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Patativa do Assaré Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte

Sonhos Claudia Alexandra, portuguesa.

Banho de Lua Claudia Alexandra, portuguesa.
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| Quarta-feira, Março 31, 2004 |
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| Sexta-feira, Março 26, 2004 |
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"E você abre a porta e dá um passo a frente.
Onde você encontra sua paz interior.
Agora imagine que sua dor é uma bola branca iluminada.
É isso. Sua dor é a bola branca iluminada.
Eu acho que não.
Essa é a sua vida. Beba até a última gota.
Não vai ficar melhor do que está.
Essa é a sua vida e ela acabando minuto a minuto.
Isso não é um seminário. Isso não é um retiro de finais de semana.
De onde você está agora você nem imagina o quão fundo ficará.
So após a desgraça nós podemos ressuscitar.
Só após de você perder tudo você será livre para fazer tudo.
Nada é estático. Tudo está evoluindo.
Tudo está caindo aos pedaços.
Essa é sua vida.
Não vai ficar melhor do que está.
Essa é sua vida.
E ela está acabando munito a minuto.
Você não é um bonito e inigualável floco de neve
Você é feito da mesma deteriorável materia orgânica como todo o resto
Nós somos feitos da mesma matéria podre
Nós formamos o único lixo que canta e dança no mundo
Você não é sua conta bancária
Você não é a roupa que veste
Você não é o conteúdo de sua carteira
Você não é seu câncer de intistino
Você não é seu melhor café
Você não é o carro que dirige
Você não é a porra de suas calças
Você tem que desistir
Você precisa se dar conta que você irá morrer
E até que isso acontece, você é inútil
Eu digo: Nunca eu estarei completo
Eu digo: Nunca eu ficarei contente
Eu digo: Me entregue a mobília sueca
Eu digo: Me entregue a arte inteligente
Eu digo: Me entregue a pele clara e os dentes perfeitos
Eu digo: Você tem que desistir
Eu digo: Evolua, mesmo que não faça isso por dentro
Essa é sua vida.
Não vai ficar melhor do que está.
Essa é sua vida.
E ela está acabando munito a minuto.
Você tem que desistir
Bem vindo ao Clube da Luta
Se esta é a sua primeira vez, você tem que lutar" |
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| Quinta-feira, Março 25, 2004 |
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Porque a titular dos textos da quinta-feira está, em instantes atuais, assessorando paradigmas referentes a sua plantação de batatas, o texto de hoje é entre aspas.
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...
Certamente, o indivíduo que raciocina, céus, tem estas questões e outras milhares. tudo certo até aí, não fosse a disposição que todo sujeito tem de se atrelar a carroças, guiadas por seus intelectos, com destino ao que o mundo se exploda, eu faço isso nem que eu tenha de passar por cima dos cadáveres de judeus ou de qualquer outra raça para satisfazer o meu ego etnocêntrista, falocêntrista e sexista. Enfim, por intermédio do raciocínio é possível encontrar argumentos pra sustentar, ainda que prestes a cair, a soberânia do indivíduo que possui um intelecto ativo. dirão que é possível, como não é para o cão, se desatrelar de coleiras. ha, um povo que vive em caixas, quando não nas ruas, feito sardinhas ou ovos, em casa, em frente a outra caixa donde eles podem observar passivamente o produto final do "raciocínio", as idéias alforriadas e tudo que patrocina, outras caixas pra guardar gente que mata por outros ideais tão bestas quanto qualquer outro, por que queriam também ser sardinha, ou por que na novela a mocinha mora numa caixa de paredes sólidas com almofadinhas fofinhas e coloridinhas, o modelo perfeito de vida.
by Lux Luxo
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| Quarta-feira, Março 24, 2004 |
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Perdida num monólogo
O que eu entendo não me é visível.
Visível é a ausência que sinto.
Sinto a lembrança do que não fui e penso na possibilidade do não continuar a ser.
A realidade fecha as cortinas do palco.
Onde está o cenário?
Sei que ele ainda existe, mas por que é tão cinza e eu não consigo ouvir as vozes dos atores?
Onde estão todos?
Seria um monólogo? Seria eu no palco?
Seria uma história de alguém que nem sabe onde está?
Por que diretor não define o meu papel de uma vez?
O cenário vem aparecendo aos poucos e a única coisa que consigo ver é um copo vazio no centro do palco.
Há fumaça. Começo a ouvir vozes.Tudo é muito distante agora.
Não consigo mais ver o copo. Tenho sede e não sei o que beber. Como beber se perdi o copo de vista?
A fumaça cresce. Vejo agora apenas vultos na palatéia. As pessoas conversam e parecem não entender o que aconte no palco.
Percebo agora que tenho a responsabilidade de começar a fazer alguma coisa para chamar a atenção dos olhos que querem me julgar.
O monólogo sou eu esta noite.
Estou num placo e não sei a minha fala. Apenas sinto o texto e ele não sai. Preciso improvisar. Preciso fazer algo para mudar o curso desta peça. Preciso que os olhos famintos da platéia degustem através das minhas palvras palavras o que sinto.
Será que eles entendem o personagem que faço? Eles nunca entedenriam.
Esse personagem que tenho que criar agora é uma mistura do real e do teatral.
Não , não consigo. Deixe-me sair desse palco. Não consigo. Por que a platéia me devora com olhares de cobrança?
Sinto que é difícil definir o que faço aqui agora.
Sinto que talvez eu nunca saiba.
Não sei porque começei e nem sei o que acontece aqui agora. Sei apenas que a qualquer hora a cortina vai fechar. A fumaça pode se transformar em brisa ou pode me sufocar. Não importa. O monólogo vai acabar e não sei se conseguirei ouvir as palmas. Algúem pode me avisar quando a cortina fechar?
Lembrem-me se tenho chance de achar o copo.
Por favor, chamem o meu nome, pois quando o monólogo acabar não sei se lembrarei quem eu sou.
eveline 25/03/2004
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| Segunda-feira, Março 22, 2004 |
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Eventos Mentais e Causas Estruturantes do Comportamento
Para Fred Dretske , explicações causais são sensíveis ao contexto. O que escolhemos como sendo a causa de E depende de nossos interesses, propósitos e conhecimentos anteriores. Segundo Dretske, quase todo evento, E, depende de uma grande variedade de outros eventos de tal maneira que torna qualquer um deles qualificado, dado o devido contexto, para ser selecionado como causa em uma explicação causal de E. O autor referido irá propor, ao assumir a validade dessa doutrina, a descrição de uma diferença entre dois tipos de causa ¿ uma provocadora e outra estruturante ¿ e a apresentação da utilidade desta distinção para o entendimento de duas formas de explicar causalmente o comportamento de sistemas. Dretske também irá sugerir que a diferença entre explicações psicológicas e biológicas do comportamento animal é fundamentalmente uma diferença do seguinte tipo: explicações psicológicas fornecem causas estruturantes do comportamento, enquanto explicações biológicas fornecem causas provocadoras do comportamento.
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| Quinta-feira, Março 18, 2004 |
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Entre Sócrates e os Sofistas: verdades
A natureza não tem valor intrínseco, qualquer dado é oriundo de interpretações humanas, indignas do título de verdade absoluta. Os valores são necessidades, não Verdades. Protágoras (um dos Sofistas) foi o que se ocupou em descartar o pretenso desejo de se atingir uma verdade absoluta, posto a limitação humana. Embora que isso muito pouco representasse a uma sociedade carente de normas, de regras éticas que harmonizasse o campo socio-político, é o preço a se pagar por destacar, sob o mais alto degrau, o homem em sua medida.
Sócrates, o homem que afirmava nada saber e despertava no semelhante idéia análoga, foi além de sua auto-intitulada ignorância: quis pra si a tarefa de mediar, ou, mais além, instaurar conceitos, para a visualização de uma ciência imutável, válida para todos, em todos os tempos. Se não o fez de forma concreta, ainda assim via a possibilidade de se chegar a um conhecimento universal ¿ mesmo que isso significasse, paradoxalmente, um somatório de todas as ignorâncias, que, juntas, atingiriam seu objetivo teórico.
Quando Protágoras silencia, tem-se, no âmbito prático, o valor da Ética socrática. Uma sociedade necessita das medidas, convenções, um ponto que delimite uma fundamentação social. A Grécia antiga necessitou de um Sócrates. (assim como nós necessitamos dos códigos de conduta, ementas éticas, boletins morais, na medida da utopia socialista) Há de se inventar verdades.
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| Quarta-feira, Março 17, 2004 |
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Gente, desculpe mas hoje estou sem condições... então:
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| Segunda-feira, Março 15, 2004 |
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Causação Mental: Suporte e Dinâmica
Ao referir-se à problemática da causação mental, Robert Audi irá considerar apenas um domínio principal: aquele das atitudes proposicionais e diretamente relacionadas aos elementos mentais. Ainda neste domínio, ele irá tratar mais especificamente das crenças, desejos e intenções, os quais considera os elementos mentais básicos cruciais nas explicações usadas em nosso cotidiano no que se refere às ações humanas.
Audi, em seu artigo ¿Mental Causation: Sustaining and Dynamic¿, irá se concentrar em quatro pontos, no que diz respeito ao poder causal do mental: primeiro, a visão de que razões ¿ que, paradigmaticamente, incluem crenças e desejos ¿ não podem ser causas; segundo, a visão associada de que a relevância explicativa de estados psicológicos como crenças e intenções é derivada de seus conteúdos, os quais são abstratos e, portanto, não se candidatam ao papel causal; terceiro, a idéia de que se o mental supervem do físico, então o que realmente explica nossas ações são as propriedades físicas determinando nossas atitudes proposicionais, e não estas atitudes por si mesmas; e por último, a tese de que uma vez que não existem leis ligando estados mentais (intencionais) a ações, aqueles estados não podem ser causas genuínas da ação.
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| Quinta-feira, Março 11, 2004 |
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ENTRE O REAL E O ABSTRATO
A Verdade despertou o interesse das mentes na Grécia antiga, o pensamento pretendia dimensões universais. Surgiam os Pré-Socráticos, primeiros a se ocuparem com o mundo concreto, visualizando a necessidade de uma explicação racional e sistemática das características do universo. Descartaram a mitologia vigente e voltaram-se em busca de um princípio substancial, uma matéria-prima de que porventura fossem constituídas as coisas. Para tal, empreitaram um discurso que falasse da natureza íntima das coisas, podendo permanecer, a natureza, intransitória em meio à multiplicidade de suas manifestações.
Foi a palavra a partícula patrocinadora da filosofia. Palavra que é pensamento, razão, verbo, sentença, discurso, proposição, definição. Que é uma só palavra: logos. (No o princípio era o verbo. E o verbo se fez filosofia)
Contudo, na pretensão de se chegar à verdade, a atividade filosófica cai em paradoxo tal qual cobra que abocanha o próprio rabo: como estabelecer uma cosmologia senão buscando respostas no âmbito da especulação subjetiva?
(a questão será encontrar subterfúgios para a construção de um edifício seguro ¿ do saber ¿ em meio a impossibilidade de se ter uma base seguramente sólida ¿ verdade irrevogável)
Por outro lado, é inconcebível o exercício filosófico desprovido da roupagem interpretativa - metafísica - que lhe instauram os pensadores. Suas especulações acerca do mundo são como as cores: têm a função de livrar o mundo da fadiga monocromática e colorir com formulações oníricas o cenário das possibilidades. É quando atua a metafísica ¿ entre o sonho e a carência de respostas, é ela que mantém os seres humanos num nível superior: exercita o recurso da criatividade mental e integra, na racionalidade, o potencial que aos outros animais é ausente.
Mesmo que não se absorva, com a metafísica, parcelas do pragmatismo necessário ao desenvolvimento do método filosófico, é exatamente por proporcionar vertentes paralelas ¿ por vezes tão irrisórias ¿ ao legado filosófico, que a metafísica instaura-se no cenário. Seu extremo teor imaginativo participa do alargamento das fronteiras dessa pretensa ciência do saber. É certo que, embora considerando as vantagens no campo artístico, o sistema filosófico perde em termos práticos, em vias lógico-demonstrativas. E a realidade sendo projetada no imaterial, transfere-se para um além-vida interesses que concernem - naturalmente - à vida: o foco humano é amplamente deslocado, além de desencadear a ausência de objetividade teórica.
Ainda que inseridos metafísica, cosmogonias, teologias, ou um somatório das interpretações que o homem adiciona ao mundo, ele permanece irremediavelmente desprovido da Verdade. Limitado: sob vigência de um contorno que o separa das grandes certezas universais. Dentre suas armas, figura razão e sentidos ¿ a percepção dos fenômenos físicos junto aos receptivos sensoriais, o poder inventivo que lhe é inerente enquanto ser superior, e as várias formas de interpretação. Dentro da prisão subjetiva, submergem limitação e capacidade especulativa, para juntas, percorrerem as possibilidades da linguagem. E o logos se faz o princípio unificador que governa o mundo.
Mas, o que quer dizer uma sentença quando junta palavras pra indicar certa coisa? quando uma seqüência de palavras ¿ proposição ¿ corresponde à realidade? O indivíduo não pode respirar tranqüilo nem mesmo no palco lógico das proposições.
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| Quarta-feira, Março 10, 2004 |
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A poesia de hoje é ainda da série :" O meu amigo escritor recifense".
Beijos para todos
Enfermidade do Coração
Sangue amarga o cálice...
São lagrimas que tenho em mão
E é na boca que desvanece
A enfermidade do coração
Chaga do espírito envelhece
Sem luz a pele rasteja na solidão
O rosado do rosto empalidece
Suplico por uma grande paixão.
Na cegueira os sentimentos escondem
Tornando criança o homem
Ao desvendar o verbo amar
Ir e vir, no leito, das estações
Volúpia com chamas alimenta a sensações
Torturando-me no inocente luar.
Demioergoi |
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| Segunda-feira, Março 08, 2004 |
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Causas Pensantes
O argumento utilizado por Donald Davidson para defender seu Monismo Anômalo é derivado de três premissas:
1) Os eventos mentais são causalmente ligados a eventos físicos;
2) Relações causais singulares são apoiadas por leis;
3) Não há leis psicofísicas estritas.
Para o próprio Davidson , a primeira premissa lhe parece óbvia; a segunda, verdadeira, embora contestada; e a terceira, verdadeira, e de validade discutível. Muitos estudiosos têm achado obscuro os argumentos de Davidson contra a existência de leis psicofísicas estritas; outros acreditam que as três premissas são inconsistentes entre si. Porém, as queixas têm se resumido em afirmar que o Monismo Anômalo torna o mental causalmente inerte. Os críticos estão em acordo: se o Monismo Anômalo torna o mental causalmente inerte, então o Monismo Anômalo aparentemente sugere a falsidade da primeira premissa e, conseqüentemente, a inconsistência das três premissas. A terceira premissa é, para muitos críticos, a mais relevante transgressora, de tal maneira que aqueles anseiam a abolição desta última.
O Monismo Anômalo, em conjunto com as premissas (1) e (2), parece ser consistente com a visão (epifenomenalista) de que as propriedades mentais de eventos não fazem diferença para as relações causais. Mas isto não é o suficiente para desacreditar no Monismo Anômalo em conjunto com as premissas (1) e (2), uma vez que isso não implica que o Monismo Anômalo sugere a inatividade causal do mental. O que os críticos devem demonstrar é que o Monismo Anômalo, ou este em conjunto com as premissas (1) e (2), sugere a impotência das propriedades mentais, o que Davidson acredita não haver maneira de provar.
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| Quinta-feira, Março 04, 2004 |
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Falaram que o prazer move a ação de um indivíduo. Antes de Stuart Mill foi Epicuro. Mas, de fato, quem há de agir senão por interesse próprio? Os altruístas também têm umbigos.
Mas vamos falar de Stuart Mill. Por que não? Ele perdeu tanto tempo buscando formulações, a gente então faz um esforcinho e perde tempo tomando conhecimento do que se passava na cabeça do cara.
Utilitarismo. Palavra-chave quando se fala no inglês em questão. E o que é?
Trocando em miúdos, é a felicidade com fins práticos. Trata-se de determinar utilidade dos variados tipos de prazeres quantitativamente e qualitativamente para o maior número de indivíduos possíveis.
O indivíduo, que é parte de uma coletividade, baseia-se em si próprio para atingir a totalidade. Assume a fundamentação social ¿ seu conjunto de normas e preceitos ¿ por assim ser de seu interesse a maior aceitação no meio, o menor sofrimento. Para isso, vale-se do cálculo dos prazeres: com minimização da dor e máxima obtenção do prazer atinge a maior felicidade para si e os demais. É, dessa forma, a felicidade uma utilidade, por ser tanto individual quanto coletiva.
O utilitarismo fundamenta o prazer como critério moral estabelecendo para isso o princípio da maior felicidade ¿ consiste na relação de maior prazer e menor dor para o maior número de pessoas. Mas esse fato não é vertente única em escritos de Stuart Mill, que se ocupam, também, em definir qualitativamente os tipos de prazeres ¿ fato que distingue radicalmente os seres superiores e inferiores, sendo aqueles movidos por emoções, sentimentos mais elaborados, arraigados de sensibilidade.
Em tudo é o prazer móvel da ação individual, conforme Stuart Mill. A negação do prazer, ao contrário, é uma ação danosa, posto não ter função prática nenhuma. A finalidade útil consiste no direcionamento ideal do prazer e não abstinência a ele. Proporcionar felicidade ao outro, conforme felicidade própria é o produto da ação consciente ¿ utilitarista.
Em suma, o prazer, conforme idéias de Stuart Mill, move a ação de um indivíduo, que, enquanto produto de uma sociedade, busca atingir o máximo de satisfação pessoal dentro do contexto que lhe é próprio, interceptando a felicidade com a coletividade.
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| Terça-feira, Março 02, 2004 |
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Relação das circunstâncias externas do espetáculo Concerto de Aniversário, de Eduardo Rovner, a partir de A criação de um papel, de Constantin Stanislavski.
01. Quatro velhos ao redor da mesa.
02. Anselmo usa cadeira de rodas.
03. Três cadeiras com instrumentos e um toca-disco.
04. Inácio tenta abrir a garrafa de champanhe e todos sentados contentes.
05. Combinam a celebração do aniversário quarteto com um concerto na TV.
06. Confirmação do espaço, dia e horário do concerto.
07. Toca uma campainha e eles ficam interrogativos.
08. Anselmo sorri desculpando-se por Zulema tocar a campainha.
09. Pedro abre a garrafa e serve.
10. Anselmo bebe pouco, ele tem úlceras.
11. Inácio propõe e todos brindam.
12. Os quatro estão reunidos para o ensaio.
13. Toca o telefone e Anselmo atende.
14. No telefone Anselmo dá explicações sobre a saúde da esposa.
15. Desliga e pede desculpas pelo telefone ter tocado.
16. Anselmo comenta a chegada da carta da fábrica de cordas.
17. A fábrica renova o contrato por mais dois anos, após pagamento.
18. Pedro é o responsável pelos contatos com as orquestras para troca de corda dos instrumentos.
19. Pedro relata dificuldade comercial.
20. Pedro participa da "remoção" dos músicos que não aceitam a troca das cordas e logo em seguida eles morrem.
21. Pedro relata o enterro de um velho na Chacarita.
22. O telefone toca novamente e Anselmo não atende.
23. De fora, Zulema suplica para que Anselmo atenda o telefone.
24. Os músicos riem em silêncio.
25. Estevão interrompe dizendo ser hora de trabalho sério.
26. O quarteto discute sobre a organização do grupo e a participação em um programa de TV de várias horas.
27. Os quatro só sabem interpretar o terceiro movimento.
28. Anselmo teme executar o pizzicato.
30. Pedro propõe o ensaio. O quarteto se dirige aos instrumentos e começam a afiná-los.
31. Inácio liga o toca-disco e começa a soar o primeiro movimento do quarteto número três de Rasoumovsky de Beethoven.
32. O quarteto finge tocar compenetrado.
33. Inácio pára de tocar, tira a agulha do disco, e reclama do Anselmo por ter entrado tarde no compasso 94. Discutem.
34. Pedro aponta o arco com um apontador sempre que pode.
35. Toca novamente o telefone.
36. Inácio propõe a Pedro que corte o fio do telefone e ele corta.
37. Discutem novamente sobre o telefonema.
38. Estevão propõe a volta aos ensaios.
39. Inácio põe o disco e começa novamente a encenação.
40. Zulema entra com as mãos nos ouvidos, passando mal, e cochicha para Anselmo.
41. Anselmo fica na dúvida se responde ou continua tocando.
42. Zulema quer saber onde estão os remédios de Anselmo.
43. O filho saiu para comprar os remédios dela.
44. Zulema reclama pelos ensaios diários e Anselmo diz que os remédios estão no armário.
45. Zulema vê o fio do telefone cortado e diz querer um médico.
46. Anselmo afasta Zulema com o arco.
47. Inácio tira o disco. Pedro e Estevão levam Zulema até a porta e a expulsam.
48. O grupo volta a ensaiar e Inácio exige perfeição.
49. Toca novamente a campainha.
50. Inácio manda Pedro tirar a campainha de Zulema.
51. Ouve-se um grito de Zulema. Pedro a agride entra, tira a campainha de Zulema e volta com a mão ensangüentada.
52. Pedro traz a campainha e entrega a Inácio que a guarda.
53. Inácio exige concentração de Anselmo.
54. Todos olham Inácio preocupados.
55. Inácio comenta sobre a gravidez e morte de sua cadela e seus filhotes. Todos se entristecem.
56. Pedro elogia Inácio pela sua concentração no ensaio e pede que mostre as fotos da cadela.
57. Todos olham as fotos emocionados e tecem comentários.
58. Estevão propõe execução do segundo movimento e Anselmo recusa.
59. Estevão divaga sobre o movimento de pizzicato e descreve o universo musical de Beethoven.
60. Inácio põe o disco e recomeça o ensaio.
61. Entra em cena José Maria com Zulema nos braços ensangüentada.
62. Zé Maria indignado pergunta quem agrediu Zulema e eles o ignoram.
63. José Maria furioso joga os atriz fora e rasga as partituras do pai.
64. Inácio, Pedro e Estevão cercam José Maria e Pedro golpeia-o.
65. José Maria desmaia. Zulema vai até o filho.
66. Anselmo dá o arco afiado a Pedro.
67. Pedro crava no estômago de José Maria.
68. Zulema grita e desmaia.
69. Os quatro lentamente vão para seus lugares e pegam os instrumentos.
70. Inácio propõe a Estevão que ensaie a apresentação.
71. Estevão faz um discurso de apresentação.
72. Os três se juntam a Estevão e começam a "tocar".
73. O volume da música aumenta.
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| Segunda-feira, Março 01, 2004 |
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O Argumento da Superveniência, ou ¿Vingança de Descartes¿
Jaegwon Kim irá nos apresentar, em sua obra Mind in a Physical World, cada passo da construção de um argumento ¿ no estilo de um dilema ¿ que aparentemente nos leva à conclusão de que a causação mental é ininteligível. Em sua essência, o argumento é o resultado da superimposição da superveniência mente-corpo em resposta ao problema da exclusão causal. Começaremos expondo os dois lados do dilema:
(i) Ou bem a superveniência mente-corpo vale, ou bem não.
(ii) Se a superveniência mente-corpo fracassa, não há nenhuma saída aparente para tornar inteligível a causação mental.
(iii) Suponha que a instância de uma propriedade mental M causa a instanciação de outra propriedade mental M*.
(iv) M* tem uma base física P*.
(v) M* é instanciado nesta ocasião:
a) porque, ex hypothesi, M causa M*; ou
b) porque P* foi instanciada ao mesmo tempo.
(vi) M causou M* pelo fato de causar P*.
(vii) M, ele mesmo, tem uma base física P.
(viii) P causou P*, e M supervem de P, e M* supervem de P*.
(ix) As relações causais de M - M* e M - P* são aparentes, ambas surgem de um autêntico processo causal que vai de P - P*.
(x) Se a superveniência mente-corpo falha, a causação mental é ininteligível; por outro lado, se ela vale, então também a causação mental é ininteligível. Portanto a causação mental é ininteligível.
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