Nossa galeria

Patativa do Assaré
Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte


Sonhos
Claudia Alexandra, portuguesa.


Banho de Lua
Claudia Alexandra, portuguesa.
Nosso arquivo
2004 » Agosto
» Julho
» Junho
» Maio
» Abril
» Março
» Fevereiro
» Janeiro
2003 » Dezembro
» Novembro
» Outubro
» Setembro
» Agosto
» Julho
» Junho



www.blogger.com.br
Domingo, Novembro 30, 2003
Plural singular

Pensar o mundo, localizado no que seria pós-moderno seria, de acordo com Stuart Hall, entende-lo no seu processo contínuo, e ininterrupto de deslocamentos, rupturas, e pluralidades. Isto contraria, em essência a visão do homem ¿racional¿, brotado do ideal burguês que emergiu, a partir de 1789, com a revolução francesa - aquela que incandesceu templos, casas e tavernas que habitavam as trevas do feudalismo. Contraria o homo sapiens cartesiano (penso, logo existo). Conclusão: o contexto atual não permite o individualismo fundado na modernidade. Pergunto: que contexto é este que não permite mais ver, analisar, o homem numa totalidade, e sim, embaralhado numa fragmentação de diferenças boiando sobre o mundo? Seria em razão do advento dos movimentos sociais étnicos, de gênero e ecológicos, que ao eclodirem apontam outros focos de resistência ao capitalismo imperialista atual? (gosto muito da versão de imperialismo cultural de Eduard Said). O que faz os teóricos pós-modernos caracterizarem este tempo, no espaço de um período histórico da humanidade, como pós? Em geral, eles afirmam ser, tanto em razão destes olhares oblíquos que despertam para novos interesses e emergem na cena pública, como em razão da hibridação, que os deslocamentos e desterritorializações concebem. Hibridismo que faz ressignificar linguagens, posturas...isto é o pós modernismo, um balaio de gatos. Uma penca de coisas desassustadas e assustadas. A modernidade ¿ fruto das transformações social burguesa, capitalista, conhece sua mais nova etapa-face-cara-feição contemporânea, de hoje, de agora: o pôs modernismo, um ambiente onde coaduna não só as diferenças de classes, mais de várias outras ordens (de discursos, inclusive, segundo M. Foulcault). O que prevalece é a diferença e não, segundo Marx, a luta de classes (embora Marx nunca tenha negado a existência dos interstícios, o poder das entrelinhas, de acordo com Hommi K. Bhabha). A atual caracterização é dada não pela contradição brotada da luta de classes (burguesia, proletariado e pequena burguesia), mas, sobretudo, em relação às diferenças de gênero, etnia, nacionalismos, etc. O momento é plural, porém, muitas vezes singular... rolling stones, na Intifada, na resistência dos povos árabes, nas têmporas bolivianas, no funcionalismo público brasileiro, nos olhos das crianças de Bagdá...
Fanka | 15:08 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Novembro 28, 2003
Eu já falei aqui como os americanos alteram a História com filmes, apenas para mostrar seu lado patriota, de que os americanos são sempre bonzinhos. Há outras coisas. Há coisas que nunca saberíamos se não fosse o cinema americano. Eis umas delas:


  • O sistema de ventilação de qualquer edifício é o local ideal para alguém se esconder. Ninguém se lembra de procurar lá e pode-se alcançar facilmente qualquer parte do edifícil através dele.

  • Um home não mostra dor quando é ferozmentre espancado mas queixa-se quando uma mulher lhe tenta limpar as feridas.

  • Despir-se até as cintura pode tornar um homem imune ás balas.

  • A tosse é normalmente um sinal de uma doença fatal.

  • Todos os discos de computador trabalham em todos os computadores.

  • Quando estão sós, os estrangeiros preferem falar inglês entre eles.

  • Qualquer fechadura pode ser aberta em segundos com um cartão de crédito ou um arame, exceto a porta de um prédio em chamas com uma criança lá dentro.

  • A torre Eiffel pode ser vista da janela de qualquer edifício em Paris.

  • Quando se foca sem uma mão o braço cresce 15 cm.

  • Os camponeses medievais tinham dentes perfeitos.

  • Em vez de gastarem balas, os megalomaníacos preferem matar seus inimigos através de dispositivos complicados que envolvem roldanas, gases tóxicos, lasers e tubarões e que permitem que os seus prisioneiros tenham pelo menos 20 minutos para fugir. E nos filmes de 007, a arma não funciona. (Salvo quando for usada contra o próprio criador)

  • Um detetive só pode resolver um caso se tiver sido suspenso do serviço.

Carlos Eduardo | 19:24 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Novembro 27, 2003


criancinha + asa = anjo.

cavalo + asa = Pégaso

peixe + mulher = sereia.

cor verde + homenzinho levemente destorcido = duende


E quais as imagens nos sonhos dos cegos (cegueira total e de nascença)?




Tesoura e cola é o que a gente usa pra imaginar. Quem consegue arquitetar uma imagem sem que tenha sido impressa sua forma - e arquivada - no cérebro?


David Hume passou quase a vida toda tentando derrubar tudo que não derivasse da experiência sensível. Quando contava 15 anos de idade começou a escrever O Tratado da Natureza Humana. Criou, com ele, um método analítico das idéias dos homens. As crenças, a razão como base para a moral, a metafísica, enfim, e mais, sendo questionado em seu sistema filosófico. Não admitia, por exemplo, que viesse Descartes falar que existe um 'tribunal' imutável, inato ao ser humano, que destina suas ações. Para ele era tudo uma questão sentimental. Não concebia que à razão, enquanto objeto inerte, fosse atribuída a responsabilidade por atos. Se agimos assim ou assado é porque nossa forma de percepção, de vivência, impulsiona essas ações para essa ou aquela direção.

Pá. Deu um tiro e matou um semelhante. Por quê? foi sua razão que deu pra ruim? Pra Hume, não. Foi um conjunto de fatores subjetivos que levou o homem a matar um homem outro.

Hume, agnóstico, só quer saber do que é palpável, visível, provável. É um empirista. Até do sol, que tem mania de nascer, não se pode induzir que nascerá amanhã, nascerá depois. Não existe fundamento lógico. Existe, sim, uma probabilidade grande, mas nada é uma certeza irrefutável.

tudo que não contém algum raciocínio sobre fatos e sobre a vida pra Hume é inútil
A metafísica, então? bobagem.

Em xx de xxxxxx 1776 nada mais fez sentido pra David Hume. Morreu.

Bárbara RoMa | 11:18 | Deixe seu comentário |
Quarta-feira, Novembro 26, 2003
Oi pessoas!
Gostaria primeiramente de me desculpar por ter me ausentado deste blog por duas semanas. Eu estava sem computador e não tive como postar.
Bem, volto hoje e trago um texto meu que acabei de escrever. Espero que gostem.Fiz o texto pensando numa pessoa que nunca vai lê-lo.
O texto de hoje vai para uma pessoa muito especial para mim. Um pessoa que veio a falecer na madrugada do último domingo, vítima de um acidente de moto.
Acho que já falei aqui que a tristeza me inspira.
Um abraço a todos.

Afrodite chora

Para Josias Ferreira Morais





Não sabias que seria assim?
Naquela noite a tua alma já não te pertencias mais e tu ainda não havia recebido o sinal.
Tânatos já havia preparado um banquete e estava a tua espera. Como não percebeste?
Nix e Baco te deixaram cego a medida que te faziam companhia.
Nix estava tranqüila e você apenas era parte dela.
Junto a Baco você festejava o fato de ter conseguido fecundar a tua companheira.
Hátor havia feito a sua parte. A deusa, escondida atrás de uma árvore, comemorava o fato de ser responsável pelos momentos de embriagues, de prazer, de amor e de fertilidade.
Seria Hátor também responsável pelo amadurecimento do fruto fecundado?
O Destino teria essa resposta?
Nix fora caminhando e tu não a largava. Baco estava feliz com a festa.
Chegou a hora.
Você não soube controlar a velocidade da vida.
Você já não soube onde poderia pisar.
Você não sabia.
Você apenas quis voar.
Você apenas queria se sentir pleno.
Tudo acontecia.
Afrodite chorosa, olhava de cima e nada pôde fazer para evitar.
Afrodite ainda tentou interceder pedindo a Zeus para que não te levasse.
Zeus respondeu que cabia ao Destino resolver.
Todos eram submissos ao Destino.
Eros consolava Afrodite.
Afrodite sentindo-se estagnada apenas lembrou do teu sorriso quase triste, do teu olhar de agonia, do teu olhar de desconhecimento da vida.
Afrodite lembrou das promessas que um dia você fez e nunca cumpriu.
Afrodite lembrou que mesmo com atropelos provocados pelo Destino, ela fora amada.
Zeus, pai de Afrodite, nunca quis esse amor.
Talvez o Destino não quisesse esse amor.
Afrodite lembrava da noites de frio que passou por ter amado tanto.
Tisífona , Megera e Alecto apenas festejavam a tristeza de Afrodite.
Afrodite, diante de tanto sofrer, é levada por Hipnos para que assim não pudesse ver o momento que o Destino te levou.
Morfeu leva Afrodite aos sonhos.
Afrodite ainda nos braços de Morfeu escuta a tua voz.
Afrodite não consegue te ver.
Seria permitido?
Afrodite acorda e chora.
Afrodite sente raiva do Destino.
Afrodite não sabe se terás que enfrentar Cérbero.
Afrodite não sabe se descerás ao Tártaro.
Afrodite agora apenas pede a Zeus que você esteja nos Campos Elísios.
Eveline | 12:27 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Novembro 24, 2003
Oi pessoal, estou escrevendo esta mensagem para lhes comunicar que fui classificado para etapa semifinal do concurso de Sonetos Vinícius de Moraes, ficando entre os 20 classificados na Categoria Estudantil. Esta etapa se enquadra na exibição dos 40 sonetos semifinalistas, que estarão disponíveis no website http://www.viniciusdemoraes.com.br até 30 de novembro. A partir do dia 20 de novembro, as pessoas poderão votar pela internet através do site acima citado. Para aqueles que apreciam a poesia, peço, humildemente, o seu voto para o poema "Universo", de minha autoria. Votem por um paraibano e representante da categoria estudantil!

Agradeço a todos.


Carlos Eduardo de Sousa Lyra.
Carlos Lyra | 11:25 | Deixe seu comentário |
Sábado, Novembro 22, 2003
PAGODE, s.m. Templo pagão entre alguns povos da Ásia; divertimento; bombochata; pândega.
Rony | 23:45 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Novembro 17, 2003
A lenda do lobisomem e a neurose narcísisca

Já se tornaram parte do imaginário popular e de nossa cultura as estórias de criaturas que, em noites de lua cheia, saem para atacar suas vítimas. Homens que se transformam em monstros peludos, com garras e dentes afiados, semelhantes a lobos. O lobisomem é uma criação fantástica da mente humana, que parece ainda assustar as pessoas atualmente.
De onde surgiu essa fantasia horrorizante? Qual seria a possibilidade da existência de tais seres?
O caso dos lobisomens nos convida a uma interpretação psicanalítica. Há uma grande semelhança entre os indivíduos que sofrem da psicose maníaco-depressiva (PMD) e essas criações monstruosas imaginárias. Na verdade, a mania e a depressão se apresentam como sintomas ou manifestações psicóticas bipolares que aparecem em determinada fase da vida do indivíduo maníaco-depressivo. Este, na maior parte de sua vida, permanece são. Isso nos faz pensar que existe uma estrutura da personalidade que permanece, na maior parte do tempo, em contato com a realidade, não se tratando, portanto, de uma mera esquizofrenia. De fato, há indícios que aparentam ter um vínculo com a psicose, mas podemos afirmar que a estrutura clínica da qual estamos tratando é a neurose narcísica.
Freud utilizou o termo neurose narcísica para designar estados de melancolia, onde a transferência não se realizava com êxito e na qual o tratamento era conduzido com muita dificuldade, havendo uma certa oscilação entre períodos de euforia e depressão.
Qual a ligação, então, entre a neurose narcísica e o caso dos lobisomens? Devido aos sintomas psicóticos bipolares, a neurose narcísica possui um vínculo limítrofe com estados esquizofrênicos e com o mundo delirante e fascinante da psicose. Os lobisomens, como os sujeitos maníaco-depressivos, são indivíduos de fases. Os sintomas de um ataque psicótico em um indivíduo de estrutura neurótica narcísica remetem ao estado maníaco encontrado no caso dos lobisomens. Imagens esquizofrênicas de fragmentação, mutilação, canibalismo, bem como perda do senso e da memória, nos demonstram a dimensão psicótica que é encontrada nos períodos maníacos da neurose narcísica. A cultura popular tratou de formular explicações imaginárias e fantásticas para o fenômeno, sendo uma delas a do lobisomem. É bastante provável que o número de neuróticos narcísicos que sofrem de um conflito psíquico seja bem maior do que os casos em que, de fato, há uma passagem para o ato maníaco na realidade. Se o indivíduo maníaco não realiza o ato é porque há um recalque, uma culpa, e é sob esta condição que surge, por sua vez, a depressão profunda conseguinte.
Com isso, outras manifestações monstruosas literárias clássicas, como o vampirismo, ou psicopatias encontradas na atualidade, não estão distantes do caso dos lobisomens, nem das manifestações psicóticas maníaco-depressivas, mas diferem apenas em grau e nas condições sociais que permitem a passagem ao ato na realidade.


Carlos Lyra | 22:26 | Deixe seu comentário |
Sábado, Novembro 15, 2003
Bem, queridos, após uma longa ausência, cá encontro-me novamente, para estabelecer este nosso contato íntimo dos sábados (muito embora o motel seja mais caro neste dia, foi o que nos legaram, então gozemos pois!). E se a onda é gozar, voltemos então com a nossa " Galeria do Espinafre", onde todos são submetidos ao injustiçado vegetal, inclusive este tão detratado colunista (aguardem as próximas edições).

Para fazer uma "mediazinha" com a esmagadora maioria nordestina deste blog, resolvi eleger como "homenageado" desta semana em nossa coluna um dos ritmos mais populares e, em contrapartida, mais detonados deste país. Sem mais delongas, com vocês a:

AxÉ Music? (teoria em dois movimentos)

(1)
Tudo começou há muito tempo atrás com a influência de Dodô & Osmar e seu "frevo eletrizado" (cultuadores do frevo baiano). A engenhoca musical foi aos poucos se sofisticando e em 1969, Caetano compôs a canção "Atrás do trio elétrico" que popularizou o frevo baiano. A partir da década de 70 o estilo vai se fortalecer com a formação dos "Novos Baianos" que se vincularam ao universo musical eletrizado misturado ao tropicalismo. Em meados de 80 Sarajane e Luiz Caldas leva o frevo "debochado" às ruas no Bloco Barão e 5 anos depois, divulgaram nacionalmente o ritmo denominado deboche e/ou fricote (embriões da axé music). AxÉ music é o resultado dessa musicalidade mestiça.

Lembram-se de "Fricote"? Aquela música que dizia assim: "... pega ela aí, pega ela aí. Pra que? Pra passar batom, que cor? Violeta. Na boca e na buchecha...". Ela é considerada um marco na música baiana, a canção que inaugurou a axé musica. Criada por Paulinho Camafeu e interpretada por Luiz Caldas, Fricote conquistou a Bahia e, e em pouco tempo, o país. Em 85, Caldas e Banda Acordes Verdes, que tinha Carlinhos Brown na percussão, abriram as portas para a turma da pesada. Sarajane ("Abre a rodinha"), Gerômino ("Eu sou negão"), Banda Reflexus ("Madagascar"), Cid Guerreiro, Banda Mel, Olodum, Chiclete com Banana, Asa de Águia entre outros, começavam a descer dos trios para ganhar os palcos. Luiz Caldas lembra que a origem da axé music está no Tropicalismo de Caetano Veloso e Gilberto Gil. Mas distancia-se do movimento ao afirmar que a grande contribuição do axé não é musical: "Alegria é o grande segredo de nossa música, o descompromisso é fundamental". No início da década 90 a música baiana ganhava novas caras, Ricardo Chaves (com a música "É o Bicho") e Daniela Mercury (com o "Canto da Cidade") consolidaram o ritmo e quebraram as últimas resistências do sul do país. As rádios, que eram dominadas pela música estrangeira, começaram a dar prioridade para o artista nacional. No embalo do axé, vieram os sertanejos, os pagodeiros, etc. O ritmo ganhou novo fôlego com a inclusão do samba de roda baiano. É o Tchan e Terra Samba são os grandes responsáveis pela chamada de "terceira onda da música baiana". Luiz Caldas tem uma posição muito particular sobre essa nova geração: "Acho que o axé virou de cabeça para baixo. Hoje tem mais tecnologia e menos qualidade". Mesmo enfrentando algumas críticas severas, o ritmo continua sua escalada meteórica rumo às paradas de sucesso. Longa vida ao axé!!!

Texto: Gilberto Amendola Jr - Jornal A Tarde
Fonte: www.carnais.com.br/historia/axemusic.htm

(2)
Estilo musical que surge em Salvador, Bahia, na segunda metade da década de 80. Caracteriza-se pelo uso intenso da percussão e pela utilização predominante de instrumentos como o repique, timbau e surdos. Próprias da cultura afro-baiana, as letras em geral abordam temas relativos à sensualidade, com certa ironia e malícia. Outras dizem respeito à rica religiosidade da população local e às tradições negras. É comum a presença de bailarinas sensuais, uma clara influência dos antigos sambas-de-roda do interior baiano.

O termo axé music é criado em 1987 pelo jornalista baiano Hagamenon Brito, que trabalhava no jornal A Tarde, na tentativa de cunhar uma expressão pejorativa para designar o estilo nascente. Ela é rapidamente incorporada pela mídia, tornando-se uma designação de referência nacional para esse tipo de música. No início, os músicos baianos renegam o nome, mas posteriormente acabam por aceitá-lo.

No começo dos anos 80, o grupo Olodum e o músico Luiz Caldas estabelecem as bases do estilo, ao juntar elementos do Carnaval, da música caribenha e muita percussão. A partir do samba-reggae e do samba-duro, típicos de Salvador, diluem a estética afro por meio da introdução de elementos da música pop. Também é fundamental nesse processo a batida criada por Neguinho do Samba. Os trios elétricos, inventados nos anos 50 por Dodô e Osmar, são também influências essenciais. Posteriormente, os grupos de axé music passam a incorporar novos instrumentos, como guitarra, baixo, bateria e teclados.

A música que inaugura o gênero é Fricote, de Luiz Caldas, em 1985. No ano seguinte, a canção Eu Sou Negão, de Jerônimo, faz muito sucesso. Mas o primeiro grande fenômeno de vendas, que lança nacionalmente a axé music, é Madagascar Olodum, do bloco afro Reflexus, gravada em 1987. Do mesmo ano é Vem Faraó, que lança o grupo Olodum internacionalmente. Entre os maiores expoentes do estilo estão É O Tchan, Terra Samba, Daniela Mercury, Chiclete com Banana, Asa de Águia, Bamdamel, Netinho, Gera Samba, Banda Eva, Timbalada, Banda Beijo e AraKetu.

Com o surgimento da axé music, a música de Salvador quebra definitivamente a hegemonia histórica do eixo Rio-São Paulo, ao estabelecer outra vertente geográfica de expressão nacional. O gênero torna-se influente, diversificado e com enorme apelo popular. Os músicos percebem rapidamente o potencial do novo estilo e passam a investir numa poderosa infra-estrutura de criação, recebendo logo a aprovação de grandes nomes da MPB, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Gal Costa e Carlinhos Brown. A inserção musical nacional da axé music é assim oficializada.

Agosto é o mês no qual os artistas mais importantes do movimento lançam seus trabalhos para que estejam conhecidos no Carnaval do ano seguinte. O pico de vendas acontece depois dessa festa, quando os turistas - principalmente paulistas e cariocas - voltam às suas cidades e compram os CDs. A axé music representa em 1998 13% do total da indústria fonográfica brasileira, atrás apenas do pagode.

Fonte: www.nossahistoria.com.br/artes2/01.htm
Rony | 23:20 | Deixe seu comentário |
Sexta-feira, Novembro 14, 2003


- Alguns comentários podem revelar o final do filme -


A ficção científica iniciada em 1999 pelos irmãos Wachowskis recebeu vários elogios por sua originalidade, efeitos especiais e por possuir diversas culturas, como religiosas e estilos de quadrinhos japoneses. Os episódios contidos na série Animatrix foram chamados de frutos de grandes mentes da animação e um complemento para entender o mundo de Matrix. Matrix Reloaded não agradou todos aqueles que gostaram do primeiro episódio, mas mesmo assim foi elogiado e criou uma grande ansiedade para a chegada do último capítulo da saga de Neo, Morpheus, Trinity e cia. Agora Matrix Revolutions chega aos cinemas, a trilogia termina e a crítica inicia a condenar TODA a trilogia. Afinal, o que eles querem?

O filme é sem sentido? Será mesmo? Talvez uma exibição não terá sido o suficiente para entender todas as "mensagens subliminares" dentro do filme. Ok, Ok... Nem todas as perguntas são respondidas (eu talvez da forma que queríamos que fossem), fica um "que?" do que vai acontecer depois do fim. Vago talvez? Mas não me lembro de ler ou ouvir críticas quando não vimos o destino de três jovens vítimas da bruxa de Blair. Quem sabe o destino de Neo? De Zion, alguém sabe? Isso é ruim? deixar isso vago? Se for por isso, vamos condenar Blade Runner, que até hoje ninguém tem certeza se o personagem de Harisson Ford era um replicante ou não. E vamos condenar também Dom Casmurro, por não haver respondido de Capitu traiu ou não Bentinho.

Minha opinião sobre a trilogia é final. Muita gente não gostou como o filme termina, mas eu não fui ao cinema para ver final da Disney. Reconheço que o filme possui seus clichês e o conteúdo filosófico que tanto tinha no primeiro filme, mas por trás de tanta cultura, religião e filosofia, há uma guerra sendo travada entre os homens e as máquinas. Não é preciso entender Sócrates ou Plutão para entender isso. E também outra: os irmãos Wachowskis, apesar de terem feito um filme de sucesso, não estavam tentando agradar as massas. Quem usa filosofia para agradar as massas?

Além disso, há para alguns, cenas desnecessárias. Por exemplo, a da Estação, chamada "Mobil Ave", uma analogia a palavra limbo, que para os católicos, trata-se de um lugar para onde foram as almas dos justos falecidos antes de Cristo e para onde vão as almas das crianças mortas sem batismo. São privadas da visão beatífica, mas não sofrem outras penas.

Neo, vendo, ao acordar, a garota Sati, inclui-se aí a cultura hindu. Seu pai, Rama kandra. Rama é a personificação de Visnu, que faz parte da trindade hindu - trimutri - junto com Brahma e Siva. Preservação, Criatividade e Destruição. São os processos do Cosmos. Kamala, esposa de Rama do filme, é o nome hindu para a flor de Lotus. Rama diz que sua esposa é um programa que cria inteligência artificiais interativos, e por ser também muito criativa, criou um novo programa interativo: Sati. Quem sabe o único erro aí a atriz mirim escalada para o papel. Nessa cena também vemos um fato curioso, que é a interpretação de amor para um programa: "uma palavra".

Revolutions, narrando ao mesmo tempo a ida de Neo e Trinity a cidade das máquinas - 01 - e a invasão de Zion pelas sentinelas, faz a batalha na última cidade dos homens ser tornar épica. A trilha sonora é grandiosa assim como quando Neo e Smith (mais forte do que nunca) se encontram mais uma vez. A batalha do predestinado e seu oposto, In & Iang, o 1 e o -1 é travada debaixo de forte chuva (para também dar folga aos efeitos especiais) e é iniciada com um certo clima de duelos do velho oeste. Com diálogos de Smith menosprezando os sentimentos humanos que as vezes chegam a convencer o espectador:

- Por que, Mr. Anderson? Por que você faz isso? Por que levanta? Por que continuar lutando? Você acreditar que está lutando por alguma coisa? Enquanto ainda sobrevive? Você pode me dizer o que é? Você ao menos sabe? Pela liberdade? Ou pela verdade? Paz, talvez? Sim? Não? Poderia ser por amor? Ilusões, Mr. Anderson. Estranhas percepções. Contruções elaboradas pela débil mente humana tentando desesperadamente justificar uma existência sem significado ou finalidade. Isso tudo é tão artificial quanto a própria Matrix, embora só a mente humana seja capaz de inventar algo tão insípido como o amor. Você não pode negar, Mr. Anderson. Você precisa ver isso. Você não pode vencer. É inútil continuar. Por que, Mr. Anderson? Por que? Por que você persiste?

A função do Predestinado foi acabar com a guerra. Assim como o Oráculo previu (ou manipulou?). Não foi acabar com as máquinas. Aos humanos foi proposto uma vida em paz com as máquinas uma vez. Quem já viu Animatrix sabe. E os homens queimaram o Sol. Tentaram antes destruir as máquinas. Atacaram sua cidade sem trégua e sem aviso. O mundo real se tornou assim por causa dos humanos. Os homens não mereceriam um final feliz. Eles foram quem iniciaram a guerra. Matrix é melancólico. Mostra um mundo destruído pelos humanos. Passa longe dos filmes feitos pelos estúdios do ratinho gentil e alegre.
Carlos Eduardo | 14:00 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Novembro 13, 2003


O que a gente entende hoje por justiça, ética, bom caráter, tem por base o pensamento antigo. Platão (Sócrates) Aristóteles.

Um aluno de Direito não é deixado sair da academia antes de ler A República de Platão,

o que é o livro I d'A República.

Platão bota três caras pra conversar sobre justiça. E Sócrates encabeça.

O primeiro e mais velho, Céfalo, é representante da tradição grega, atolado nas idéias de Homero, daquela coisa épica, mágica, heróica. Assim: se você tomar o que é meu, eu me vingo, pego tudo de volta. putufu putufu. Ou seja: de acordo com a tradição, pra Céfalo vigora um 'princípio restitutivo; o 'tomar de volta o que se perdeu'.

Já pra seu filho, Polemarco, o segundo a meter língua na República de Platão (êpa), a coisa já começa a se desviar da tradição grega, e passa a querer reparar essa tradição homérica. Ele pensa: calma, pai, né assim não. Fazer o mal a quem me faz mal, aos meus inimigos, ser justo com os amigos. Sócrates, que só quer ser o bonzinho das histórias, refuta logo. Diz, mas rapaz, não é ilícito fazer o mal em nenhuma situação, viu? porque pode haver engano no julgamento de quem é justo ou não.

É quando entra em cena o revolta. Polemarco. Representante da tradição sofista. Alopra logo: diz que é tudo conversa besta. Sábia é a nação que invade outra e fica mais potente. Isso sim é esperteza (é como se ele desse valor aquele menino grandão que dá umas cacetadas no pirralho, come o lanche dele e corre pro abraço) Sócrates, puro que é, diz, ai meu zeus, que absurdo. E com todo seu poder retórico prova por A + B que a vida do homem justo é a mais proveitosa. Todos se calam. Começa o livro II.
Bárbara RoMa | 17:58 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Novembro 10, 2003
LACANIANDO

¿Penso onde existo¿, e onde eu penso que sou.
Onde não penso, logo não existo;
Onde não vivo, morro só. E insisto
Em não viver, em planar onde estou.

Insisto em sofrer, imerso em prazer,
Tentando gozar de um Outro o seu gozo;
Amarrado em nós, sou ser ocioso;
Sou eu, e sou nós, sou o Ser e o Não-Ser.

No Imaginário, sou eu a pulsão.
No Simbólico, sou significante.
No Real, não sou, simplesmente não.

Na vida, sou um insignificante.
Na morte, sou eu, de muitos, paixão.
Da Psicanálise sou amante.

(Carlos Eduardo de Sousa Lyra - 1999)
Carlos Lyra | 16:45 | Deixe seu comentário |
Quinta-feira, Novembro 06, 2003
::sobre estupro::

Até o momento de Sigmund Freud se posicionar contra o estupro ele era tido como perfeitamente normal e comumente praticado na sociedade vienense. Foi, então, por ele lançada (21/4/1896) a "teoria da sedução", o que gerou desavenças no meio médico. Ora, pois que eles próprios eram mentores de imposições sexuais com os filhos, sem acreditar que pudesse lhes fazer mal. (o próprio pai de Freud, inclusive)
Por falta de apoio e por medo de perder seus clientes, o pioneiro recua, manipulando a teoria da sedução. Estava assim instaurado o "complexo edipiano". O alvo então voltara-se contra as próprias vítimas: as crianças.

Se Freud não foi capaz de sacrificar sua pele em prol dos vitimados, convém no mínimo que lhe prestemos todas as devidas honras. Foi ele o responsável principal pela preconização dessa barbárie que, hoje em dia, até pode ser entendida, mas jamais aceita: o estupro.

Segue um texto de Ana Calazans, publicado integralmente em:

http://www.correiodabahia.com.br/hist/000603/aqui/int41567.asp

Perfil psicológico do estuprador

O velho mito de que o estuprador é vitima de seus impulsos e incapaz de controlar sua sexualidade não se sustenta. De acordo com a casuística jurídica, o estuprador é, na maior parte das vezes, um cidadão bem integrado à sociedade e não é tido como pessoa violenta. A verdade sobre as motivações do ato talvez sejam tantas quantas sejam as sombras que habitam em cada homem, mas existem hipóteses que ajudam a formar um perfil psicológico mais ou menos consensual. Entre elas, a idéia de que o estuprador foi perseguido pela imagem de uma mãe dominadora, foi abusado na infância e de que normalmente é um homem conformista e conciliador que encontra poucas oportunidades de se impor socialmente. O estupro seria, segundo este raciocínio, uma espécie de confirmação de um sentimento íntimo de superioridade que não encontra vazão.

O fato de existirem muito poucos estudos de caso sob a ótica da psicologia pode explicar a manutenção de estereótipos. Com um trabalho único no país, o psicólogo José Aloísio Rezende, da Secretaria de Segurança do Estado de Sergipe, se dedica há cinco anos a desvendar os abismos inconscientes de estupradores confessos. Com uma casuística de 33 criminosos, o método de Aloísio consiste na aplicação inicial de uma bateria de testes para saber se eles têm inteligência normal.

O trabalho trouxe surpresas. "O nível de inteligência da maioria é normal ou acima do normal, sempre da média para a média superior", afirma. A convivência com estupradores fez com que Aloísio acumulasse não só certezas, mas dúvidas. "Não dá para saber com certeza o que leva homens a cometer este tipo de violência", avalia. Casos que analisou, como o do rapaz de 19 anos, casado e pai de um filho, que estuprou uma senhora de 84 anos contribuem para a sua perplexidade.

Em sua prospeção diária, ele cataloga os mais variados motores e idiossincrasias para a violência. Alguns homens escolhem a mulher porque tem tatuagem, outros gostam de estuprar em frente a uma terceira pessoa, muitos se excitam com o pavor. Outro padrão: o estuprador e a vítima quase sempre mentem por conveniência e não demonstram sentimento de culpa. As conclusões de Aloísio casam com estudo da criminalista israelense Sarah Ben David. De 57 casos estudados por ela, apenas três estupradores demonstravam sentimento de culpa, eram também os únicos que enxergavam a vítima como uma pessoa. A "personificação" da vítima é apontada pelos psicólogos como um mecanismo de desarme da violência.

Bárbara RoMa | 21:57 | Deixe seu comentário |
"Morre" a escritora Rachel de Queiroz


Hoje a minha homenagem vai para grande escritora brasileira Rachel de Queiroz...a grande professora, jornalista, romancista, cronista e teatróloga que muito contribuiu para a nossa Literatura Brasileira.


Geometria dos Ventos

Eis que temos aqui a Poesia,
a grande Poesia.
Que não oferece signos
nem linguagem específica, não respeita
sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.
como o sangue nas artérias,
tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.
E ao mesmo tempo tão elaborada -
feito uma flor na sua perfeição minuciosa,
um cristal que se arranca da terra
já dentro da geometria impecável
da sua lapidação.
Onde se conta uma história,
onde se vive um delírio; onde a condição humana exacerba,
até à fronteira da loucura,
junto com Vincent e os seus girassóis de fogo,
à sombra de Eva Braun, envolta no mistério ao
mesmo tempo
fácil e insolúvel da sua tragédia.
Sim, é o encontro com a Poesia.

(Poesia feita em homenagem ao poema
"Geometria dos Ventos" de Álvaro Pacheco)


Veja o que Raquel de Queiroz respondeu ao Jornal " O Povo" no dia 12 de Abril deste ano.

O POVO - A morte assusta você?

Rachel - A morte é como uma mutilação. Cada morte é como se arrancasse um pedaço de você. Mas morte pra mim é a libertação. Não tenho medo. Não tenho religião nenhuma. Sei que morreu acabou. Pelo menos calculo que é assim. Se eu morresse agora aqui você ia se assustar mas eu achava bom. Muitas vezes desejei a morte. É uma boa solução. Você tá numa enrascada, morre e pronto, acabou.


Dorme bem, linda Rachelzinha...
Eveline | 00:15 | Deixe seu comentário |
Segunda-feira, Novembro 03, 2003
MELANCOLIA

Um imenso vazio toma conta d¿alma minha,
Preenche um enorme espaço como um gás lacrimogêneo,
Que sufoca o meu peito e me retira as lágrimas dos olhos.
Uma sombra paira sobre o meu ego,
E minha vista contempla a paisagem do além-vida: o nada.
A ausência, a perda...O vazio da alma pesa...
O sujeito se oculta, passa do ser ao não-ser,
Confunde-se com o objeto, funde-se com o Outro.
A alma não fala, mas grita...em silêncio...
O grito da alma presa...
O vazio do nada que pesa...
A realidade que o sujeito despreza...
O branco, o puro, o alvo
Agora se vê cristalino, transparente,
Vai sumindo, sublimando...
Enfim, desaparece...

(Carlos Eduardo de Sousa Lyra - 1999)
Carlos Lyra | 11:52 | Deixe seu comentário |