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Patativa do Assaré Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte

Sonhos Claudia Alexandra, portuguesa.

Banho de Lua Claudia Alexandra, portuguesa.
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| Quarta-feira, Dezembro 31, 2003 |
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Oi gente! Mais um ano se vai... e foi neste ano que fundamos o nosso blog! Boas lembranças do 7 Causas ficam ! Espero que possamos estar juntos no próximo ano e que todos nós tenhamos mais carinho, atenção e respeito a esse site. Foi muito bom estar com vocês esse ano!
Um abraço grande e para fechar o ano com chave de ouro... mais uma vez Drummond com uma bela Receita de Ano Novo.
Receita de Ano Novo
Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)
Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
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| Segunda-feira, Dezembro 29, 2003 |
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Psicanálise e Psiquiatria
Na ¿Conferência XVI¿, de suas Conferências Introdutórias sobre Psicanálise, Freud apresenta o caso de uma senhora de cinqüenta e três anos que, ao receber uma carta anônima acusando seu marido de traí-la com uma mulher mais jovem, começa a sofrer do que pode ser caracterizado como delírios de ciúme. O curioso é que, no dia anterior, esta senhora havia conversado com sua empregada doméstica a respeito da mesma moça da qual a carta anônima tratava, e havia percebido uma certa inveja da empregada em relação a tal moça. O fato é que, nesta mesma conversa, a empregada mencionara um caso de um homem casado que mantinha um relacionamento amoroso com outra mulher, e a senhora teria dito: ¿¿A coisa mais terrível que poderia acontecer-me era eu saber que meu querido esposo também estivesse tendo um caso¿ (Freud, 1917, p. 296).
A partir de então, a senhora passou a desconfiar que seu marido havia, de fato, lhe traído, mesmo admitindo racionalmente para si que não havia motivos que justificassem tal desconfiança. Tratou de despedir a empregada, pois parecia óbvio que a mesma havia enviado aquela carta com intenções maldosas apenas para perturbar a vida de sua patroa. Mesmo assim, a dúvida ainda permanecia e a incomodava freqüentemente.
Neste caso, é difícil saber se tal traição havia de fato ocorrido, mesmo que não houvesse motivos justificáveis. O que interessa, no entanto, para a psicanálise é o delírio, ou fantasia, manifestado pela senhora ao receber aquela carta. É como se, por uma mágica, a carta tivesse confirmado sua fantasia - medo ou desejo - de ser traída pelo marido. Tal sofrimento subjetivo irá levar essa senhora a procurar Freud.
Freud irá buscar as causas de tal delírio de ciúme, atitude que diferencia a psicanálise da psiquiatria, uma vez que esta última parece se preocupar apenas com o sintoma de maneira objetiva. Freud, contudo, irá mostrar que o delírio de ciúme se tratava de uma fantasia. Ele pretende mostrar que por trás da fantasia de ser traído, há um desejo de trair. E isto foi confirmado na análise dessa senhora, no momento que a mesma menciona uma intensa paixão por seu genro, o que implica num desejo sexual proibido que estava sendo recalcado. Ao invés de admitir tal desejo, a senhora projetara tal situação em seu marido, deslocando o desejo de trair para o medo, ou mesmo o desejo, de ser traída. Através deste deslocamento, a senhora aliviava sua culpa.
Com este caso, Freud pretende mostrar a vantagem de utilizar a psicanálise em detrimento de uma explicação meramente psiquiátrica. A interpretação psicanalítica do caso não só fornece um sentido ao delírio aparentemente absurdo e sem fundamento, se ajustando ¿ao contexto de uma experiência emocional da paciente¿ (Freud, 1917, p. 299), como também apresenta o delírio como sendo uma reação necessária a um processo mental inconsciente. Por outro lado, Freud afirma que a interpretação psicanalítica não responde a todas as perguntas que poderiam ser feitas a respeito deste caso, e que seria necessário uma continuação da análise daquela senhora ¿ visto que a mesma se limitara a duas sessões ¿ para que houvesse algum efeito em sua vida psíquica.
Além do mais, Freud também chama a atenção para o fato de que a interpretação psicanalítica não concorre com a prática psiquiátrica, uma vez que ambas tratam de dimensões distintas do mesmo fenômeno.
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| Domingo, Dezembro 28, 2003 |
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Para discutir a temática da LIBERDADE DE EXPRESSÃO DO PENSAMENTO*
"São tão fortes as coisas.
Mas eu não sou as coisas e me revolto" (Carlos Drummond de Andrade)
Quando o poeta diz puta ele pode estar querendo dizer exatamente puta.Quando o poeta diz lei ele pode estar querendo provocar o rei. Quando o poeta diz tudo é porque não se concebe que o poeta permaneça mudo"(Salete Maria da Silva)
Liberdade de expressão do pensamento, o que vem a ser isto?
Trata-se do direito de exprimir, por qualquer forma, o que se pense em ciência, religião, arte ou o que for, diz o magistério de Sampaio Dória. É conquista do Estado de Direito, vez que o Estado antigo e o medievo não conheceram e nem tutelaram a liberdade de expressão. Aliás, sequer (re)conheceram os direitos individuais.
Constitui liberdade de conteúdo intelectual e supõe o contato do indivíduo com seus semelhantes, através do qual o homem tende a participar a outros suas opiniões, crenças, conhecimentos, angústias, preocupações, concepções de mundo, etc; eis o que informa a melhor doutrina.
O professor Celso Ribeiro Bastos, em sua elevada capacidade de interpretação de preceitos constitucionais, por seu turno, leciona que ¿a liberdade de expressão do pensamento é tida por uma das mais importantes. Talvez por isto mesmo seja das que maior número de problemas levanta.¿
Historicamente figura num dos primeiros catálogos de direitos individuais. Rezava a Declaração de Direitos de Virgínea (1776) que a liberdade de expressão do pensamento: ¿ é um dos grandes baluartes da liberdade, e jamais poderá ser restringida, senão por um governo despótico (art12).¿ No mesmo sentido se manifestou a declaração de Direitos da França (1789):¿ Ninguém pode ser perturbado por suas opiniões, mesmo religiosas, desde que sua manifestação não inquiete a ordem pública estabelecida pela lei.¿
Observe que tais dispositivos já eram defendidos pela burguesia, então revolucionária, há mais de dois séculos atrás. Valendo destacar que assim procedia para garantir aos enciclopedistas e aos iluministas a liberdade de sua manifestação, e, em muitos casos, serviu de base às suas defesas contra a pena a que estavam submetidos: morte na fogueira, por suas opiniões.
A idéia de que a consciência de uma pessoa é indevassável constitui, hoje, matéria pacífica entre os estudiosos do direito. Ocorre, contudo, que o ser humano não se contenta com o mero fato de poder ter opiniões. Necessita, antes, partilhar com os outros, procurar convencer, persuadir, discutir aquilo que interessa a todos, ou seja, as questões da vida em sociedade. Daí, para uma maior segurança, passou o homem a lutar pelo direito de exprimir aquilo que pensa, para não ser tolhido nesta liberdade que, conforme se sabe, fora conquistada de forma tão dolorosa e, principalmente, sangrenta.
Por viver em sociedade, reitere-se, o homem carece de trocar idéias, ainda que contrárias às do Rei(tor), do Imperador, do Presidente, do governante. E nas suas relações, quer no meio familiar, profissional, estudantil, enfim social, precisa trazer a público o que pensa, o que sente, o que não aceita, o que não tolera, o que combate e, logicamente, aquilo que defende.
A Constituição, para quem não sabe, reconhece, atualmente, este direito em sua dupla dimensão: como pensamento íntimo e como exteriorização, outorgando às pessoas a liberdade de ter e defender suas convicções sejam elas religiosas, políticas e filosóficas. Garante a todos, inclusive, o direito de aderir a outras idéias, de abandonar as velhas, de criticar as dos outros, de elaborar idéias novas, de se manifestar protestante, ateu, budista, comunista, agnóstico...
Todavia ( e isto merece ser dito), a liberdade de expressão, como de resto todas as demais, não é absoluta. Há os limites à sua manifestação. Este limite também tem limites. E seu limite é a lei. Daí porque ¿ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude da lei (art. 5º, II), princípio da legalidade que deve ser interpretado de forma sistêmica, contextualizada e em obediência aos preceitos informadores do Estado Democrático de Direito, tendo sempre e acima deste a absoluta observância da idéia de dignidade humana.
Assim, não será o interessado que vai estabelecer o limite, que vai dizer o que quer e o que não quer ouvir, ou ler, enfim. É o direito com todas as suas contradições e brechas que vai estabelecê-lo. E o faz. O direito não impede que as pessoas se manifestem, ao revés, garante-lhes esta liberdade. O que o direito veda é o anonimato. Fazendo isto, a meu sentir, com acertada razão; pois, com efeito, o anonimato é a forma mais vil, mais torpe de emitir um pensamento. Revela um vício moral, uma falta de coragem. O pensamento anônimo demonstra a covardia de quem escreveu, demonstra pusilanimidade, fraqueza, medo. Assim, o texto anônimo ou apócrifo devem ser rejeitados, dado que impossibilitam a identificação do autor e, conseqüentemente, eventual possibilidade de reparação de danos.
Repita-se, como restrição à liberdade de pensamento a Constituição proíbe o anonimato, não o pseudônimo ou a identificação enquanto movimento, associação, grupo, desde que não sejam estes de caráter criminoso e seus membros, por sua própria existencialidade, possam ser ou vir a ser identificados. Ademais, há casos em que a identificação pode concorrer até mesmo para a morte do autor da expressão, como ocorreu com comunistas clandestinos no Brasil ditatorial. Falava-se em liberdade de expressão, mas o preço a ser pago pela identificação era muito alto, nestes casos era menos gravoso descumprir a lei que observa-la.
Consoante todos sabem o pensamento humano é pluriforme. Pode manifestar-se através da música, da pintura, do teatro, da fotografia, da literatura, etc. Manifesta-se de forma criativa, não pode estar condicionado à autorização de quem quer que seja. Lembram-se: ¿ apesar de você amanhã há de ser outro dia...¿; ¿afasta de mim esta cálice, pai...¿; ¿ ...um rei mal coroado não quis o amor em seu reinado...¿; ¿enquanto os homens exercem seus podres poderes...¿; ¿enquanto houver corpo, tempo, espaço e algum modo de dizer não, eu canto...¿? A Constituição brasileira de 1988 em seu art. 5º, IX liberta a manifestação intelectual, artística e científica, tornando-as independente de censura e licença prévia.
Destarte, as restrições à liberdade de pensamento devem ser interpretadas de forma literal, e só devem ser realizadas quando houver fundamento fático que as ampare. Não é o simples e só fato de vir qualquer manifestação a desagradar a autoridade que se fará com que esta seja tolhida, restringida, cerceada. Não podemos ser alijados do direito de saborear a poesia, a música, ou qualquer outro veículo de comunicação pelo ato arbitrário do governante. Sepultamos a ditadura militar e com ela a censura, a triagem ideológica da expressão do pensamento. O constituinte de 1988 aboliu tal conduta, expressamente.
A lei ordinária, por sua vez, diz expressamente quando pode ocorrer o dano (quando a manifestação, e seu excesso deliberado, versa sobre direito de privacidade, acarreta calúnia, injúria ou difamação e quando a informação não corresponde à realidade).
É certo que o direito à manifestação do pensamento não autoriza toda e qualquer manifestação, como, por exemplo, a apologia a fatos criminosos (art. 287 CP) ou a propaganda do nazismo (Lei 7.716/89), mas o faz não para proteger seres potentados ou entes individualizados, e sim por se tratar de manifesta conduta criminosa, contrária aos interesses de toda a sociedade ou de significativa parcela desta, e sobretudo, ao princípio da dignidade humana.
No mais, reputar e dizer publicamente que um governante é arbitrário, antidemocrático, despótico, autoritário, enfim, tudo isto faz parte do jogo democrático, do pluralismo de idéias, da possibilidade jurídica de se fazer oposição a governos e a políticas atentatórias aos interesses dos administrados. É característica própria do Estado de Direito e exigência mesma da subsistência do Estado Democrático.
Sem liberdade de expressão do pensamento não há que se falar em Democracia e sem democracia qualquer tirano pode deter e até calar o mais ingênuo e inofensivo dos sentimentos.
*Salete Maria da Silva
professora mestre em Direito Constitucional
da Universidade Regional do Cariri- Urca
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| Sexta-feira, Dezembro 26, 2003 |
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A jornada termina.
O Senhor dos Anéis: o Retorno do Rei encerra a trilogia mais bem sucedida do cinema, pondo para trás Matrix, Star Wars e De Volta Para o Futuro.
Suas 3h21m de duração foram bem aproveitadas, de forma que passa-se rapidamente enquanto a Sociedade do Anel, rompida no final do primeiro capítulo, luta contra o mal quando este mostra-se pronto para eliminar os homens da Terra-Média e recuperar o Anel do Poder.
É neste capítulo em que todos os personagens mostram seu real valor. Gandalf como conselheiro, Aragorn como líder, Pipin e Merry com coragem, Sam com lealdade, Frodo com determinação, Legolas e Gimli com amizade. E não para somente na Sociedade. A nobre filha do rei de Rohan, Éowyn, não consegue ficar ao invés de partir para a luta ao lado do seu rei e chega a ficar frente a frente com o mais poderoso dos Nazgûl.
Como todos os contos de fadas, o bem triunfa, mas não sem sacrifícios. Muitas perdas, muita dor, mas ainda assim, a glória é atingida e a liberdade dos povos da Terra-Média não será mais ameaçada por muito tempo... |
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NATAL
capital do Rio Grande do Norte.
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| Quarta-feira, Dezembro 24, 2003 |
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Olá amigos "Arteiros" ! Venho hoje na Noite de Natal deixar para vocês um texto de Drummond que fala um pouco do que o Natal se tornou... na visão Drummoniana ...é claro.
Um abraço a todos e a gente se encontra por aí.
O QUE FIZERAM DO NATAL
Carlos Drummond de Andrade
Natal.
O sino longe toca fino,
Não tem neves, não tem gelos.
Natal.
Já nasceu o deus menino.
As beatas foram ver,
encontraram o coitadinho
( Natal)
mais o boi mais o burrinho
e lá em cima
a estrelinha alumiando.
Natal.
As beatas ajoelharam
e adoraram o deus nuzinho
mas as filhas das beatas
e os namorados das filhas,
mas as filhas das beatas
foram dançar black-bottom
nos clubes sem presépio.
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| Segunda-feira, Dezembro 22, 2003 |
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Grupoterapia com Adolescentes
Segundo o autor, Luiz Carlos Osório, a psicoterapia de grupo, ou grupoterapia, ¿é a modalidade psicoterápica que melhor se adequa às características evolutivas do processo puberal¿, ou seja, é, por excelência, a terapia mais indicada para os adolescentes. Isto se deve, segundo o autor, à tendência natural que o adolescente apresenta em procurar no grupo uma forma de identificação mútua, de maneira a construir sua identidade frente à alteridade. A procura pela identidade é o que marca o período da adolescência, no qual o adolescente vivencia angustias existenciais. Através da psicoterapia de grupo, o adolescente pode projetar seus medos, vergonha, temores, dúvidas, em dramatizações, ou na identificação com os demais componentes do grupo. O adolescente irá procurar sua identidade no meio social mais amplo, e não mais no ambiente familiar, onde permanecia restrito à identificação com a figura dos pais.
Segundo Osório, a psicoterapia de grupo é mais indicada a adolescentes que apresentem quadros de neurose ou estejam passando pela ¿crise adolescente¿; é contra-indicada em casos de psicopatologia graves, a exemplo das psicoses em geral.
Há dois critérios utilizados pelo terapeuta num grupo com adolescentes que são importantes para determinar o fracasso ou sucesso da psicoterapia, os critérios de seleção e agrupamento.
De acordo com Zimmermman, ¿a ¿seleção¿ consiste em investigar as características de um paciente, a fim de verificar se a indicação é ou não a psicoterapia de grupo; e por ¿agrupamento¿ se dede entender a eleição adequada do paciente já selecionado para determinado grupo terapêutico¿.
Alguns elementos significativos para o critério de seleção são: a maneira como se processa o contato inicial do paciente com o terapeuta; ¿as motivações ou justificações do paciente para vir tratar-se em grupo¿; ¿a eventual intermediação dos pais e a avaliação de sua receptividade para com o tratamento dos filhos¿; além do que o autor chama de teoria da doença e a fantasia de cura do paciente.
No que se refere ao agrupamento, é importante considerar as diferenças de desenvolvimento entre adolescentes de faixas etárias distintas. Na adolescência, devido ao desenvolvimento corporal e fisiológico rápido, ocorre que cada faixa etária se diferencia, também psicologicamente, da outra de maneira notável, o que não ocorre com tanta freqüência entre indivíduos adultos. Tanto o grau de amadurecimento e autonomia do ego, quanto as exigências do ambiente sócio-familiar, se apresentam de maneira diferenciada entre adolescentes. Assim, o autor afirma que ¿é mister formarmos subgrupos etários na faixa adolescente onde, menos que a idade cronológica, importa considerar o nível de escolaridade e certa homogeneidade quanto aos interesses sócio-culturais¿. Considerando isso, o autor divide os adolescentes em três subgrupos: os púberes, formado por escolares do 1º grau, com idade entre 13 e 15 anos; os adolescentes intermediários, que são os escolares do 2º grau, cuja idade varia entre 16 e 18 anos; e os adolescentes tardios, que compreendem os universitários e/ou profissionais, que vão dos 19 anos em diante. Os grupos apresentam componentes de ambos os sexos; contudo, entre os púberes, devido às inibições existentes neste período do desenvolvimento, pode-se separar o grupo dos meninos do grupo das meninas, o que, particularmente, não é indicado pelo autor.
Algumas dificuldades são encontradas dentro desses subgrupos. Entre os púberes, onde a maior procura pelos grupos é de pacientes do sexo masculino, existem dificuldades na verbalização e os modos de defesa mais comuns são as fóbicas e obsessivas. Já entre os adolescentes intermediários, onde há um certo equilíbrio entre os sexos, ¿a verbalização é mais fluente, mas o uso da intelectualização como defesa predominante bloqueia o acesso aos níveis mais profundos do psiquismo¿. Por fim, entre os adolescentes tardios, onde há o predomínio de pacientes do sexo feminino, existe uma maior verbalização direta do material conflituoso e a possibilidade de mais insight.
O autor afirma a importância de não se colocar num mesmo grupo pacientes que apresentem mecanismos de defesa semelhantes, pois isso poderia acarretar uma neurose de caráter grupal, devido à consistência dessas defesas. Por isso, o ideal seria diversificar a composição do grupo com a inserção de pacientes que apresentem mecanismos de defesa distintos, com o intuito de enriquecer a experiência e o caráter do grupo, uma vez que essas defesas poderiam ser confrontadas.
Entre as principais técnicas utilizadas no manejo de grupos com adolescentes sobressai o uso de dramatizações, ¿visando obter-se um maior insight sobre as motivações inconscientes das situações críticas emergentes no grupo através de sua representação vivenciada.
De acordo com o autor, o principal objetivo de um grupo terapêutico de adolescentes é a superação do sentimento de vergonha e a recuperação da espontaneidade (infantil) perdida.
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| Quinta-feira, Dezembro 18, 2003 |
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O bem de Kant
Reparando, a gente percebe que são muitos os que pedem atenção.
E o cérebro da gente, meus amigos, é vasto.
Cabe.
Sabendo disso, deixe eu lhes falar de Kant.
Refletores na sua Fundamentação da Metafísica dos Costumes:
"Age apenas segundo aquelas máximas através das quais possas, ao mesmo tempo, querer que elas se transformem numa lei geral"
Immanuel Kant formula lei moral como sendo necessidade individual de se fazer uma ação boa, positiva. O homem justo faz justiça por convicção da justiça. Quando não há influência externa que atue na fundamentação do bem, há a liberdade, porque do contrário, estaríamos sujeitos apenas aos nossos desejos, encarcerados no plano sensível. (como quando se sente vontade de insultar ou esganar alguém e vem a ação da razão impedir)
Por exemplo, alguéém cria um projeto e bota o nome de FOME ZERO. Se essa idéia tiver sido com o intuito de realmente acabar com a fome dos que tem fome, esse alguém agiu de acordo com o imperativo categórico. Ou seja: agiu pelo bem coletivo. Mas, se do contrário, a intenção tiver sido meramente marketeira, vizando o engrandecimento pessoal, é a vez do imperativo hipotético.
Segue basicamente essa vertente a "ética da atitude" ou "ética do dever" de Kant. (do dever porque, segundo ele, há uma voz interna ordenando que a gente deve fazer o bem (e se ordena é imperativa, se vale para todas as situações é categórica)
Dessa ação justa, espontânea, deriva a felicidade, que é o dever enquanto contentamento próprio. Deve-se fazer o bem, oras, porque sim.
não faças ao próximo o que não gostaria que fizessem a você mesmo
viu.
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| Quarta-feira, Dezembro 17, 2003 |
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"O Tempo corre e a Vida escorre."
Eveline Alvarez
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| Segunda-feira, Dezembro 15, 2003 |
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Psicoterapia (cont.)
Outro conceito de psicoterapia é o seguinte:
¿psicoterapia é um processo no qual o cliente vai descobrindo um modo mais fecundo de lidar consigo, com o outro e com o mundo e onde ele vai sendo treinado para revitalizar suas potencialidades desorganizadas e a descobrir os recursos próprios de sua personalidade, ainda não postos em ação¿.
Para que uma psicoterapia possa atingir um mínimo de sucesso, é fundamental que o cliente possua uma vontade de se curar. Também é de extrema importância que o psicoterapeuta tenha conhecimento de seus próprios conflitos e complexos, para que não projete no cliente seus anseios e sua história pessoal de vida. Por isso, é essencial que o terapeuta se submeta previamente a uma psicoterapia na área em que pretende atuar, a fim de obter uma formação regular.
Wolberg apresentou uma definição de psicoterapia que ¿abrange, na sua totalidade, uma visão globalizante dos processos terapêuticos¿:
¿Psicoterapia é o tratamento, por meios psicológicos, de problemas de uma natureza emocional, na qual uma pessoa treinada estabelece deliberadamente um relacionamento profissional com um paciente, com o objetivo de remover, modificar ou retardar sintomas, de intervir em modelos perturbados do comportamento e de promover um crescimento e um desenvolvimento positivo da personalidade¿.
Podemos caracterizar os tipos de psicoterapia quanto ao número e quanto ao método.
Quanto ao número, ¿as psicoterapias se dividem em: individuais e de grupo¿. As psicoterapias individuais podem ser centradas na relação psicoterapeuta-cliente, a exemplo da Abordagem Centrada na Pessoa (ACP), desenvolvida por Carl Rogers; ou podem ser centradas nos sintomas, a exemplo das psicoterapias de base psicanalítica ou cognitivo-comportamentais, que pretendem explicar e/ou interpretar os sintomas.
Um método ¿é um conjunto de princípios, que, inter-relacionados dinâmica e harmoniosamente, formam um campo teórico para a construção de hipóteses. As técnicas vão existir em função de certas hipóteses¿. Nesse sentido, ¿um método é algo mais amplo que uma técnica¿. Assim, é que ¿o psicoterapeuta, utilizando de um determinado método, assumirá determinadas atitudes que gerarão um maior ou menor contato com seu cliente¿. Estas atitudes podem ser de caráter autoritário, categórico ou empático.
O método autoritário caracteriza os tipos de psicoterapias diretivas. Nas psicoterapias diretivas clássicas, a relação problema-psicoterapeuta é acentuada em detrimento do cliente. Já nas psicoterapias diretivas especiais, é acentuada a relação cliente-psicoterapeuta.
O método catártico, por sua vez, diferentemente da postura autoritária, é centrado no cliente e não no psicoterapeuta. Este método caracteriza as psicoterapias não-diretivas ou centradas.
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| Quinta-feira, Dezembro 11, 2003 |
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O ordeiro
Quem nunca ouviu falar em Aristóteles?
Aluno dedicado da academia de Platão, o rapaz de Estagira até que simpatizante com o mestre. Até não mais. Chega uma hora, né, que as coisas tomam outro rumo. Porque Aristóteles, amiguinhos, tinha outras idéias. Quis pôr ordem naquela hollywood que Platão estava engendrando. Que sonho que nada, que abrissem logo do olho. E apontou para vida, porque aqui é a vida.
Analisou menino, mosca, macaco. Isso é animal, aquilo é inseto, isso tem osso, aquilo tem a razão. Um sistematizador. Ordenou a grande bagunça: foi primeiro biólogo da Europa.
Aristóteles, ativo que era, certamente supôs que isso de ficar no plano das idéias não ia levar o senhor seu mestre a lugar nenhum. E se, na prática, Platão não saía do canto, seu discípulo mais famoso percorria o mundo catalogando vida a fora. Um idéia ele defendia: na mente nada há que já não tenha sido experimentada pelos sentidos. Platão que acabasse com essa história que as idéias são inatas, que são mais necessárias que qualquer outra coisa. A natureza e suas leis, sim, que por trás havia um propósito, uma finalidade. E por trás do atrás da finalidade, o que há? um Deus, pensou o último grande filósofo grego, colocou em marcha os movimentos da natureza.
O aluno que libertou o mestre da prisão mitológica, que pena, foi cristianizado por Tomás de Aquino.
Eles estão por toda parte.
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| Quarta-feira, Dezembro 10, 2003 |
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Olá pessoas...
Para hoje escolhi uma poesia de um amigo meu...
Primeiramente... agradeço ao Ismael por ter deixado eu colocar a poesia dele aqui... :)
Na verdade essa não era apoesia que eu iria colocar aqui... eu tinha conversado com ele sobre outra...mas ao ler a "Sétima Sinfonia" eu senti uma sensação de grande liberdade... me senti calma e também tive a sensação de estar chovendo e a chuva que essa poesia me fez sentir é quase uma melodia...
Sétima Sinfonia
Queria ser uma canção.
Não ser tocado com o dedo,
mas sentido, sem medo,
no fundo do coração.
Queria ser uma nota.
Ser lido e interpretado
num tempo compassado
como se conta uma anedota.
Queria ser uma melodia
cantada inexprimivelmente...
sem porfia!
Queria ser assim...
uma música completa!
Um todo de você, um pouquinho de mim.
Ismael Alexandrino. |
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| Domingo, Dezembro 07, 2003 |
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Pêssegos
Quando o silencio me tapou com seus raios de pêssego, eu quis mesmo morrer...os raios de pêssegos me apavoravam nas têmporas e eu parecia que engasgava a I guerra mundial em meus lírios. 83% de mim sofria como uma sardinha na lata. 76% formigava como uma tempestade, um cálice de cicuta. Eu perdi os meus sonhos exatamente naquela página do dia. Era um dia 02, à tarde, sem chuva, com sol, quente demais. Minhas veias,coitadas! as palavras não podem riscar o sentimento que elas, por não se desprenderam do susto, da dor, do tudo inquietado, faiscavam. Doía de montão. O coração, naquele silêncio retangular, engolia o zíper do trovão, somente para não fechar o desolado olhar de passarim abandonado, que rangia com uma metralhadora nas asas. Ai como doía essa dor de perda total! 100% de mim estava atolado na curva. A curva que não cabia no meu designe de menina assustada de desesperanças. Eu quis tanto te dar um beijo de boas vindas! Quis tanto ser o sol da sua noite, sua certeza. Beijo na boca de delícia. Na boca com hortalícias. Boca de tesão avexado pra dedel. Eu não sei não, mas parece que nada no estômago vai entrar antes dos pirilampos. Existe uma zoada que vem das tristezas que impede a agente de comer a cor, a seiva, os segredos, antes das borboletas acariciarem os organismos das fadas. Inexisto neste dia de Hiroxima. Neste dia de folhas soltas. O silêncio, esse tormento me tira o riso. É muito difícil não chorar...
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| Sexta-feira, Dezembro 05, 2003 |
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A vida por dar reviravoltas em três estações. Verão, outono e inverno é o suficiente para o diretor Darren Aronofsky nos mostrar o trágico caminho que as drogas podem nos levar.
Assim é Réquiem por um Sonho (Requiem for a Dream, Estados Unidos, 2000). Uma história de quatro pessoas em busca dos seus sonhos. Mas por outro lado, eles não são livres, pois são viciados.
Aronofsky, que também dirigiu Pi - Sim, aquele mesmo símbolo que representa o valor de 3,14 - não nos leva ao mundo underground das drogas, e sim a um mundo que poderia ser de qualquer um. Uma vizinhança normal. Neste mundo, Harry (Jared Leto) quer subir na vida de ter estabilidade. Sua mãe, Sara Goldfarb (Ellen Burstyn) é solitária, só tem a televisão para se entreter. Quando recebe um convite de seu programa favorito, deseja emagrecer para poder vestir seu vestido vermelho que usava na sua juventude. Marion (Jennifer Connely) é a namorada de Harry. Esta pretende juntar dinheiro para montar sua própria grife. E Tyrone (Marlon Wayans) que quer ser alguém na vida para poder cumprir sua promessa, feita nos braços de sua orgulhosa mãe.
Para irem buscar os seus sonhos, os dois amigos resolvem traficar drogas, ao invés de consumi-las. Mas isso não parece ser um tarefa fácil e eles continuam a se drogar. Marion, esperando ganhar dinheiro com namorado e também querendo matar a sede pelas drogas, ela busca dinheiro do seu terapeuta, que só fornece depois de levá-la para cama. Paralelo a isso, Sara procura ajuda médica para amagrecer e a partir daí começa a tomar pílulas e fica mais paraóica com a idéia de aparecer no seu program favorito.
Daí então aquela vida em que todos sonham vai fugindo pelo ralo. A alegria e satisfação que viveram no verão vai dando lugar angústia no momento que chega o outono ("fall" em inglês, que também quer dizer "queda") e acaba chegando ao fundo do poço com o inverno.
O filme de Aronofsky é um soco no estômago. Uma viagem aterrorizante, crua, chocante, angustiante, triste, furiosa e incrivelmente bela. Sentimos a luta de cada personagem com a dependência, que esta leva cada vez mais vantagem. A maneira como é mostrada o despero de cada um (o grito abafado de Marion dentro da banheira é singular). De como é mostrada a droga sendo injetada, invadindo o corpo, pela circulação sangüínea, a pupila se dilatando, com cortes rápidos e de arrepiar.
A câmera parece ter ganhado vida própria, com movimentos bruscos e até incontroláveis, seguindo os personagens de perto causando um sentido de aperto, de que as paredes vão ficando mais próximas. A trilha sonora é perfeita e também angustiante e não sai da cabeça. E a atuação de Ellen Burstyn como Sara Goldfarb é brilhante, e só a Academia não percebeu que Ellen que merecia o Oscar pela atuação, e não Julia Roberts por Erin Brockovich.
Um grande manifesto contra as drogas totalmente diferente de novela global. Requiem por um Sonho mostra um final irreversível, cruel, inimaginável no começo da trama, quando estávamos felizes com o verão. Aronofsky mostra ao espectador um show que o deixa pálido, chocado e desconfortável, em uma obra-prima que embora seja um dos melhores filmes já realizados, ninguém vai querer assistir mais de uma vez.
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| Quinta-feira, Dezembro 04, 2003 |
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Festa
uma letra alerta:
uma porta aberta:
uma forma concreta:
uma noite: festa
(Thiago Barbalho)
O desempenho da classe filosofante no barzinho
O que é de se esperar, companheiros, dos filósofos quando reunidos em torno das cervejas bem geladas? Ora, fossem os advogados falariam dos casos, os perdidos? Os paparazzis dos casos dos famosos, os médicos dos casos específicos, essas coisas. (e eu lá sei)
Já no caso dos filósofos
percebi: ao menor nível de álcool etílico no corpo, surge logo uma tendência de se defender o autor preferido com unhas e dentes, como se fosse irmão, o amigo de infância. E, claro, declarações de amor não poderiam faltar, rhá, eu sou apaixonado por Paul Ric¿r! amo esse cara!
Acusações também. esse bicho é um metafísico, sai, sai! não bebe mais comigo!
Há até quem leve, pasmem, um livro a tiracolo. E por quê, fulano? Ah, pra ler no ônibus, nas brechas.
eu me divirto.
O bom de tudo, é estar livre pra poder dar uma parada em frente ao mar, ou parar o mundo de alguma outra forma consoante o poder próprio da inércia, sem que ninguém fique achando que se trata de ausência de juízo satisfatório, doidice.
Aliás, mais divertido é ouvir falar de Hume entre um gole e outro. Bem naquela linha em que as palavras já nem saem com tanta precisão da pronúncia. E as idéias, ah, que nem de nexo precisam mais pra poderem vingar, são assimiladas com o mesmo movimento ondulante que a bebida faz ao cair no copo.
E claro, há os que falam pouco, muito pouco, preferindo a prática da filosofia só no pensamento.. sentido o efeito do álcool filosofando a dentro. Mas eu até arrisco, companheiros, uma afirmação, independente da minha condição etílica atual: Filosofia no barzinho, não há melhor nem mais fluida.
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| Quarta-feira, Dezembro 03, 2003 |
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"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis." ( Fernando Pessoa )
Hoje eu parei para pensar no que Fernando Pessoa disse...
Seria egoísmo querer que tudo dure para sempre?
...
Será que algumas coisas ultrapassam a eternidade?
Será que eu conseguirei terminar isso que estou escrev ...dlaçksdaçska çksãslã. |
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| Segunda-feira, Dezembro 01, 2003 |
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Psicoterapia
Psicoterapia, num sentido mais amplo, pode indicar qualquer atividade que proporcione o bem-estar físico e mental do sujeito, como: manifestações religiosas e artísticas, atividades esportivas, trabalho, etc. Contudo, quando nos referimos à teoria e técnicas psicoterápicas, devemos considerar a existência de um objeto particular, de métodos determinados e de um campo de atuação do psicoterapeuta. Neste sentido, podemos citar a seguinte definição de psicoterapia:
¿é um processo de treinamento, onde duas pessoas se encontram numa relação profunda e significativa, na qual o psicoterapeuta desempenha e vive, de um lado, a função de agente de mudança e o cliente reexperiencia, do outro lado, situações passadas, procurando compreendê-las, vivendo-as como presentes através de suas emoções, fantasias e sentimentos, tentando dar novo sentido ao próprio existir como um todo¿.
A psicoterapia como atividade sistemática e com pretensões científicas, de fato, surgiu recentemente em nossa história moderna, praticamente nos primórdios do século XX.
Esta atividade iniciou-se com Sigmund Freud, que descobriu ¿a influência da sexualidade na psicogênese e psicodinâmica das neuroses¿.
Através de sua relação com o paciente, Freud desenvolveu uma forma de psicoterapia que se baseava na palavra, tendo como principal método a associação livre de idéias, juntamente com a interpretação dos sonhos. Neste tipo de psicoterapia, o indivíduo adulto é levado a falar de lembranças de sua história infantil, que permaneceram recalcadas em seu inconsciente. A emergência dessas representações recalcadas no inconsciente para a consciência, em conjunção com a vivência do afeto que remete o sujeito à situação traumática original, provocava uma melhora significativa nos sintomas dos que sofriam de enfermidades psicopatológicas ou psicossomáticas. Freud denominou esse novo método psicoterápico de Psicanálise.
A psicanálise, como processo psicoterápico, é conduzida por meio do que Freud denominou de transferência, isto é, da relação entre o paciente e o analista, na qual o primeiro projeta no segundo sentimentos vividos em situações passadas. Este processo tende a esbarrar na resistência do paciente em admitir para si mesmo seus sentimentos negativos e dolorosos vivenciados na infância.
Do ponto de vista teórico, Freud desenvolveu conceitos como o de libido; complexo de Édipo e de castração; narcisismo; pulsão; id, ego e superego; além do principal conceito que fundamenta a psicanálise: o inconsciente. Freud utilizou desses conceitos para construir sua teoria da personalidade.
Já Alfred Adler, inicialmente discípulo de Freud, irá romper com seu mestre e criar uma nova teoria, denominada de Psicologia Individual. Adler ressalta o papel das instancias sociais na motivação das atividades do homem, em detrimento da pulsão sexual, como afirmava Freud.
Adler irá desenvolver conceitos próprios de sua teoria, como o de self, ¿realidade dinâmica e criadora¿; aspiração à superioridade e complexo de inferioridade; entre outros.
Jung, por sua vez, também discípulo de Freud, rompe com o mesmo ao rejeitar o pansexualismo freudiano. Assim, Jung desenvolve sua própria teoria da personalidade, que irá se chamar Psicologia Analítica.
Neste sentido, Jung irá dar mais importância às origens sociais do homem, sendo este ¿produto e síntese de sua história ancestral¿. A partir dessa visão do homem, Jung irá formular o conceito de inconsciente coletivo, que engloba todo o arcabouço cultural desenvolvido pelo homem através da história. Essas formas universais de pensamento são denominadas de arquétipos.
As teorias psicoterápicas da atualidade foram, de alguma maneira, derivadas, ou sofreram influência, das teorias acima citadas. Muitas técnicas têm sido inventadas, baseadas nas teorias originais ou como aperfeiçoamento destas, o que demonstra a tentativa de atualização do conhecimento na área das psicoterapias.
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