dezesseis anos, romântica e sonhadora. Sonhava um dia casar de noiva na igreja e ter filhos.

Cecília, aos quinze anos tinha tido apenas um namoradinho o qual passara dois meses e mal o via. Ele terminou o namoro com ela alegando que morava muito longe. Ela, como toda menina boba, ficou triste.

Aos dezesseis estava fazendo vestibular. Queria ser dentista, ou ao menos achava que queria ser. Esse ano era um ano decisivo em sua vida. Ela queria apenas passar no vestibular e entrar na faculdade. Algumas dificuldades eram reais em sua vida. Ela odiava matemática. Foi aí então que ela conheceu André, um menino que morava na rua de trás de sua casa. Ele a ajudava com a matemática e ela depois de um tempo começou a ouvir os problemas dele. Tornaram-se amigos e assim Cecília não estava mais sozinha naquele bairro

As férias chegaram e Cecília viajou para uma capital vizinha com a sua prima. Elas ficaram em uma granja e tudo lá era muito divertido.
Cecília conheceu Jonas, primo de sua prima. Jonas era rapaz da mesma idade de Cecília que logo se apaixonou por ela. Ela ficou muito feliz, afinal nenhum rapaz havia se apaixonado por ela. Assumiram compromisso. Cecília voltou para sua cidade e sua vida voltou ao normal. Suas noites eram divertidas. Ela sempre ia estudar com André e depois ficavam conversando em baixo de uma grande árvore que ficava em frente a casa dela.

Em uma dessas noites divertidas, Cecília e André estavam em baixo da árvore, quando um amigo aparentemente estranho de André chegou. Seu nome era Joshua. Tinha esse nome por ter dupla nacionalidade.

Enquanto a noite caía André, Cecília e Joshua, ficavam ali conversando. Cada um queria entrar no mundo desconhecido do outro. Joshua era um rapaz inteligente. Gostava de ler, tocar violão e escrever. Ele gostava tanto de música que estava namorando uma pianista. Uma mulher mais velha do que ele.
Depois de algumas horas, Cecília teve que entrar. Ao entrar, subir a varanda e olhar Joshua e André sendo levados pela pela rua, ela percebeu que algo havia mudado dentro dela. Cecília entra em seu quarto, lembra de namoradinho da capital vizinha e é levada pelo sono.

(continua na próxima semana )



Eveline | 23:55 | Deixe seu comentário |
Terça-feira, Agosto 05, 2003
A crueza do devenir: estética decadentista no Teatro da Crueldade, de Antonin Artaud

A periodização literária normalmente é tratada didaticamente, de forma a percebê-la associada ao seu entorno histórico/social/político, com características de estilos comuns às épocas, encastelados em suas fórmulas/essências, que mais se coadunam com a lógica matemática do que com a subjetividade emanada da escrita multifacetadamente conotativa.

O movimento decadentista, o anarquismo, as vanguardas européias, o Surrealismo, Antonin Artaud, o Teatro da Crueldade, são só exemplos claros de uma cadeia/cadência possível de se filigranar elementos de uma estética comum, onde o tempo epocal é um mero acessório à produção literária.

O jato de sangue, de Antonin Artaud - anarquista, participante temporâneo do Surrealismo, dramaturgo e autor do Teatro da Crueldade -, é um exemplo de possibilidade para uma análise comparativa entre épocas (1880/1890, Decadentismo; 1896/1948, Antonin Artaud; 1921/1939, Surrealismo) e suas respectivas estéticas, analisando a obra em questão haurindo do Decadentismo, tendo como ponte de contato o movimento de vanguarda intitulado Surrealismo.

A estética decadentista está periodizada em 1880-1890. O Surrealismo em 1921-1939. Antonin Artaud adere ao Surrealismo em outubro de 1924 - ano final do período de formação - para romper com o movimento em finais de novembro de 1927 - dois anos após o período de reflexão -, i.e., num movimento que durou dezoito anos, só participou durante três deles, sendo que em seu início.

De 1880 a 1939 somam-se cinqüenta e nove anos, que para Helena Parente Cunha não inviabilizam uma relação consistente dos movimentos de vanguarda, no caso o Surrealismo, e o Decadentismo, pois afirma que todos os movimentos de vanguarda a ele são devedores.

Tomando como referencial MUCI (1994) e HELENA (1993), podemos destacar em ambas as estéticas o onírico, a artificialidade, a alegoria, a estilização, paraísos artificiais (principalmente no Teatro da Crueldade, onde os sentidos se sobrepõem à palavra), rompimento com a estética realista-naturalista, pessimismo na vida ora apresentada, niilismo (em O jato de sangue isso é sobremaneira evidente), a idéia do fantástico, dentre outros.

Sobremodo, a estética decadentista aproxima-se de Antonin Artaud e seu Teatro da Crueldade, como a nevrose, o anarquismo, o horror da vida, à estupidez do mundo, à inclemência do destino, bem como o enjôo de viver, o desespero, o cansaço moral (MUCI, 1994).

É a partir dessas constatações que a percepção em um paralelismo se sobressai entre Decadentismo, Surrealismo, Antonin Artaud, Teatro da Crueldade e O jato de sangue
Marconcine | 00:10 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Agosto 04, 2003
Perspectivas da teoria psicanalítica sobre o desenvolvimento infantil

A teoria psicanalítica sobre o desenvolvimento infantil é uma das perspectivas pela qual se pode acompanhar as mudanças ocorridas na trajetória de vida de um sujeito, o que abrange vários aspectos, tais como a personalidade, o afeto, o comportamento cognitivo, as relações de objetos e a sexualidade. Uma das obras mais importantes para o conhecimento psicanalítico do desenvolvimento psicossexual da criança foi publicada em 1905, por Freud, intitulada Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade.
Para compreender o ponto de vista psicanalítico em relação ao desenvolvimento do sujeito é necessário desmistificar a questão da sexualidade. Esta era vista pelo senso comum, no início do século XX, como uma manifestação restrita à região genital, tendo o coito sexual como finalidade exclusiva, e sendo algo que surgia apenas na puberdade (Freud, 1905). Esta visão preconceituosa e limitada da sexualidade foi derrubada pelas descobertas freudianas à cerca da sexualidade infantil. Sobre este fato, destacamos a maneira peculiar como Freud realizou o seu percurso da histeria à sexualidade infantil. Freud não observou de forma sistemática o comportamento de crianças para chegar à sua conclusão sobre a etiologia da histeria, mas analisou de forma detalhada o psiquismo de jovens e adultos, a partir de suas lembranças da infância (Freud, 1896). No entanto, apesar do percurso incomum realizado pelo pai da Psicanálise, a descoberta da sexualidade infantil é passível de demonstrações experimentais no trabalho com crianças. Esta foi, de fato, a maior contribuição de Freud à psicologia de tradição experimental e à ciência, contribuição tal que não provocara tantas reações polêmicas desde a época de Charles Darwin.

Teoria das pulsões

A psicanálise freudiana possui uma visão muito ampla da sexualidade que pode ser expressa de forma metapsicológica na teoria das pulsões. Freud adotou o termo ¿pulsão¿ para substituir o conceito de ¿instinto¿ ou ¿impulso¿, que são próprios da biologia (Freud, 1915). Para Freud, haveria duas qualidades de pulsões: pulsão de vida e pulsão de morte (Freud, 1920). A primeira se subdivide em pulsões de autopreservação, a exemplo da fome e da sede, e pulsões sexuais, que têm por energia representativa a libido (Freud, 1910). Segundo Freud, apenas as pulsões de vida possuem representações psíquicas (Freud, 1920). A sexualidade se manifesta de forma polimorfa, isto é, a pulsão pode voltar-se para uma quantidade infinita de objetos (Freud, 1905). Lacan, psicanalista francês, afirmava que a pulsão originariamente não possui objetos que dêem conta de sua demanda (Lacan, 1960). A libido, segundo Freud, pode ser deslocada tanto para objetos sexuais quanto para objetos não-sexuais (Freud, 1908, p.187). Neste último caso, haveria o processo de sublimação, isto é, o sujeito investe sua energia pulsional para atividades artísticas, literárias, científicas, etc.
Portanto, para Freud a sexualidade estava longe de ser associada a algo que teria por finalidade apenas o ato sexual, mas, pelo contrário, se manifesta de forma multifacetada, estando presente nas mais diversas atividades desenvolvidas pelo ser humano.

Angústia e motivação inconsciente

Freud dizia que há uma angústia originária no ser humano (Freud, 1905). Precisamos obter satisfação, ou prazer, e evitar a dor, ou desprazer. O sujeito procura uma forma de livrar-se desta angústia originária deslocando sua energia sexual para os objetos que o cercam. Desta forma, a angústia funcionaria como um motivo de sobrevivência, podendo servir como uma defesa em situações de risco para o bem-estar do ego. A angústia associada a um determinado objeto numa situação traumática para o sujeito poderia desencadear uma fobia ou medo de algo específico, isto é, seguindo este raciocínio, poderíamos deduzir que existe uma angústia motivadora na situação do medo que antecede o evento traumático associado a um objeto determinado. Um sujeito com medo de cães estaria, portanto, sendo motivado pela angústia originária e não apenas pelo objeto cão.
A angústia, portanto, poderia ser uma forma de motivação inconsciente, na medida em que se relaciona com sintomas como a fobia, na qual o sujeito desconhece a causa de sua aversão a determinado objeto, o que envolve a repressão de certos desejos inconscientes. Da mesma forma, um sujeito pode reprimir, por exemplo, um desejo hostil em relação aos pais ou a alguma pessoa de sua convivência, ou pode, ainda, sentir atração sexual por alguém e reprimir seu desejo inconscientemente. Nestes casos, poderia haver a formação de um sintoma como forma de dar sentido àquele sofrimento interno do sujeito, uma vez que seu desejo foi reprimido inconscientemente.
Uma maneira de compreender melhor a atividade inconsciente do sujeito é na análise dos sonhos, pois estes são, segundo Freud, a manifestação mais original dos processos inconscientes (Freud, 1900).
Carlos Lyra | 00:27 | Deixe seu comentário |
Domingo, Agosto 03, 2003
A estória de Mari não tem a beleza dos bem-te-vis, nem a alegria das estrelas, tipo aquelas noites enluaradas. É quase um assombro de escassez de felicidade. É a estória de uma menina que de tão só virou poeta, e que de tanto escrever, se apaixonou por um fonema. O fonema não sabe. Mari também não. O pior é que, se os dois souberem a prosa se acaba e a invenção vai se quebrar...1

Mari era romântica por excelência, mas seu romantismo era oculto. Debaixo de 7 chaves, escondido entre a ficção de Vitor Hugo e as dores de Castro Alves. Ela escondia do dia, quando a noite chegava, para não mostrar às madrugadas- com estrelas ou sem estrelas- a luz do seu enorme coração. Ela sabia amar como poucos e odiar como muitos. Mari era uma bruxinha de pano. Ela queria ser feliz e apaixonou-se por um fonema, que de tão estúpido, resolveu colocar lenha na palavra, só para atordoar o poema de Mari. Fazia assim por ignorância. Talvez amor inconsciente, desajeitado, amor de viés. Ela cuidou de cuidar melhor da sua concordância verbal e fez carinho nas letras. Fez amor nas frases, deu afago, dedicação e beijos em suas regras gramaticais. Fez de tudo para encontrar o graal das paroxítonas. Amou desesperadamente a espécie lingüistica em sua nudez. Mas de nada adiantou, ela só levava pau das exclamações assustadas! Não adiantou amar o desconhecido. O desconhecido não se deixou conhecer. Tapou a porta, os olhos, o coração...Mari não sabia que vivia uma peleja naquele vasculhar de palavras. Era uma luta entre desiguais. Amor e ódio. Ódio e amor. Duas peças no jogo da morte da vida. Mari jogava sem saber que estava jogando e ia no caminho da busca querendo ser feliz (atrás do trio elétrico). O fonema aparecia e desaparecia. Fazia gargalhadas com o desespero de Mari. Mari caiu numa emboscada. Caiu no abismo de Sísifo. Caiu no beco sem saída do poema ingrato. Mari continua triste, mas vez por outra se alegra com as palavras que pesca em seus cantos de Maldoror. Ela sobrevive na peleja e é a poeta das formiguinhas do seu jardim. Ela é só. Ela é esquisita. Ela é quase humana em sua moldura de pano. Mas Mari recebeu um telefonema inesperado no meio de sua história de trancoso. Uma ligação do além. Do outro lado um anjo negro lhe dizia: ¿Mari preciso de sua companhia¿ e o eco respondia: ¿de sua companhia, de sua companhia¿. Mari quase sorriu naquela metalinguagem. O fonema iria cair do cavalo? Mari encontrou um aliado? Quem poderá responder a esse paradoxal conto de narrador lombrado? O narrador disse a autora que a formação desse amor poético era uma ficção. A autora não quis discutir o assunto, acendeu um cigarro e foi ver Irene dar sua risada.

1Esconderei dos dois esse segredinho
Fanka | 00:26 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Agosto 01, 2003
Um elenco formado por bons atores não basta para se fazer um bom filme. Além do lógico, que é a história, é preciso alguém para contá-la. A visão pessoal de um diretor sobre um determinado tema é vital no produto final de seu trabalho. Seus métodos, estilos e até sua forma de lidar com os atores é relevante.

É difícil citar um diretor que nunca errou feio nos seus trabalhos. Arrisco a dizer aqui que até Spielberg "viajou legal" ao dirigir Inteligência Artificial quando deu ao filme o que eu posso chamar de um segundo final.

Me arrisco a citar, por outro lado, Quentin Tarantino. Este aí possui uma mira afiada. Na minha opinião, atualmente o melhor diretor do cinema idependente. Em 1994, dirigiu Pulp Fiction - Tempo de Violência, que foi o melhor filme dos anos 90. Com um time de atores que incluia John Travolta, Samuel L. Jackson, Bruce Willis, Eric Stoltz, Ving Rhames, Uma Thurman, Harvey Keitel e Rosana Arquete, Tarantino nos conta uma história de dois capangas da máfia, incluindo diálogos sobre McDonald's e cultura pop, mulher do chefe, drogas e muito palavrão.

Com diálogos afiados e personagens estereotipados, o filme é uma explosão de violência, ironia e humor nergo. Parece que capa personagem foi feito para o seu referido ator. Tarantino traz John Travolta novamente para o estrelato, quando este último faz o papel do mafioso ligadão, sempre com o ar de ligadão. Estiloso. Sem falar do Samuel L. Jackson em um dos seus melhores papéis, do matador que antes de apagar suas vítimas, cita uma passagem da Bíblia.

Pulp Fiction é uma prova que cinema se faz com idéias, e não com dinheiro (o filme custou 8 milhões, Travolta recebeu apenas US$ 150 mil e o filme faturou mais de 200 milhões em bilheteria no mundo). Pulp Fiction é uma prova que ainda há vida inteligente em Hollywood.
Carlos Eduardo | 02:07 | Deixe seu comentário |