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Patativa do Assaré Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte

Sonhos Claudia Alexandra, portuguesa.

Banho de Lua Claudia Alexandra, portuguesa.
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| Nosso arquivo |
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| Terça-feira, Setembro 30, 2003 |
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Título 1 - Tarefinha de casa: da vivência à prática da produção dramatológica.
Título 2 ¿ Vamos escrever um texto teatral, gente!
Título 3 ¿ A essência do devenir: a fragilidade do ser confrontada ao branco do papel.
Título 4 ¿ Em casa de ferreiro, o espeto é de tinta: 7 causas, 7 pecados, 7 almas que irão para o céu caso escrevam um texto com a não ajuda das cartas fora/dentro/fora do caralho que o parta.
Este publicado está dividido em 3 momentos:
1) Justificativa acerca deste publicado.
2) Pequeno referencial teórico acerta da produção de uma narrativa.
3) Texto a ser utilizado como base para a temática e desenvolvimento da dramaturgia a ser escrita.
1) Justificativa acerca deste publicado.
Quero escrever um texto teatral a várias mãos. Estou disponibilizando o espaço. Quem estiver a fim, é só enviar o material para o meu e-mail ou ainda deixar no blog, que eu copiarei/colarei. A cada semana eu publicarei como está ficando o texto, podendo ser alterado por todos (qualquer que seja a pessoa). Eu só funcionarei como um facilitador (palavrinha politicamente correta. A bem da verdade, sou um ditadorzinho babaca).
2) Pequeno referencial teórico acerta da produção de uma narrativa.
Enredo
a) Conceito criado por Aristóteles para a fábula da tragédia grega.
b) Constitui-se uma ação completa, com início, meio e fim.
c) No enredo simples (fábula de ação simples) os acontecimentos têm um liame meramente cronológico, as coisas acontecendo umas depois das outras.
d) O desenvolvimento do enredo tradicional é feito nas seguintes fases:
1) Exposição - onde o narrador apresenta o problema de que vai tratar, seus personagens, o espaço e o ambiente em que é vivido;
2) Complicação - onde se delineiam os fios da intriga, geram-se os conflitos, enredam-se os fatos;
3) Clímax - momento de emoção maior do conflito, despertando ansiedade; é um nó no fio narrativo, podendo ocorrer a existência de mais de um; neste caso, será identificado o principal, aquele em que a complicação atinge um auge de complexidade;
4) Desenlace (solução) - é o desfecho das complicações a que foram submetidos as personagens; a narrativa depois de atingir o seu clímax principal, cai emocionalmente, para apresentar o desenlace.
3) Texto a ser utilizado como base para a temática e desenvolvimento da dramaturgia a ser escrita.
As sensações provocadas pelos sentidos, aguçadamente sugestionados ou não por transeuntes dispersos num salão povoado de seres reflete, mesmo que minusculamente, minha atual angústia.
O distanciamento dos corpos, por vezes, requer a aceitação da morte em vida. Mortos não pensam, não se refestelam no prazer da bosta da vida de merda.
Talvez o dilema esteja no sentir/vir a estar morto; olhar satisfaz o tato na mesma medida em que o olfato vê. Quando olho, cheiro, apalpo, percorro minha língua em superfície sudorenta, ouço vozes dissonantes. Não existo; a pessoa existe em mim. Neste momento a fragilidade do ser é desvelada. Quero que alguém, que existe em mim, seja um pouco eu nela.
Como a matemática não consegue ver o 5 como resultado da soma de duplos, e a física não suporta massas num mesmo espaço, o sexo é a alternativa daqueles que buscam o sabor de ter um ao outro, numa aproximação daquilo que, grosso modo, poderia ter sido a completude.
Decerto que idealizar a relação, qualquer que seja ela, não é confundível com o que me é apresentado. Desejos são projetos de atos, mais nada. Atos são desejos realizados. O medo, então, é perceber desejos irrealizados ou ainda atos sem significação aparente.
Sinto fala de mim. Anteriormente Deus era o longe. Hoje, não sei mais ser Deus... a responsabilidade do prazer é dolorosa.
As pessoas vão às festas celebrar a vida. Em uma dessas eu te vi, e a tristeza alojou-se em mim, como o aço a transgredir meu corpo de carne. Eu cri na misericórdia: piedade de mim, piedade.
Palavras e ações, palavras mágicas. Cruzar destinos requer mais disposição que cruzar braços. Deus dadivoso provocou-me duplamente. Depois de dormir sonho atribulado, desfiz-me em gente e me predispus a descruzá-los (mesmo aparentando ser o contrário) e a convencer o destino a mudar sua rota: pausar no cruzamento eqüivale a momento de lucidez objetivando sanar a crise da angústia.
Algumas coisas eu considero: viver intensamente, descobrir olhares circunspectos e ousar convencer a dor da sua própria inexistência.
Necessito de respostas como qualquer ser. Perdoe-me por envolvê-lo, mas não fui eu a criar as possibilidades de viver e de morrer. De mim, vem ácido querer infrutífero, a fragilidade dos corpos e a fortaleza da terra.
Esta não é uma carta de amor, nem um tratado do desejo. É, sim, uma tentativa de sanar o meu medo infanto-juvenil de não ter sido apresentado.
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| Segunda-feira, Setembro 29, 2003 |
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Depressão
A depressão, também conhecida como ¿a doença da alma¿, é um tipo de transtorno do humor. O sujeito com depressão apresenta uma diminuição do humor, acompanhada por um conjunto de sintomas variados: ansiedade, agitação, lentidão do funcionamento mental, falta de energia e de vontade, idéias de desvalia, disfunções fisiológicas (por exemplo: insônia ou excesso de sono), idéias suicidas e queixas diversas.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão é a doença que mais acomete as mulheres (a incidência da doença é duas vezes maior em mulheres do que em homens) e a quarta mais comum entre a população em geral (330 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de depressão). Além disso, 33% dos filhos de pai e mãe depressivos têm depressão. O suicídio é responsável por 15% das mortes de pessoas deprimidas. Estes dados são de 1999 e representam números preocupantes.
Segundo dados de um estudo realizado na USP, 17% dos brasileiros vão passar por uma depressão na vida. Em 2002, foram vendidos 16 milhões de antidepressivos para cerca de 700 mil pacientes no país. A idade média da primeira depressão caiu de 40 anos para 26 anos. Além disso, quem não recebe tratamento adequado quando fica deprimido pela primeira vez tem 50% de chance de enfrentar uma segunda manifestação da doença. Se passa por um segundo colapso depressivo, a possibilidade é de 70% de ter outro. Na terceira vez, a chance é de 80% e, na quarta, é de 90%.
Algumas personalidades famosas sofriam de depressão, como: o presidente americano Abraham Lincoln; a princesa Diana; o poeta português Fernando Pessoa; o cantor de rock Kurt Kobain; o compositor alemão Ludwig Van Beethoven; a atriz americana Marilyn Monroe; o político brasileiro Ulysses Guimarães; entre outros. Num bilhete deixado pela escritora inglesa Virginia Woolf, pouco antes de seu suicídio, ela escreve: ¿Tenho a impressão de que vou ficar louca. Ouço vozes e não posso concentrar-me no trabalho. Eu lutei, mas não posso continuar. Devo a vocês toda a felicidade da vida. Vocês foram perfeitos. Não posso continuar a estragar suas vidas¿. Já Abraham Lincoln dizia: ¿Sou o mais miserável dos homens. Se o que sinto fosse distribuído por igual entre os seres humanos, não haveria face alegre na Terra. Não sei se algum dia vou me sentir melhor, mas continuar assim é impossível. Se nada mudar, prefiro morrer¿. Estes depoimentos de pessoas conhecidas dão uma noção do profundo sofrimento de uma pessoa deprimida.
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| Domingo, Setembro 28, 2003 |
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Kant lá que eu canto cá
na casa dos meus sonhos você apareceu! uau!!! uma imagem arretada de delírios...kant lá que eu canto cá, eu rezava com o poeta patativa um soneto transgênito. o sonho era doce. não havia aguado. os teus dedos de abôbora pareciam uma estrelinha vestida de segredos. eu quis me amontoar em tuas coxas virtual, eu quis adentrar no meio das samambaias rajadas que ilustrava o sonho de trancoso. lá, naquele céu de ancestralidade uma fada lia karl marx: ¿os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, diferentemente, cabe transformá-lo¿, e ela fez uma magicazinha, e deu uma cesta básica à favela do meu coração. eu comi o cuscuz. eu comi a tapioca. eu comi a pipoca moderna e oswald de andrade, antropofagicamente. eita sonho solto! sem eira nem beira...sonho de ter uma flor no jardim, e ninguém para arrancá-la do meu pomar de mulher fêmea. quando o menino macho viu a cotovia driblando as palavras do poeta que cantava o maneiro pau, o arco íris que emitia da fotografia que sebastião tirou da sua cachola, parecia que se espantava. o amor não é nada mais nada menos do que este sonho meticuloso que eu risquei no manto da sereia. o amor, estava lá, todo espivitado, quando se empriquitou com a dor da solidão e fez, pirlimpimpim. uauuu!!! a tua imagem lu-mi-no-sa naquele painel de sonhos, teus peitinhos gostosos, teus pelos, tuas mãos invadindo meu umbigo... a fadinha revolucionária me deu duas dúzias de palavras de ordem e eu cantei, como um hino, para ilustrar minha luta pelo amor endoidecido que fui acometida. a tua imagem tá lá, lá na varanda, debaixo do sol de adrastéia a quase dois metros de ser deglutido por um vendaval cheio de tesão que vem no cio, atrás do trio elétrico do meu sopro de vida. diga nada não meu amor, estes versos desempenado, são para ti sim, que estais longes, e tão perto que sinto agora teu cheiro de cocada de dona rosa. eu- te- amo, eu te como se tu me apareceres já. a minha cadelinha por nome pagu latiu pra mim, bem agora, na hora em que te escrevo estes sonhos des-pe-ta-la-dos de saudades. certamente que irei te encontrar, um dia, em outro sonho bobo, longo, risonho e plástico. e vou te abençoar com meus dedos de artista. vou te derramar por todo o meu corpo, em mim, fazendo assombração na tua camada de gargalhadas...hahahahahahahaha! vai ser infame demais, vai ser plural demais, vai ser muita putaria. tu canta de lá e eu cantarolo daqui, assoviando a primeira sinfonia de rabecas, que não frígidas, se esparrama qual batatinhas quando nasce. legal. o meu amor é legal. não está no código das piruetas com gastrite, está no código dos que amam assustados, do lado dos tumultuados. o amor é uma porção de três metros de imagens coloridas de bolinhas. as bolinhas são de chocolate envenenado com a mesma fórmula poeirenta da maçã de branca de eva. o sonho vai partir de mim, numa triste partida patativesca, porque eu agora acordo e vejo a tua mensagem, no celular, dizendo: amo-te.
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| Sábado, Setembro 27, 2003 |
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PRETA GIL - A BOLA DA VEZ
Inaugurando nossa "Galeria dos Espinafrados", ninguém melhor que ela, atualmente presença constante na mídia, e que se tornou, meio que por acidente (está em negociação com uma grife de gordinhas), a porta-voz dos anseios da classe obesa brasileira - Preta "a mais zoada" Gil.
Descolada, herdeira de primeira linhagem da contracultura afro-baiana brasileira, apadrinhada por boa parte dos nomes da MPB, velha conhecida do jet set do Baixo Gávea por seu trabalho como promotora cultural, Preta Gil lança-se em carreira solo como cantora, disposta, como todo artista novo, a alcançar o sucesso e as FM´s, o que, levando-se em conta todo o seu currículo acima relacionado, aliado ao fato da mesma ser filha de Gilberto Gil, um dos maiores compositores em língua portuguesa vivo, lhe assegurariam sucesso absoluto e imediato. Certo? Absolutamente E-RRA-DO (assim mesmo, que é pra ressaltar o equívoco abissal).
Muito embora reúna este incrível elenco de predicados, Preta Gil encontra dificuldades em ser aceita no meio artístico. É certo que foi bastante elogiada por sua participação na recém-acabada novela da Globo, Agora é que são elas, na pele da vilãzinha Vanuza (é assim que se escreve? Se não for, desculpa gente, odeio novela), mas como cantora, não sei o que acontece...
Tudo bem, também procede que a mesma tem se apresentado com freqüência nos programas de auditório da TV aberta (ficou horas outro dia no Faustão), bem como causou rebuliço com seu decote na festa da MTV, o VMB, decote este mais profundo até que o da "Destiny Child" Beyonce na festa do VMA, em Nova Iorque (realmente uma coisa de louco, até Daniela Mercury teve que meter a mão pra conferir!).
Aliás, ousadia também não parece ser o problema de Preta Gil: em entrevista concedida à revista VIP, Preta fala de sua movimentada vida sexual, baseada, sobretudo, na heterodoxia, além de dar conselhos sobre táticas de conquista e auto-estima. Certamente, timidez e inexpressividade não são problemas para Preta.
"Ora, ela não deve cantar bulhufas", assim deve ter pensado você, caro leitor (ah, sempre quis fazer algo assim, à la Machado de Assis). Bem, como músico, não sei se é bem o caso. Utilizando-me das palavras de seu já citado pai, o Ministro Gilberto Gil (que em Paris fez mais sucesso que o Presidente - não tinha reunião que o danadinho não tivesse que pegar no violão!), Preta "tem um contralto interessante em que ouço ecos de um passado, outras cantoras que fizeram a nossa música e com quem ela aprendeu". É aquilo: no dia em que, por acidente, a ouvi cantando ao vivo no programa do Faustão (sei que esse tipo de desculpa já virou clichê, mas foi acidente mesmo), achei que, por menos que ela suportasse os agudos (aliás, ao justificável dado seu registro vocal), ela era afinadinha sim!, tinha presença de palco sim!, além de ser uma simpatia de pessoa! Será que isso não é suficiente pra vender disco, gente?
"Vai ver, é porque é justamente porque é filha do Gil e o povo fica comparando e tal...". Sinceramente, de todas as desculpas, esta me parece a mais esfarrapada; se não for, como explicar o sucesso de Sandy, Vanessa Camargo, Pedro e Thiago e tantas outras bobagens que somos obrigados a consumir cotidianamente? Pois se este é o problema, Preta não está só nesta "emPretada" (desculpem o trocadilho, mas não foi o primeiro da noite, nem o primeiro feito sobre a Preta): Ari Moraes, autor de parte das músicas, é filho de Moraes Moreira; o baixista Betão Aguiar e o baterista Gil Oliveira são descendentes de Paulinho Boca de Cantor, enquanto o guitarrista Pedro Baby é filho do casal Baby Consuelo e Pepeu Gomes. Tal mistura de Novos Baianos com Tropicália, impressa no DNA de Preta, mostra-se presente em algumas de suas interpretações, comparáveis às de Baby Consuelo, e classificadas por alguns críticos como "desprovidas de brilho e personalidade" (sic).
Para não alongar em demasia uma discussão que seguramente ficará sem um término que contemple todas as partes, digo-lhes que acredito sinceramente que Preta estava consciente de todas as coisas quando se fez lançar em Preta-à-porter (do caralho a sacação desse nome!): do estigma que sempre carregou por ser filha de uma estrela da MPB, do quanto seu comportamento over, pouco aceito por nossa sociedade que não consegue se enxergar no espelho embaçado do motel em que se encontra, é capaz de chocar e, principalmente, do quanto seria discriminada por não se encaixar nos anoréxicos padrões de beleza ocidentais. Contudo, topou o desafio, colocando sua beleza renascentista a serviço da derrubada de preconceitos (sim, Preta Gil é MUITO bonita - e não é Photoshop, não! [aí, Preta, querendo, estamos aí!! :-)]) e, a julgar pelas polêmicas, vem cumprindo seu papel, a meu ver, ainda não totalmente delimitado nesta dança das cadeiras que é o mercado fonográfico brasileiro. Afinal, estamos no terceiro milênio, muitas coisas estão a mudar a cada minuto - como se já não fosse tempo...
No mais, muito axé pra todos vocês! Boa semana! |
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| Sexta-feira, Setembro 26, 2003 |
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OS 10 MANDAMENTOS DO CINEMA
1. Amarás a seus DVDs sobre todas as coisas.
2. Não apertarás PAUSE em vão.
3. Guardarás seus sábados e domingos para sessões extras.
4. Honrarás a sétima arte.
5. Jamais contarás os finais dos filmes
6. Não perderás nenhum lançamento
7. Não furtarás pipocas alheias
8. Não pularás os trailers
9. Não desejarás o DVD do próximo
10. Não converse na sala durante o filme |
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| Quinta-feira, Setembro 25, 2003 |
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Pra quem quiser acender a luz
Ateus, céticos, agnósticos, materialistas, naturalistas, racionalistas foram recentemente untados num feixe de luz. Em via única, assim agrupou-os Mynga Futrell e Paul Geisert com uma só palavra: ¿BRIGHT¿
O Termo, que traduzindo vira luminoso, brilhante, claro, vivo, inteligente..., foi imposto pelos dois californianos citados para representar de forma compacta os indivíduos que mantêm o pensamento distante do sobrenaturalismo, da religiões e seitas, de tudo, enfim, que mantenha-nos no breu das imposições subjetivas. A definição foi instaurada como tentativa de facilitar a identificação unificando, amparando esses indivíduos na própria luz, ao mesmo tempo livrando-os do preconceito.
Assim, se você sempre desconfiou dos gnomos, olhou de soslaio enquanto se dava a pregação do ¿irmão¿ da igreja e nunca esperou presente de papai noel nenhum, é bom dar uma olhada de onde vem essa incandescência que apontam os que se (auto)denominam brights. (http://www.the-brights.net/)
Lhes digo logo que é sob aspecto naturalista a forma de ver o mundo desses ¿brilhantes¿. Parecem eles portadores de uma grande lanterna, feixe de luz que age sobre os mitos, desmentindo deuses, negando demônios, encandeando os espíritos, fantasmas, desintegrando a subjetividade inútil com uma só focalizada. Simples como clarear a escuridão e verificar que ali nada havia a temer (além da imaginação). A mesma luz que acende, faz sumir os duendes, enfoca a inexistência do coelhinho da páscoa, enfim, o foco no ser humanizado: Deus apenas para fins práticos.
é bom estar lembrado que a escuridão precisa mesmo é de luz
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| Quarta-feira, Setembro 24, 2003 |
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Quarta parede
Termo cunhado por André Antoine (1858-1943) para designar a parede imaginária situada na altura do arco do proscênio, separando o palco da platéia. A quarta parede constitui uma convenção do naturalismo no teatro, e sua prática exigiu o desenvolvimento de uma técnica de interpretação em que o ator simula, através de seu comportamento, a continuidade do cenário através dos quatro lados do palco. Em conseqüência, o ator representa ignorando a existência do espectador diante dele. Antoine, na sua incansável busca de um grau cada vez maior de naturalismo no palco, costumava usar peças de mobiliário contra a quarta parede, ou seja, entre os atores e o público. Para ele, um interior deve ser construído com seus quatro lados, com suas quatro paredes, sem preocupações a respeito da quarta parede, que será removida mais tarde, permitindo que o público veja o que ali acontece.
VASCONCELOS, Luiz Paulo. Dicionário de teatro. 3 ed. L&PM: São Paulo: 1987.
Não é só no teatro que há o obstáculo da quarta parede. Teorias várias para excluí-la da encenação. Tratamentos diversos. Nossa sociedade estabelece paredes. Nossa função é trazê-las ao solo árido. Uma moeda continua a ter lados. Minha parede ruiu na terça-feira quando não publiquei o texto. Já na quarta...
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| Segunda-feira, Setembro 22, 2003 |
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Você está deprimido?
Os médicos relacionam nove sintomas para identificar a depressão. Quem apresentar pelo menos quatro deles deve procurar ajuda especializada.
1) dificuldade para se concentrar
2) auto-estima reduzida
3) sentimento de culpa
4) falta de perspectiva do futuro
5) idéia recorrente de suicídio e morte
6) perturbação do sono
7) alteração de apetite
8) perda de interesse e alegria
9) sensação de cansaço
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| Domingo, Setembro 21, 2003 |
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A verdade é que no centro do universo mora o deus que compôs o som das cachoeiras, mas também aquele baque quando a andorinha morta caiu, da pedrada que levou do homem. No centro do universo tem uma nota sinfônica invisível que nem um santo ousa tocar, porque nela tem o dedo do diabo.
No século XXI, dizem os búzios, vai faltar água no planeta e só restarão as lágrimas, até que se esgote o último suspiro. Eu vi na TV que o amor é feito de pacotes eternos de quartz e diamantes perdidos na galáxia. Eu vi, que a vida é uma metáfora que o anjo engasgou no manto de Lúcifer, depois que a beata Maria de Araújo comeu, crua, a hóstia feita de farinha de trigo Dona Benta.
Ninguém será abençoado depois das três noites de escuro, diz o anúncio propagandístico das lojas que querem vender suas lâmpadas pós-modernas. É preciso comprar estas lâmpadas, antes que venha o escuro que talvez se prolongue por mais que os 3 dias desagradável sem ter que ver TV e ouvir a FM tocando, babe baby!
Sonho porque sonhar é minha única tarefa de porco espinho. Sonho porque sonhar é a única verdade que meu pensamento escroto desenha sob os galhos da mata detonada. Sonho porque enfim, nada mais poderá restar que o poema hoje não diga sem ter que se prostituir.
Eu amei demais, me disse o duende azul. E disse-me, que o amor é uma peça volátil que se estende na encruzilhada do desfiladeiro. Amar faz parte dos contornos simpáticos do abismo, lá tem o ar condicionado do medo e da asma que asfixia. No amor, não há uma cor, como pensou o duende azul, no amor, há uma parafernália de sensações cósmicas.
Nunca mais me peça aquela peça. Vou rasgar a folha que ficou riscada com a palavra: desencanto. Se foste embora, foi somente porque quis, eu sou daquelas que fica do lado dos tumultuados. |
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| Sexta-feira, Setembro 19, 2003 |
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Por mais que uma história seja boa, é necessário saber contá-la. Sem um roteiro bem escrito e uma edição bem feita, a boa história não será tão boa assim ou pode terminar sendo uma porcaria sem sentido. O que também é verdade é a recíproca. Não quero dizer que uma porcaria pode se tornar uma boa história sendo contada de uma maneira correta, mas uma história simples, bem escrita e bem editada, pode impressionar e intrigar.
É o que acontece com o filme Amnésia (Memento). Leonard Shelby (Guy Pearce) é um investigador de seguros que sofre um trauma neurológico depois que um marginal o ataca enquanto tentava salvar (em vão) a vida de sua mulher, também vítima do mesmo marginal. O trauma o torna incapaz de lembrar de acontecimentos que aconteceram há mais de 15 minutos e sua última lembrança é justamente a morte da esposa. Inconformado pela perda, Leonard tenta descobrir a identidade do assassino da mulher em busca de vingança. Uma história simples, mas como é contada de trás pra frente (um ótimo trabalho de edição de Dody Dorn), de simples o filme se torna singular.
O filme, dirigido por Christopher Nolan (que também dirigiu o ótimo Insônia) bate de frente com a tendência atual de Hollywood, que é de fazer filmes que subestimam o nosso intelecto. Como a história é contada de trás pra frente, logo conhecemos o seu final, quando Leonard mata o assassino de sua mulher. O que acompanhamos em seguida é o processo de investigação que o levou a encontrar o seu suspeito. Sempre retrocedendo cronologicamente, como se fôssemos também incapazes de lembrar o que aconteceu antes. Para solucionar o problema da sua situação, Leonard tatua o corpo com diversas anotações de sua investigação e usa fotografias para poder lembrar de pessoas e anotações nas fotos para saber se deve ou não confiar nelas. Isso impede - mas nem sempre - que alguém se aproveite da sua situação.
Entre a trama da investigação, podemos ver o drama e sofrimento que Leonard vive (afinal, para ele a esposa acabou de morrer), e curtir alguns momentos cômicos, como quando Leonard se encontra correndo, mas não sabe ao certo se está perseguindo ou sendo perseguido.
Até que a tensão do filme termine e a história tenha um começo, somos surpreendidos com um final revelador, que nos faz pensar em muitos detalhes e fazer muitas perguntas, que somente serão respondidas vendo o filme novamente. Afinal, qual é a verdadeira relação entre Leonard e a história de Sammy Jankis, que Leonard a lembra sempre para lembrar de sua situação (Ora, como ele poderia saber de sua amnésia se não se lembra).
Indicado ao Oscar de Edição e Roteiro Original e sem receber nenhum, Amnésia pode até ser demais para a comportada Academia, que prefere premiar filmes conservadores ou super produções. É difícil premiar um roteirista/diretor estreante com um filme simples que foi filmado durante 25 dias.
Mas não faz falta. Oscar não prova nada realmente. Para quem sente falta dos filmes de Tarantino ou David Fincher, Amnésia faz de Nolan um novo membro do grupo. |
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| Quinta-feira, Setembro 18, 2003 |
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chega
o hômi quer falar:
"De fato, a arte da vida consiste em:
primeiro, estar vivo;
segundo, estar vivo em condições satisfatórias;
terceiro,conquistar um aumento de satisfação;"
(Whitehead, em: A Função da Razão)
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| Quarta-feira, Setembro 17, 2003 |
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II Encontro Nacional de Ciências da Linguagem
A Universidade Federal da Paraíba foi sede do II Encontro Nacional de Ciências da Linguagem Aplicadas ao Ensino (II Eclae) que foi realizado no período de 07 a 10 do corrente mês. O evento foi promovido pelo Grupo de Estudos Lingüísticos do Nordeste (Gelne).
O II ECLAE reuniu professores, alunos e curiosos de todo o país. O II ECLAE teve como objetivo expor e compartilhar trabalhos que foram resultados de pesquisas em diversas áreas do conhecimento relacionados ao Ensino.
Ao longo de três dias, a programação do evento incluiu também inúmeras sessões coordenadas e comunicações individuais, em que professores pesquisadores, alunos bolsistas do Programa de Bolsa de Iniciação Científica (Pibic), mestrandos e doutorandos, apresentaram suas pesquisas sobre Gramática, Sociolingüística, Fonética e Fonologia, Teoria da Literatura, Análise do Discurso, Aquisição de Linguagem, Práticas de Leitura, Formação de Leitores e Literatura.
Alguns mini-cusos que fizeram parte da organização do evento.
*Ensino da Literatura na Era da Internet
Professora Regina Zilberman
*A Lingüística Textual e os PCNs de Língua Portuguesa
Prof. Ingedore V. Koch - ( Unicamp )
*Explorando os Recursos da Multimídia de Inglês como Língua Estrangeira
Professor Robert de Boaugrande (UFPB)
*Tradução em ensino de Língua Estrangeira: por um trabalho integrado
Professor João Azenha (USP)
Esperamos novidades d o próximo ECLAE.
Para ter mais informações sobre o evento CLIQUE AQUI !
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| Terça-feira, Setembro 16, 2003 |
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TEATRO DO OPRIMIDO, DE AUGUSTO BOAL
Teatro: pode ser imóvel ou arte específica.
Para que ele se efetive é necessário que exista a tríade: ator, texto e público.
O teatro envolve outras artes: música, indumentária, iluminação, literatura, escultura, arquitetura, pintura e mobiliário.
Aristóteles (384-322 a.C.) formula mimesis: a arte recria o princípio criador de todas as coisas. Pois a arte e a ciência corrigem as falhas da natureza. No caso das artes, ele diz existir as maiores e as menores. Por exemplo: As Artes Cênicas seriam as maiores, enquanto o teatro, o circo, a dança e a ópera são artes menores (estão contidas nas Artes Cênicas). A maior das artes, a que está no topo de tudo, é a política.
A tragédia imita as ações da alma humana (racional do homem). Na alma racional encontram-se as faculdades, as paixões e os hábitos. Faculdade é ser capaz. Paixões são faculdades realizadas. Hábitos são paixões constantes.
Ações humanas têm relação com a felicidade, o agir de forma virtuosa. Na virtude não há excessos, nem carências. O vício é o comportamento extremo.
São condições da virtude: voluntariedade; liberdade; conhecimento e constância. A virtude da política é a justiça.
A tragédia imita as ações da alma racional, paixões transformadas em hábitos, do homem que busca o comportamento virtuoso, que é aquele que se afasta dos extremos possíveis em cada situação dada concreta, cujo bem supremo é a justiça, cuja expressão máxima é a constituição.
A finalidade da tragédia é a catarse (correção, purificação). O herói trágico é um exemplo a ser seguido. O estado utiliza o teatro para coerção do povo.
Na ação do herói há o ethos (própria ação) mais a dianóia (justificativa da ação - discurso).
Ethos: conjunto de faculdades, paixões e hábitos; boas tendências, menos uma (harmatia ou falha trágica).
Como funciona o sistema trágico coercitivo de Aristóteles
Começa o espetáculo. Apresenta-se o herói trágico. O público estabelece com ele uma forma de empatia.
Começa a ação trágica. Surpreendentemente, o herói revela uma falha no seu comportamento, uma harmatia e, mais surpreendente ainda, revela-se que em virtude dessa harmatia o herói alcança a felicidade que agora ostenta.
Através da empatia, a mesma harmatia que o espectador possui é estimulada, desenvolvida, ativada.
Subitamente, acontece algo que tudo modifica. Isto é o que a poética qualifica de peripécia: uma modificação radical no destino do personagem. O espectador que até então teve a sua própria harmatia estimulada, começa a sentir crescer seu terror. O personagem inicia seu caminho para a desgraça.
A peripécia é importante porque faz com que seja mais longo o caminho da felicidade à desgraça. Quanto mais alto o coqueiro maior é a queda, diz a canção popular. Mais impacto se cria por esta via.
A peripécia que sofre o personagem se reproduz igualmente no espectador. Porém poderá também ocorrer que o espectador acompanhe o personagem empaticamente até a peripécia e que se desligue do mesmo a partir daí. Para evitar que isso aconteça, o personagem trágico deve passar igualmente pelo que Aristóteles chama de anagnorisis, isto é, pela explicação, através do discurso, de sua falha e do reconhecimento dessa fala como tal. O herói aceita seu próprio erro, confessa seu erro, esperando que, empaticamente, o espectador também aceite como má sua própria harmatia. Mas o espectador tem a grande vantagem de que cometeu o erro somente de forma vicária: não tem que pagar por ele.
Finalmente, para que o espectador tenha presente as terríveis conseqüências de cometer o erro, não apenas vicária, mas realmente, Aristóteles exige que a tragédia tenha um final terrível, ao que chama catástrofe. Não se permitem finais felizes, embora não seja necessária a destruição física do personagem portador da harmatia. Alguns morrem, enquanto que outros vêem morrer seus seres queridos. De qualquer forma se trata sempre de uma catástrofe em que não morrer é pior do que morrer. Estes três elementos interdependentes têm por finalidade última provocar no espectador (tanto ou mais do que no personagem) a catarse. Quer dizer: a purificação da harmatia, através de três etapas bem determinadas e claras:
1ª etapa: estímulo da harmatia; o personagem segue o caminho ascendente para a felicidade, acompanhado empaticamente pelo espectador.
Surge um ponto de reversão: o personagem e o espectador iniciam o caminho inverso da felicidade à desgraça. Queda do herói.
2ª etapa: o personagem reconhece seu erro: anagnorisis. Através da relação empática dianóia-razão, o espectador reconhece seu próprio erro, sua própria harmatia, sua falha anticonstitucional.
3ª etapa: catástrofe: o personagem sofre as conseqüências do seu erro, de forma violenta, com sua própria morte ou com a morte dos seres que lhe são queridos.
Catarse: o espectador, aterrorizado pelo espetáculo da catástrofe, se purifica de sua harmatia.
A poética do oprimido
A poética do oprimido propõe a própria ação, a conversão do espectador em ator.
Enquanto Aristóteles propõe a catarse e Brecht a consciência, Boal propõe a ação.
1 - Conhecimento do corpo: Seqüência de exercícios em que se começa a conhecer o próprio corpo, suas limitações e suas possibilidades, suas deformações sociais e suas possibilidades de recuperação.
2 - Tornar o corpo expressivo: Seqüência de jogos em que cada pessoa começa a se expressar unicamente através do corpo, abandonando outras formas de expressão mais usuais e cotidianas.
3 - O teatro como linguagem: Aqui se começa a praticar o teatro como linguagem viva e presente, e não produto acabado que mostra imagens do passado.
1º grau: Dramaturgia simultânea - Os espectadores escrevem, simultaneamente com os atores que representam.
2º grau: Teatro-imagem - Os espectadores intervêm diretamente, falando através de imagens feitas com os corpos dos demais atores ou participantes.
3º grau: Teatro-debate - Os espectadores intervêm diretamente na ação dramática, substituem os atores e representam, atuam.
4 - Teatro como discurso (teatro como espetáculo): Formas simples em que o espectador-ator apresenta o espetáculo segundo suas necessidades de discutir certos temas ou de ensaiar certas ações.
1. Teatro jornal - improvisação (a notícia é cenicamente improvisada, explorando suas variantes); leitura com ritmo (cantar a notícia).
2. Teatro invisível - representar uma cena em um ambiente que não seja o teatro e diante de pessoas que não sejam espectadores.
3. Teatro-fotonovela - ler a fotonovela e depois os participantes representariam a fotonovela contada. Ao término, deve-se comparar a representação com a fotonovela impressa e ver as diferenças.
4. Quebra de repressão - Escolher alguém e uma repressão. Encenar, repetir e não ceder, depois ser o opressor.
5. Teatro-mito - contar um mito, desvendando os reais interesses de sua existência e perpetuação.
6. Teatro-julgamento - participante conta uma história. Os atores improvisam. Após, decompõem os personagens principais (protagonista deuteragonista, tritagonista) em seus papéis sociais e pedem que os participantes escolham um objeto para simbolizar cada papel. Após, conta-se novamente a história, excluindo-se da trama alguns símbolos verificados. Pede-se que os participantes façam combinações entre os personagens e os símbolos.
7. Rituais e máscaras - consiste em revelar os rituais das relações humanas e as máscaras de comportamento social que esses rituais impõem sobre cada pessoa, segundo os papéis que representam na sociedade e os rituais que deve representar (ex.: padre e confessor; o professor e o aluno).
BIBLIOGRAFIA:
BOAL, Augusto. Teatro do oprimido e outras poética política. 5. ed. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1988.
____________. 200 exercícios e jogos para o ator e o não-ator com vontade de dizer algo através do teatro. 4. ed. Civilização Brasileira: Rio de Janeiro, 1982.
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| Segunda-feira, Setembro 15, 2003 |
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Crônica nº 1 (ou ¿o caldeirão das bruxas¿)
Bem, para começar vamos deixar de lado um pouco o rigor da ciência, e a formalidade de algumas manifestações artístico-literárias, a fim de escrever sobre o cotidiano, inspirado apenas no livre fluxo do pensamento. Não se trata de deixar fluir as palavras como numa sessão psicanalítica, através de livre associação, mas de exercer a liberdade de expressão de maneira bem espontânea através da escrita. Enfim, acho que vou começar a escrever crônicas.
O que é uma crônica? Para mim, é exatamente isso tudo que eu falei antes, e mais alguma coisa: a crônica tem como objeto aquilo que é da ordem do particular, e não do universal. É neste sentido que eu falo em deixar de lado o rigor científico, o objetivismo da ciência. Não se trata de encontrar soluções, nem de expor problemas de maneira formalizada, e nem de escrever uma obra literária; trata-se apenas de expor opiniões, simples divagações do pensamento. Minha pretensão não é a de encontrar uma verdade. Sinto muita dificuldade, a cada dia, de pensar sobre o conceito de verdade. A verdade absoluta para mim já pegou um trem para bem longe há muito tempo. Restaram-me apenas dois conceitos de verdade: uma verdade objetiva e uma verdade subjetiva.
Acredito que a verdade objetiva é tudo aquilo que transcende as palavras, que está além do mundo simbólico. Trata-se, portanto, da realidade como ela é, daquilo que é o objeto das ciências. Aí é que entra o problema, existe tal realidade? Não pretendo responder a esta pergunta, isso fica a critério do leitor. Em segundo lugar, acredito na existência de uma verdade subjetiva, particular ao sujeito, que é objeto de estudo das ciências humanas, da psicanálise e das artes. Esta verdade subjetiva é, na verdade, uma mentira, uma ilusão. Digo isso no sentido de que, neste caso, não há uma correspondência exata entre aquilo que afirmamos e a realidade, a qual não sabemos se, de fato, existe.
A cada vez que abrimos a boca para falar ou escrevemos alguma linha no papel, estamos sujeitos a falar muitas besteiras; parece que grande parte das palavras que proferimos são falsas, ou limitadas. Uma palavra é um contorno bem delimitado de tudo aquilo que existe na ¿realidade¿, do que sentimos. É como se existisse um trem bala em nossas vidas, uma locomotiva carregada de violência, paixão, desejos; um caldeirão de bruxas, no qual há inveja, ciúme, competição, intrigas, e todas as leis da natureza. Toda esta loucura passa o tempo todo em nossas vidas como essa ¿loucomotiva¿; e a palavra que escapa, que pula a janela a zilhões de pensamentos por segundo, está cometendo um suicídio, está se arriscando, tentando fugir da angústia, da clausura que é estar presa num corpo, e numa mente. A mente nos engana, mente. O corpo nos tolera. O corpo quer pegar carona na ¿loucomotiva¿ e gozar da velocidade e da intensidade proporcionada pela sensação de prazer desmedido. A mente, coitada, tenta arremessar palavras através de nossas bocas, é sempre um risco. Mesmo assim, é necessário falar essas bobagens, pois é em meio ao caos dos sentimentos e da natureza, que podem surgir essas verdades objetivas e subjetivas, propiciadas pelo ato de pensar. É a ilusão do eu que impede esse trem de entrar em colapso, de descarrilar. E esse trem tem como destino a morte. Por isso, enquanto estivermos vivos, temos que nos arriscar através das palavras e do pensamento. Pensar é preciso para que o viver tenha sentido.
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| Domingo, Setembro 14, 2003 |
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Os meus companheiros de blog, já completamente putos, porque querem que eu fale de ¿Ciências Políticas¿ de uma forma convencional, insistem que devo mudar o tom do estilo. Após, como eu tô estudando neste momento o cordel, vou atender aos pedidos desesperados de Eveline, sobretudo, e fazer um texto enorme e cheio de citações para o gozo da galera. Aproveitem.
CORDEL E RESSIGNIFICAÇÃO
Embora a maioria dos pesquisadores concorde que a literatura de cordel veio ao Brasil, sobretudo ¿através dos colonizadores lusos¿ (Antologia de Literatura de Cordel, p. 11, 1994), ou como ¿uma extensão da tradição literária de Portugal¿ (Curran, p. 11, 1973), o fato é que, aqui ao chegar fez-se o ¿sincretismo com os mitos indígenas e com as narrativas africanas¿ (Carvalho, in: Cult) dando-lhes um novo sentido e significado.
Esta narrativa que ¿passou a ser impresso em forma de versos¿ (Carvalho, in: Cult), a partir de fins do século XIX, teve no cantador Silvino de Pirauá ¿ ¿pioneiro ao fazer imprimir os versos que criava e difundia na forma oral¿ (Barbosa, p. 15 1997), e Leandro Gomes de Barros ¿ ¿o mais importante dos poetas populares da literatura de cordel do Nordeste do Brasil¿ (Curran, p. 11 1973), um dos seus principais precursores.
Silvino de Pirauá e Leandro Gomes de Barros são talvez as primeiras sínteses de um processo de recriação desta poética. Uma transição que se fez permanente, híbrido, entre um código (música) com outro (literatura). Entre o oral e o escrito. Esta relação é que faz com que o pesquisador Gilmar de Carvalho afirme ser o cordel uma ¿literatura oral¿ (in: Cult). Isto é, uma literatura que apesar de ter como base o texto impresso se caracteriza ¿pela codificação de uma linguagem ajustada aos valores poéticos de uma comunidade culturalmente consubstanciada na oralidade¿ (Quintela, 1996 p. 19).
Fato que possa vir a justificar sua intensa popularidade, aceitação e difusão, fazendo com que a literatura brasileira encontre nesta poesia uma de suas mais extensas formas de narrativa, enquanto comunicação poética elevada à condição de ¿jornal do povo¿ (Curran: 2001: 20) nordestino.
Os temas centrais que exemplificam uma relação com a Península Ibérica tratam de romances de cavalaria, princesas dragões, entre outros. Segundo afirma Grangeiro, o cordel ¿apresenta-se bastante variado e vai desde os romances tradicionais- Carlos Magno e os Doze Pares da França, a Princesa Magalona, João de Calais, etc, que nos chegaram da Idade Média, através do romanceiro Ibérico¿ (2002:133/134).
Essa relação com temas medievais só mudaria a partir nos anos 30, segundo Ruth Brito Terra, quando os poetas passam a relatar os fatos específicos do seu contexto. Os temas ibéricos são ¿digeridos (antropofagicamente, no sentido oswaldiano) e recriados com os gostos e sabores locais, até assuntos históricos brasileiros, ligados ao misticismo, à religiosidade, cangaço, desastres e até mesmo pornografia¿ (idem, 2002 : 133/134).
Esta literatura que se inicia no Brasil em fins do século XIX, vai conhecer uma grande difusão, produção e distribuição, notadamente, até o ¿boom¿ dos anos 50 (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980: 90). A ¿década de 1940 e 1950 foi, apesar da censura policial do último qüinqüênio do estado Novo (1940-1945), muito favorável ao cordel¿ (idem). Neste período ¿havia uma rede bem estruturada de comercialização¿ (Carvalho, 2002 : 8) onde estes eram vendidos ¿nas feiras, nas festas de padroeiros (...) existia todo um circuito que funcionava¿ (idem).
Este movimento foi impulsionado, entre outras coisas, pelas instalações de gráficas no Nordeste. Entre 1904 e 1930 soma-se, segundo nos informa o livro Autores de Cordel, ¿21 tipografias que imprimem folhetos¿, (1980: 90). Nas décadas seguintes surgem as tipografias dos poetas, que também passam a serem editores. As mais importantes são a ¿Popular Editora¿, de Francisco das Chagas Batista, na Paraíba; ¿Guajarina¿ em Belém do Pará, de Francisco Lopes e a ¿São Francisco¿, de José Bernardo da Silva, em Juazeiro do Norte-Ceará. Nesta última, nas décadas de 1940-1950, a prensa cortante das máquinas funcionava a todo vapor, e ¿tirava um mínimo de 12 000 folhetos por dia¿ (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980:91), dado que confirma o quanto esta poética teve aceitação e difusão no seu contexto de produção e recepção.
Porém, registra, em 1960/1970, uma ¿série crise¿ (idem, 1980: 91) no sistema do cordel . Vários fatores são mencionados para justificar esta premissa: a TV, o êxodo rural, a inflação, entre outros. A maioria das gráficas (tipografias) é fechada, como a São Francisco, do editor José Bernardo da Silva , em Juazeiro do Norte.
Neste sentido, advém deste período, uma intensa campanha de que esta narrativa estaria morrendo. O cordel passa neste momento a ser visto no discurso de alguns pesquisadores como uma literatura superada, morta:
¿o problema do cordel em forma escrita, publicado em folheto, ao meu ver é um assunto praticamente liquidado. Não acredito que isso tenha vida muito longa, ou melhor, acredito que o cordel já morreu, está com a vida falsa¿ (Almeida, 1982: 17 ).
Diathay de Menezes, sobre este assunto, também ressalta:
¿Há quatro anos atrás assisti a uma reunião semelhante a essa, com esse mesmo tom saudosista. Com esse mesmo tom de lástima e lamentação. Só que na época eu estava no lugar do Prof. Átila e fui quase agredido. De modo que gostaria de lembrar que essas atividades feitas pelas Universidades podem parecer beneméritas, mas a beleza do túmulo não torna o repouso mais agradável¿ (Menezes, p. 41, idem).
Apesar dos efeitos econômicos sobre a produção do cordel, como o fechamento de gráficas, o êxodo rural, entre outras transformações geradas pela economia, as caracterizações de morte desta narrativa foram no mínimo exageradas.
O fato é que, ¿na década de 1970, uma nova fase na produção de cordel, assinalada por um razoável aumento das tiragens, confirma um novo surto¿ (Meyer, in: Autores de Cordel, 1980: 92). Começa a se movimentar, contraditoriamente, no mesmo período que enterram a literatura de cordel, uma ¿razoável¿ retomada da mesma. Segundo o pesquisador José Erivan Bezerra de Oliveira
¿Já a partir da década de 80, começam a se desenvolver novas formas (principalmente nas cidades) de ver, ouvir e transcrever para o Cordel a realidade emergente; surgem as academias, novos autores, muitos dos quais com nível superior e vindos de uma tradição rural, que partem para reivenção dessa tradição, unindo uma formação intelectual e erudita (às vezes não) com a memória, com o que ficou guardado da tradição rural e oral. Essa reinvenção- extremamente lucrativa- permite que a suposta ¿morte¿ do Cordel não aconteça, ou antes, transforme-se em uma nova vida, que representa ainda mais quem a produz, criando uma espécie de identidade, mesmo que ela seja parcial e esteja também em constante movimento¿ (Oliveira, 2001, p. 5)
Esta análise, no qual concordo e compartilho, demonstra as estratégias pela qual foram construindo um novo surto em que os poetas iniciam uma nova retomada do cordel. Este processo é visto, mas notadamente quando os cordelistas ocupam outros espaços de performance, anunciam outras temáticas e viabilizam grupos, academias e sociedades. Relativo a esta organização dos poetas a imprensa local identifica:
¿com a chegada das emissoras de rádio, da televisão e dos jornais que circulam no mesmo dia na mais longínqua cidade do interior, o cordel perdeu a sua força como instrumento de informação e divertimento. Isto exigiu dos que da literatura se alimentavam uma nova postura. Foi através da organização que os poetas sobreviveram a avalanche de informações imposta pela mídia eletrônica¿ (Jornal O Povo, 13 de fevereiro de 2001).
Esta campanha de morte do cordel tem haver com um processo mal compreendido de uma transição entre um contexto de tradição que se descontextualiza, para outro. Talvez, possa-se dizer que há um declínio de um modelo no sistema do cordel concernente à sua forma de produção, comercialização e difusão. Porém, esse sistema não morre, ao revés, se amplia e encontra eco ao se redimensionar para outros espaços, propiciando outros receptores, incorporando as novas tecnologias, propiciando outras temáticas, e, sobretudo, surgindo novos autores. Neste sentido é que é ¿interessante pensar em uma mudança do perfil do poeta popular. Hoje o produtor tem formação universitária e faz um cordel para um outro público. Mudaram o poeta e o receptor¿. (2002: 9), diz o pesquisador Gilmar de Carvalho.
A própria ¿atualização lingüística que aconteceu na Literatura de Cordel, foi, antes de tudo, de fundamental importância para sua própria sobrevivência, pois a própria linguagem se modificou¿ (2001, p.49). Estas etapas e linguagens que vão se diferenciando, funde-se noutra lógica. Essa lógica evidencia a dinâmica inerente que tem as formas de linguagens artísticas de moverem-se na realidade, inclusive ocupando outros espaços e se imbricando com as novas tecnologias.
Acredito que este novo momento do cordel faz uma conexão entre os velhos paradigmas de seu sistema, que vigorou até década de 1970, com outro contexto que incorpora, intertextualiza, rompe e provoca sua ressignificação, apresentando, neste sentido, outras características. O movimento atual do cordel, embora vindo de uma ¿crise na edição popular¿ (p, 47-Cult), não determinou sua morte anunciada, ao revés, ele anuncia, na contemporaneidade, a imbricação com outros códigos, inclusive, para permanecer. Neste aspecto é que o
¿cordel está presente na música de e Zé Ramalho, Ednardo, Xangai, Alceu Valença e, pricipalmente Elomar, transformaram esse universo poético em canção. Contemporaneamente, o Mesrtre Ambrósio, o Cordel do Fogo Encantado, a Cabruêra! E o Dr. Raiz, mas o espectro vai de Luis Gonzaga ao Armorial, de Jackson do Pandeiro ao mangue-beat. Na dança, pode-se falar no Parabelo, do grupo Corpo (música de Tom Zé/Wisnik). O cordel vem a ser essa manifestação camaleônica apropriada por vários códigos¿ (Carvalho, pp10/11, 2002).
Vele salientar que o termo ressignificação é aqui pensado e estabelecido tendo em vista de que as manifestações culturais não são estanques, nem perenes. Elas se movem, dialogam e se transformam a partir das práticas sociais e o cordel, ao fazer parte da cultura também passa por estas modificações. Há uma rede de elementos do contexto cultural brasileiro em conexão que interagem na trajetória desta narrativa, e que apontam no interior outros sentidos simbólicos.
Neste sentido, entendo a ressignificação como a capacidade que tem a cultura de ganhar outros sentidos, sem, entretanto, negar-lhes totalmente sua origem. É um ¿novo¿ convivendo com um ¿velho¿, sobretudo, para que este permaneça. Não seria a ressignificação, portanto, uma descaracterização, mas uma dinamização norteada pelos elementos que compõem um contexto onde tradição e contemporaneidade se hibridam, projetando na memória dos poetas uma ¿subjetividade-singular e coletiva¿ (Babha, apud, Oliveira, 2002) propulsora de uma reinvenção de novos processos e usos para esta linguagem.
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| Sábado, Setembro 13, 2003 |
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"Pros que estão em casa" neste sabadão à noite (aqui no Rio ta caindo um toró do caralho hoje!!!), eis-me aqui, de volta ao cyberspace. Para quem não estiver satisfeito com isso, ainda pode contar com o recurso de mudar de blog (tô nem aí, tô nem aí...). Bem, mas se eu fosse vocês não faria isso, pois hoje tentarei algo absolutamente inédito por aqui (falo por mim, claro): ser sério.
Nesta última quarta-feira, o Ministro da Educação, Prof. Cristovam Buarque, passou recibo da falência do sistema educacional brasileiro, ao declarar em entrevista ao jornal O Globo tudo aquilo que nós já estamos carecas de saber - que os professores fingem que ensinam, e os alunos, que aprendem (isso quando existem professores nas salas de aula - aqui no Rio eles foram incluídos na lista dos animais em risco de extinção.). Entre suas assertivas, ele afirmou estar a universidade pública hoje a serviço de uma elite que se apropria da mesma para fins de enriquecimento, não raro ilícitos.
Em um outro episódio recente sobre o mesmo tema, a Secretária de Estado de Educação do RJ, Profª Darcília Leite, aponta como recurso para os estudantes da rede pública, candidatos aos concursos vestibulares e prejudicados com as significativas perdas de aulas no decorrer de dias de greve (e outros tantos sem professores, como já falamos aqui) que se utilizassem de todos os recursos que a nossa sociedade globalizada-interneticamente-conectada oferece. Perfeito, não?
Temos aqui dois eventos que demonstram com toda a clareza a maneira como é tratado o acesso às oportunidades intelectuais neste país. Seja pelo caminho da sinceridade ineficaz, seja pelo cinismo exarcebado, o fato é que o problema existe e, como sempre, estamos diante dele como os hebreus esperando chover maná do céu - resquícios da nossa herança judaico-cristã, de certas coisas é realmente complicado fugir... (sic) E nesse meio tempo, as coisas acontecem.
Puxando a brasa para a nossa sardinha: nosso país é próspero em iniciativas musicais de cunho popular. Tudo o que faz ou já fez sucesso musicalmente no exterior emana de nosso povo (essa última frase parece roubada de algum hino municipal da vida, com aqueles versos bem rocambolescos, cafonamente parnasianos, no que isso pode ter de pior). É claro que dia ou outro se lê nos segundos cadernos da vida sobre algum virtuose do piano que fez sucesso em algum concerto na Europa Oriental, mas isso é tão raro que nem conta - e a maioria caga e anda, muito embora ache simplesmente um luuuuuuuuuuxo total - pois, convenhamos, isso é quase tão cotidiano quanto a física quântica.
No entanto, até atingir-se o reconhecimento de público e crítica (no Brasil, só a morte eleva o artista a este patamar de excelência), o cidadão leva muita pedrada na testa. Sambistas, roqueiros e caipiras, todos eles já foram (e ainda são) profundamente espinafrados pelos canais (in)competentes.
E assim, amigos, iniciamos mais uma nova era do nosso blog: a galeria do espinafre. Toda semana espinafraremos ou falaremos de alguém que já foi espinafrado. Venha, participe! Contamos com sua colaboração nesta nova empreitada...
Beijundas!
RONY
A agenda da semana para os roqueiros (informe os eventos de sua cidade pelo e-mail ronyl@bol.com.br). Você, pagodeiro, forrozeiro, funkeiro, participe, este espaço é seu!!!
HELLOWEEN
¿ 11/09 - Porto Alegre (Bar Opinião). Info: (51) 3299-0900
¿ 12/09 - Curitiba (Moinho São Roque). Info: (41)333-3964
¿ 13/09 - São Paulo (Via Funchal). Info: (11) 6605-6011
¿ 14/09 - Belo Horizonte (Marista Hall - confirmado!). Info: (31) 3228-7500
¿ 16/09 - Rio de Janeiro (Canecão). Info: (21)2552-2449/2287-5645
DEEP PURPLE
¿ 12/09 - Fortaleza (Marina Park)
¿ 13/09 - Recife (Classic Hall)
¿ 16/09 - Rio de Janeiro (ATL Hall)
¿ 18/09 - Porto Alegre (Jockey Club)
¿ 19/09 ¿ Curitiba
¿ 20/09 - São Paulo (Estádio do Pacaembu) - Kaiser Music Festival, com Hellacopters e Sepultura
¿ 21/09 - Belo Horizonte (Mineirinho)
LIVE
¿ 25/09 - São Paulo (Via Funchal)
METALLICA
¿ 30/10 - Rio de Janeiro (ATL Hall)
¿ 01/11 - São Paulo (estádio Pacaembu). Ingressos: (11) 6846-6000
BRASÍLIA MUSIC FESTIVAL -26/09 - Brasília/ DF
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| Sexta-feira, Setembro 12, 2003 |
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Ainda sobre curtas, o Festival ocorrido em São Paulo que terminou no último domingo (7/9), recebeu 161 inscrições brasileiras e exibiu 382 títulos de 42 países. O prêmio de revelação ficou com o curta "Por dentro de uma gota d'água", de Marina Mellande e Felipe Bragança.
Como por trás de todo curta, filme e peça há um roteiro, muitas histórias e idéias são escritas para serem transformadas em filmes de curta-metragem. Algumas dessas histórias eu encontrei no documento "Estórias de Curta-Metragem", escrito por Pedro Luiz Bello Daldegan.
Diretor de curtas desde a sua adoloscência, Luiz Bello reuniu seus contos neste documento, e alguns destes se tornou de fato, filmes. São doze contos no mínimo interessantes. Destaque para "Consciência", que relata os pensamentos de uma mente que perde o poder sobre o corpo.
Para conhecer os vencedores do festival de curtas de São Paulo, clique nos links abaixo:
» Eleitos pela crítica
» Eleitos pelo público
Para ver o documento Estórias de Curta-Metragem, clique aqui. |
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| Quinta-feira, Setembro 11, 2003 |
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Epicurismo e Estoicismo com o mesmo sangue entre as veias
::O retorno da filosofia helênica na Quinta do Se7e::
Apesar de ambas serem filosofias helênicas com consideráveis pontos em comum, existem, naturalmente, as discordâncias. É como se fossem primos de primeiro grau, mas vez em quando um olha de cara feia pro outro, aí pegue bala. É quase sempre culpa do estoicismo, mais falador e arengueiro, vive dizendo que o primo é um bicho fútil, que só quer saber de farra, de ter prazer. Quer ser o santinho. Entra dentro dum barril e diz que num precisa mais de nada. Uma chamadinha de vinho, não. Um jardim com amigos, não. Constância é palavra-chave. Até um corpo saudável, a boa saúde, é pura frivolidade pro estoicismo. Tenta parecer "zen", superior. Acham os deuses bonitinhos:
"a alma do sábio deve ser tal qual a que conviria a um deus!
O prazer rouba a energia da alma" (Sêneca) exclama, olhando desdenhoso pro epicurismo.
Estoicismo não gosta de ladeira, só de linha reta. Quando se esquiva do prazer, é já receando as conseqüências. Epicurismo é mais baiano. Diz
oxe minino...... relaxe....... deixe de coisa........ vamu ali aproveitar o dia.... trocar umas idéias.....satisfação de viver..... contemplar a natureza...... ô viajem boa esse negócio de ter vida
Não. Pro estoicismo não tem jogo. Mantém-se estático pra não haver perturbação. Rijo, rigoroso, implacável. Seu maior sonho é ser uma pedra.
Epicurismo logo acha que o primo tá sendo exagerado. E segue sua vidinha boa aperreada.
Mas de um modo geral se dão muito bem. (nada que uns cascudos não resolvam)
Particularmente gosto dos dois. Tá bom, tá bom: o epicurismo é meu xodozinho. Isso decorre da minha concepção auto-comprovada de que ser humano é uma engrenagem carne-osso-desejo, incapaz, portanto, de aprisionar paradoxalmente a vida na ausência de vida. Até concordo com a idéia estóica da felicidade não relacionar-se aos excessos, mas desconheço modo dela existir mediante ausência da harmonia do corpo ou excetuando da satisfação natural.
Até que venha um estóico (alô, Th) me fazer compreender como é que faz pra, dentro da humanice do corpo, atingir o estágio desenvolvido da transcendência (do lance bem 'deusificado' como queriam), continuo achando ingenuidade tentar.
[otário= Sm. Pop. indivíduo ingênuo, tolo, inocente, que se deixa enganar]
Sobretudo quando me percebo uma coisa carente de oxigênio e vem Sêneca, Estóico, afirmar que "todo aquele a quem falta algo pra ser bom, é mau", me sobe um furor pernicioso que dá uma comprovação: Epicuro engraçou-se de mim. Não tem pra onde, alteio a bandeira do epicurismo, tendenciosa (percebe-se). Por um motivo: esse extremismo todo que circunda o estoicismo não me agrada.
O que não significa que Epicuro agrade integralmente. Tudo tem três lados, já dizia o homem. É extrair a parte boa e esquecer o resto.
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| Quarta-feira, Setembro 10, 2003 |
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MEMÓRIA
Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão.
Carlos Drummond de Andrade
Lendo esta poesias de Drummond, resolvi publicar aqui um texto meio "bobo" (que fala de amor) o qual escrevi há uns dias atrás no meu blog. Na poesia de Drummond vimos que "as coisas findas, muito mais que lindas,essas ficarão." O texto abaixo fala um pouco disso... amores...tentativas de definições, coisas que sempre ficaram... bem... leiam.
Coração
[Do lat. cor, poss. com suf. aumentativo de reforço.]
S. m.
1. Anat. Órgão muscular situado na cavidade torácica que, nos vertebrados
superiores, é constituído de duas aurículas e dois ventrículos, e que recebe o
sangue e o bombeia por meio dos movimentos ritmados de diástole (q. v.) e de
sístole (q. v.). [Nos reptis, o coração tem três cavidades e nos peixes, duas.]
Por que as pessoas tendem a achar que o coração é só um músculo??
Dizem que tudo o que sentimos em relação à emoções está ligado as nosssas mentes . Dizem que essa história de coração... foi criada pela mídia.
Dizem que as nossas emoções são contraladas pelo Senhor Cérebro. Acreditar nisso seria adimitir que todas as nossas reações diante de sentimentos está limitada ao nosso cérebro? A emoção seria controlada pelo inconsciente e a razão pelo consciente?
Não entendo nada dessa parte fisiológica do cérebro. Não entendo também por que temos que nos preocupar com a RAZÃO. Algumas pessoas usam a razão como um escudo. Algumas? Eu também? Acho que já não sei mais. Seria a D. Razão parte importante nas coisas relacionadas ao coração? A presença da D. Razão seria uma tendência a Frieza? Seria a D. Razão responsável pelo fato de alguns relacionamentos não darem certo? Seria a Senhorita Emoção responsável pelos grandes amores e pelos desamores? Acredito que o orgão muscular que bate-bate-bate-bate ... bate forte e incontrolavelmente, anda de mãos dadas com a EMOÇÃO e está ligado constantemente com o movimentos involuntários de nossa mente e consequentemente esses movimentos involuntários nos causam várias sensações: medo, angustia, alegria, ânsias, paixões, calafrios, sorrisos, olhares, dores, amores e desamores. Muitas vezes essas sensações nos proporcionam momentos bons. Muitos inesquecíveis. Muitos também que queremos esquecer.
Seria então o AMOR um resultado de alguma manisfestação do inconsciene? O Amor seria uma ciência? Uma ciência involuntária? Ou seria o resultado da ausência de paixão? Dizem que quando a paixão acaba vira Amor. Dizem que Paixão e Amor são sentimentos que andam separados. It´s Bull Shit! Acredito que não há Amor sem Paixão. Acredito que para que o Amor exista é necessário que haja Paixão. Acredito que o brilhar dos olhos e que os sorrisos involuntários são elementos necessários para que um Amor se mantenha vivo. Acredito também que o Amor é paciente e que ele sobrevive sozinho muitas vezes. Só não sei o tempo de vida de um Amor solitário.
Acredito que o Amor é uma Ciência do coração e não uma Ciência exata, como muitos lidam. Amar muitas vezes dói. Dói...mas antes uma dor, do que uma Conciência Exata e Medida.Não queremos chamar de Amor o que temos medo de nomear. E por não querermos nomear criamos elementos companheiros da existência humana: dor, insegurança e medos.
Não há fórmulas para o Amor. Apenas ama-se. Ama-se pelo simples fato de não termos muitas vezes escolhas. O Amor é involuntário ! Para Amar... paga-se um preço alto... mas lembrem -se que muitas pessoas não estão dispostas a pagar.
Amaré simplesmente amar... e poder sorrir.
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| Terça-feira, Setembro 09, 2003 |
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labareda + povoando meu ser = pirofagia
Sempre cri na completude do ser. Pensar em atuar ¿ teatro ¿ requer estar imbuído de; estar disponibilizando material para a composição da personagem. Por isso que ousei fazer dança em um determinado tempo de minha vida. A força motriz continua a ser a mesma, e o circo... dos horrores, faz-me querer ser eu mesmo.
Aprendi (será?!) pirofagia com um amigo durante alguns dias. Definitivamente foi um teste de fogo. Todos os meus pêlos existentes nos braços foram-se. Há 3 dias não vou trabalhar (depois da festa de sábado, onde eu me apresentei deverasmente embriagado, acabei beijando em várias bocas, tomando banho com outra pessoa, e dormindo com outra... bem sei que sou péssimo... com números). Meus sucos gástricos foram contemplados pelo olfato, paladar e visão. Meus rins não suportaram o querosene filtrado. Lábios de fogo. Sim, sei do que se trata. Sei, também, que o prazer de ser completo está em mutilar seres. Naquela noite, meu teatrinho-de-beira-de-rua desramou muitos.
Meu próximo passo será o tecido acrobático. Há uma certa atitude de catartidiforme em fazê-lo, daqueles que solitários, percorrem mundos a perder penas, sem, contudo, estabelecer carinhosamente suporte, em ninho, para um relacionamento austero. Então, minha dor será tenebrante.
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| Segunda-feira, Setembro 08, 2003 |
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Perspectivas da teoria da aprendizagem social sobre o desenvolvimento infantil
A teoria da aprendizagem social, proposta por Albert Bandura e Walter Mischel, herdou aspectos da teoria behaviorista da aprendizagem, de Watson; porém, acrescentou alguns fundamentos novos, tais como o fato de as crianças utilizarem o comportamento observado em outras pessoas para aprender a realizar uma ação semelhante. Os teóricos da aprendizagem social utilizam alguns termos para explicar o comportamento da criança, tais como o conceito de reforçador primário, que corresponde a um evento que tem por objetivo reduzir o impulso biológico, satisfazendo esta necessidade da criança, como no caso da alimentação; já os reforçadores secundários correspondem às pessoas ou objetos presentes quando um impulso é reduzido. Os estudiosos da aprendizagem social acreditam que o papel reforçador da mãe produz um certo grau de dependência na criança, pois está associada com prazer e redução do desprazer (1999, Newcombe).
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| Sexta-feira, Setembro 05, 2003 |
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Desde 28 de agosto e até 6 de setembro está acontecendo o 14º Festival Internacional de Curta-Metragens de São Paulo, no MIS - Musel da Imagem e do Som. Festival que exibe John Woo, Tony Scott, Jaques Tati e muitos outros talentos. Sua programação apresenta 382 filmes de 42 países!
Os primeiros filmes, rodados pelos irmãos Lumière em 1895 tinham um pouco menos de 60 segundos de duração, pois usaram apenas um rolo de filme com 15 metros de comprimento rodando a uma velocidade de entre 16 e 18 quadros por segundo. Com o tempo, percebeu-se que poderia se usar mais de um filme para contar uma mesma história. Bastaria colar o fim do primeiro filme no início do segundo e assim por diante. Assim os filmes poderiam crescer de uma forma indefinida, mas outro ponto físico determinou o tamanho do filme: o recepiente em que seria guardado e transportado.
Hoje os filmes são transportados em latas que comportam um rolo de 13 a 15 minutos. Exatamente o tempo médio de um curta-metragem. Apesar da maioria dos filmes feitos atualmente utilizarem dois, três, quatro ou até se7e rolos ou mais, isto é, filmes de 120 minutos, o curta-metragem permanece como uma alternativa para tipos específicos de filmes, como pequenos documentários, contos, fábulas, comédias ligeiras e filmes que causam impacto visual. E, porque não, curtas com intervalos que os fazem ter 30 minutos, as chamadas séries "sitcom".
Os curtas estão por aí e nem percebemos. No desenho de 8 minutos, na propaganda de 30 segundos e até em animações em flash (alguém aí já visitou o site do Anima Mundi Web?. Pessoas talentosas trabalham para contar uma boa história ou transmitir uma mensagem em um curto espaço de tempo utilizando a imagem e muitas vezes o som, coisa que muita gente não consegue com duas horas disponíveis.
Há curtas assustadores, divertidos, documentários, animados. De todos as categorias que costumamos ver nos longa-metragens.
Através dos curtas, podemos ver o mundo por outros olhos, olhos do seu criador. Através dos curtas, talentos surgem, com uma capacidade enorme de poder contar belas histórias. Através dos curtas, podemos trocar aquele longa ruim de se7e rolos por se7e curtas de um rolo cada. E ainda com qualidade.
Para saber mais, visite:
MIS - Museu da Imagem e do Som
Porta Curtas
Anima Mundi Web |
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| Quinta-feira, Setembro 04, 2003 |
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Com a força da espada de He-man, a linguagem
Antes, estavam as palavras confinadas na mudez dos primatas. Depois, percorreu a manipulação dos sofistas, a sistematização racional de Descartes, enveredou-se nas técnicas de Galileu, caiu no existencialismo disfarçado de Nietzche, para, mais depois ainda, ser posta em análise. Era a filosofia analítica. Quando Wittgenstein condenou tudo o que havia sido dito antes, queria afirmar que não se pode afirmar. Paradoxo?
Antes, era um Wittgenstein. Depois outro. Uma metamorfose ambulante, assim. O primeiro, via na linguagem uma estrutura lógica que reflete a estrutura lógica do real. Em sua obra Tractatus logico-philosophicos, de 1921, ao filósofo cabia estabelecer a possibilidade do significado, o funcionamento da linguagem. Os famosos problemas filosóficos não eram considerados mais do que enrolação de linguagem. Wittiguinho logo pensou: o que eu to fazendo vestindo essa roupa de pensador filosofante? Tudo metafísica, tudo metafísica. E desistiu dessa vida. Foi cuidar do jardim da casa dele, que era mais negócio. Foi fazer isso e aquilo outro.
sabe me dizer se o livro ainda está sobre a mesa?
Dotô Ludwig Wittgenstein percebeu logo que não podia cortar os laços amorosos com as palavrinhas não. Viu logo que mudo é que não ia ficar. Na hora do almoço quando disse: ei, me passe essa jarra com água, fulana, e fulana recebeu os comandos seqüenciais que interagiu junto ao cérebro e ele plim teve a jarra nas mãos, ele imaginou, êpa, linguagem e interação dão muito certo.
Pronto. eis que brota o segundo Wittgenstein.
Continuou entendendo que linguagem é a forma que se dá a realidade para cada um, não tendo nada a ver com a construção de teorias ou sistemas. Mas, sobretudo, centrou-se na multiplicidade de usos que fazemos de palavras e expressões, prestando atenção ao jogo lingüístico que nos envolve enquanto criaturas sociáveis.
me passe esse molho shoyu por favor obrigada adeus oi bom dia adeus olá como vai eu te talvez quem sabe ei esteja lá as 20h estou com calor está um dia bonito me abrace e eu aqui querendo sua pele na minha eu te quero sim talvez quem sabe estou te devendo estou e você como tem passado os dias em que ainda há vida? aqui está um calor medonho é o calor dos meus hormônios enfadonhos adeus bom dia quem sabe
Pois dotô Wittiguinho tava ligado. Sabia que linguagem é contexto, é interação. O resto é besteira, realidade alheia. Monte de frases jogadas a esmo, ermo, ou mesmo lapidadas-rubi sem destino certo. A limitação sendo maior, não cabe pensar que o sol nascerá amanhã, nascerá depois, nascerá.
Não. Não é de se esperar que a linguagem detenha a pretensão da verdade, mas quem há de contestar que ela é para nós o que a espada é para he-man?
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| Quarta-feira, Setembro 03, 2003 |
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Por estarem distraídos ( Parte Final?? )
Tudo estava indo bem até que o tempo trouxe a eles o contato com a verdadeira rotina do namoro.
Eles haviam passado por tanta dificuldade para ficarem juntos que não tinha tido contato com a realidade de vida um do outro. As diferenças eram grandes entre eles.
Depois de um tempo Joshua começou a sentir muito ciúme de Cecília. Sentia-se incomodado com a presença dos amigos dela. Cecília queria mais liberdade. Ela queria se sentir cuidada, mas não sufocada. Várias coisas que Cecília gostava de fazer estavam começando a estressar Joshua. Cecília adorava tomar vinho na beira da praia com seu amigos. Joshua detestava bebida e não gostava de ver Cecília rodeada de pessoas. Esse fato dificultou muito a relação dos dois.
Reclamações começaram. Joshua reclamava que Cecília não tinha tempo pra ele. Cecília tinha muitas atividades durante o dia e durante algumas noites: teatro, curso de francês, faculdade e de violão. Joshua não conseguia se adaptar. Os dois eram muitos novos e não tão maduros para lidar com a situação. Tentaram por algum tempo lidar com todos os contras existentes. Por estarem distraídos com o amor que sentiam um pelo outro não perceberam o quanto as diferenças e as dificuldades do dia a dia estavam prejudicando o relacionamento deles. Decidiram então se separar. A decisão foi difícil mas vital.
Cecília e Joshua sofreram juntos com a separação. Os anos tomaram conta de suas vidas e cada uma foi vivendo da melhor maneira possível Cecília namorou algumas pessoas e Joshua também . O mais engraçado que entre esses relacionamentos eles acabavam se encontrando e sempre acontecia algo especial. Eles sempre que estavam sozinhos ficavam juntos. Isso aconteceu durante anos. Eles se encontravam, se beijavam, sorriam uma para o outro, brigavam muito, cuidavam um do outro. sentiam ciúmes um do outro... mas nunca se acertavam. Não se acertavam e isso não era tão importante, pois eles sempre iriam ter um ao outro de alguma forma.
Há um ano atrás eles tentaram voltar a namorar. Nesse pequena tentativa de volta eles finalmente fizeram amor. Joshua teve Cecília como mulher apenas uma noite. Eles se amaram a noite toda. Uma noite que nenhum dos dois iria esquecer. Dias depois o relacionamento acabou e eles, até hoje, nunca mais ficaram juntos.
No momento, as vidas de ambos estão estáveis.
Cecília acredita que a história deles sempre existirá. Nada e nem ninguém mudará o que eles tiveram. Eles sempre vão se amar independente dos amores que vierem para ambas vidas. Cecília tem essa certeza pelo simples fato de acreditar que o amor não é uma ciência exata. Ela não acredita que se ama apenas um vez. Existem várias formas de amar e todas elas com intensidade. Existem coisas que nunca vão mudar, inclusive o amor. Amores verdadeiros duram para sempre. O "estranhamento" das almas que estiveram juntas sempre existirá. Não importa que você ame ou que tenha amado uma, duas, três pessoas na vida. Cecília não acredita que um amor se cura com outro. Um novo amor apenas renova a alma e abre possibilidades. Um novo amor não anula os anteriores. Para Cecília não há como medir o amor. Não se ama mais uma pessoa do que outra. Apenas ama-se.
FIM ???
Bem gente... finalmente "acabei" essa história. Para aqueles que gostaram e acompanharam, obrigada por terem lido. Para aqueles que não gostaram... não me importo. Eu quis escrever e pronto. Sei que há pessoas que acharam a história boba ou piegas. Genteeeee... por favor! Não há coisa mais piegas e boba do que o AMOR !Se acreditar no amor e vivê-lo da maneira mais intensa possível for piegas, desculpem-me mas além de Cecília existe alguém piegas: Eu. |
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| Terça-feira, Setembro 02, 2003 |
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DA AÇÃO: IMPROVISAÇÃO OU TEATRO DO INVISÍVEL?
DA REAÇÃO: UM ESPECTADOR À PROCURA DE SI MESMO.
DO RESULTADO: POSSIBILIDADES.
Gosto do não-acaso do óbvio interdito de palavras pronunciadas e não ouvidas, sugeridas e não digeridas. Parto dessa premissa e ponto.
Eu, reles ator proveniente da dinastia verme maledictu, dialogista de plantão médico, reverbero sílabas impronunciáveis, totalmente decompostas referendando minha dinastia, àquela ser-minha-mãe que, posta à prova do mito de Édipo, sucumbe, demasiadamente morna e fria, quase fria-morna, a mim, que volto à procura daquilo que nunca fui.
Essa é a diegese da cena vivida por mim, comigo mesmo e minha mãe-personagem, num laboratório cheio de improvisos e cadeiras vazias, exceto por uma (anulo, neste momento, o diretor), que retém em si um espectador à procura de si mesmo.
A angústia é provocada pela razão da mãe, que em momentos atrás acariciava o filho com 10 anos de idade, em seu colo, dando-se à mama, ser pulverizada pela violência físico-sexual do próprio ser-filho, essencialmente ser... pós-Balzac.
Ações de improviso, mesmo para os piolhos e roedores, são envoltos na possibilidade do resultado provocado pela surpresa: boa ou ruim, é provocativa feito a um soco no estômago. O diferencial que se estabelece frente ao teatro do invisível, de Augusto Boal, é que os espectadores sabem que estão fazendo parte do espetáculo, já que as situações são viabilizadas em locais que são teatros-estrutura-física.
Lembro-me, então, da ingenuidade das prostitutas bíblicas que sempre serão perdoadas e irão para o céu. Sinto falta do inferno-nosso-de-cada-dia. Por isso gosto do teatro de bonecos que se utiliza do negro, pobre e lascado, que burla a todos em busca de dinheiro e poder, que detém a luxúria e as falcatruas como seu poderio, e o povo, que fede a ovo, se diverte; onde a bichinha pobre e ¿fidida¿ é aceita como chacota sob o riso dos espectadores.
Não gosto da confusão que se estabelece entre a arte e a vida. Por vezes são fundamentalmente distintas. Gosto da palavra possibilidades.
Em tempo: Sinto uma labareda povoando meu ser em direção ao meu cu.
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| Segunda-feira, Setembro 01, 2003 |
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Etapas da evolução psicossexual
Freud propôs uma divisão do desenvolvimento infantil em etapas, as quais denominou de estágios, cada uma apresentando características próprias em relação à fonte, objeto e finalidade pulsional (Freud, 1905).
Período de latência
Freud afirmava que até os seis anos de idade a base da sexualidade futura do indivíduo já estaria formada, apenas vindo a amadurecer no período da puberdade (Freud, 1905). Entre os seis e os doze anos, portanto, a criança entraria num período de latência, no qual sua energia libidinal é deslocada para outras atividades, as quais promoveriam o ajuste da criança ao meio social. Neste período, a problemática do desenvolvimento psicossexual do sujeito estaria em segundo plano, latente, vindo a reaparecer apenas na adolescência.
É importante enfatizar o fato de que as etapas do desenvolvimento sexual do sujeito, apesar de obedecerem a uma ordem lógica, podem variar muito em função de cada indivíduo particular, ou seja, não há um limite determinado entre um estágio e outro, sendo mais comum um acúmulo de vivências e experiências de um estágio que irá contribuir ou co-existir durante o desenvolvimento do sujeito no estágio procedente.
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