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Patativa do Assaré Xilogravura de Francorli, Juazeiro do Norte

Sonhos Claudia Alexandra, portuguesa.

Banho de Lua Claudia Alexandra, portuguesa.
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| Sexta-feira, Abril 30, 2004 |
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| Filme do dia: "Taking lives" |
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| Quarta-feira, Abril 28, 2004 |
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Desamparo
Sou como um poeta
Pensa que ri
E chora
Que vive de ilusões
De fantasias não realizadas
Do ermo
Da noite fria
Como uma criança
Desamparada pela vida
Com a barriga cheia do nada
O coração vazio
Boca seca
E os olhos cheios de lágrimas
( Eveline Alvarez)
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| Segunda-feira, Abril 26, 2004 |
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Metafísica e Causação Mental
Para a autora Lynne Rudder Baker, a causação mental vem a ser um problema que vai de encontro com um fundo metafísico particular.
Segundo Baker, há três aspectos desse fundo metafísico que são importantes: o primeiro diz respeito à natureza da realidade; o segundo, à natureza da causação; e o terceiro, à concepção de comportamento .
Baker pretende mostrar que, a partir do cenário metafísico, o problema da causação mental é insolúvel. Simplesmente não temos resposta para a questão ¿Como eventos mentais, em virtude de possuir propriedades mentais, podem fazer uma diferença para o comportamento?¿ porque as muitas hipóteses que geram a questão não contribuem para o fornecimento de respostas. Para Baker , nós temos um impasse: devemos ou desistir de (parte do) cenário de fundo metafísico, ou desistir de quase todas as explicações que têm sido oferecidas para quaisquer coisas.
O Fundo Metafísico
Duas teses metafísicas, as quais são partes do cenário de fundo, geram o problema da causação mental. A primeira é a tese do materialismo, isto é, a tese de que toda propriedade-instanciação supervem de propriedades-instanciação de origem física; e a segunda é a tese do ¿fechamento causal do mundo físico¿, ou seja, a tese de que toda propriedade-instanciação física que tenha uma causa em t possui uma causa física completa em t.
Uma Proposta Modesta
Como podemos, então, entender o problema da causação? A sugestão de Baker é a de partir de um ponto de vista filosófico que não seja uma doutrina metafísica sobre a natureza da causação ou da realidade, e sim uma série de explicações que tenham sido merecedoras de aceitação. Isto inclui, pré-eminentemente, mas não exclusivamente, explicações científicas. Também inclui explicações do senso comum que explicam o fenômeno que encontramos em nosso cotidiano.
Sua proposta, então, é desmantelar o problema da causação mental rejeitando o cenário de fundo metafísico que gera o problema. Para Baker, se aceitarmos casos paradigmáticos de explicação nas ciências e no senso comum, e se pegarmos a noção de explicação como prioridade para a noção de causação, então a idéia de uma ¿causa completa¿ dificilmente faria sentido.
Baker conclui que, embora sua proposta tenha um aspecto fortemente pragmático, ela é sem dúvidas uma sugestão anti-realista. A autora não pretende igualar o que é real com o que é necessário para explicações e predições. Segundo ela, não possuímos um melhor acesso à realidade do que é requerido para o sucesso cognitivo, construído de forma ampla o suficiente para incluir o que é cognitivamente exigido para realizar metas executáveis tanto na ciência quanto na vida cotidiana. Assim, devemos começar com práticas explicativas bem sucedidas e deixar a metafísica prosseguir. Ao menos assim, segundo Baker, podemos evitar o problema insolúvel da causação mental.
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| Sexta-feira, Abril 23, 2004 |
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E saiu a lista dos indicados ao MTV Movie Awards 2004. O prêmio, que costuma ser o mais divertido, tem as indicações de Melhor Cena de Ação, Melhor Beijo, Melhor Comediante e muitos outros não convencionais pelos outros prêmios.
Este ano a cerimônia irá ocorrer dia 5 de junho, no Sony Studio, na Califórnia. Piratas do Caribe levou mais indicações, com 6, incluindo Melhor Ator e Melhor comediante para Johnny Depp. Em seguida estão Como se Fosse a Primeira Vez e X-MEN 2, com 4 indicações cada. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei recebeu 2 indicações: Melhor Seqüência de Ação, pela batalha de Gondor e Melhor Filme.
Um grande favorito no prêmio é o ator Jim Carrey, que, contando com esse ano, recebeu 13 inicações, e destas, recebeu o prêmio em seis. Em 1995, ele recebeu nada mais, nada menos que 5 indicações, entre Melhor Dupla, Melhor Comediante e Melhor Beijo (por Debi e Lóide), Melhor Dança e Melhor Comediante (O Máscara). Mas este ano, ele tem uma forte concorrente. É a Dory, de Procurando Nemo (versão original dublada por Ellen DeGeneres).
A MTV americana irá exibir a cerimônia de entrega em 10 de junho. A MTV Brasil ainda não divulgou a data de exibição, que também deverá ocorrer em junho. Enquanto isso, confira os indicados:
Melhor Filme
» Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra
» O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
» Como se Fosse a Primeira Vez
» X-Men 2
» Procurando Nemo
Melhor Ator
» Johnny Depp, por Piratas do Caribe
» Tom Cruise, por O Último Samurai
» Adam Sandler, Como se Fosse a Primeira Vez
» Bill Murray, Encontros e Desencontros
» Jim Caviezel, A Paixão de Cristo
Melhor Atriz
» Halle Berry, por Na Companhia do Medo
» Drew Barrymore, por Como se Fosse a Primeira Vez
» Charlize Theron, por Monster
» Queen Latifah, por A Casa Caiu
» Uma Thurman, por Kill Bill: Vol. 1
Melhor Performance Cômica
» Jim Carrey, por Todo Poderoso
» Will Ferrell, por Um Duende em Nova York
» Ellen DeGeneres, por Procurando Nemo (dublagem da personagem Dory)
» Johnny Depp, por Piratas do Caribe
» Jack Black, por Escola de Rock
Melhor Dupla
» Adam Sandler e Drew Barrymore, em Como se Fosse a Primeira Vez
» Will Smith e Martin Lawrence, em Bad Boys II
» Johnny Depp e Orlando Bloom, em Piratas do Caribe
» Jack Black e School of Rock Band, em Escola de Rock
» Ben Stiller e Owen Wilson, em Starsky & Hutch - Justiça em Dobro
Melhor Vilão
» Demi Moore, em As Panteras Detonando
» Lucy Liu, em Kill Bill Vol. 1
» Kiefer Sutherland, em Por um Fio
» Geoffrey Rush, em Piratas do Caribe
» Leatherface, em O Massacre da Serra Elétrica
Revelação Masculina
» Ludacris, por + Velozes + Furiosos
» Cillian Murphy, por Extermínio
» Shia LaBeouf, por Holes
» Shawn Ashmore, por X-Men 2
» Omarion, por You Got Served
Revelação Feminina
» Lindsay Lohan, por Sexta-Feira Muito Louca
» Scarlett Johansson, por Encontros e Desencontros
» Keira Knightley, por Piratas do Caribe
» Jessica Biel, por O Massacre da Serra Elétrica
» Evan Rachel Wood, por Aos Treze
Melhor Beijo
» Jim Carrey e Jennifer Aniston, em Todo Poderoso
» Keanu Reeves e Monica Bellucci, em Matrix Reloaded
» Charlize Theron e Christina Ricci, em Monster
» Owen Wilson, Carmen Electra e Amy Smart, em Starsky & Hutch
» Shawn Ashmore e Anna Paquin, em X-Men 2
Melhor Sequência de Ação
» Perseguição pela Freeway, em Bad Boys II
» Fuga da Mongólia, em As Panteras Detonando
» Batalha em Gondor, em O Retorno do Rei
» Perseguição de caminhão, em O Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas
Melhor Luta
» Queen Latifah versus Missi Pyle, em A Casa Caiu
» Uma Thurman versus Chiaki Kuriyama, em Kill Bill Vol. 1
» Keanu Reeves versus Hugo Weaving, em Matrix Reloaded
» The Rock versus Kontiki Rebels, em Bem-Vindo à Selva
» Hugh Jackman versus Kelly Hu, em X-Men 2
Melhor Sequência de Dança
» Ben Stiller e Jennifer Aniston (hot salsa dance), em Quero Ficar com Polly
» Seann William Scott (disco dance-off), em American Pie - O Casamento
» Steve Martin (in da club), em A Casa Caiu
» Drew Barrymore, Cameron Diaz e Lucy Liu (burlesque revue), em As Panteras Detonando
» Omarion, Marques Houston e as Lil Saints Dance Crew (the big bounce), em You Got Served |
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| Quinta-feira, Abril 22, 2004 |
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Uma tese é uma tese
- Mario Prata
Sabe tese, de faculdade? Aquela que defendem? Com unhas e dentes? É dessa tese que eu estou falando.
Você deve conhecer pelo menos uma pessoa que já defendeu uma tese. Ou esteja defendendo. Sim, uma tese é defendida. Ela é feita para ser atacada pela banca, que são aquelas pessoas que gostam de botar banca.
As teses são todas maravilhosas. Em tese. Você acompanha uma pessoa meses, anos, séculos, defendendo uma tese. Palpitantes assuntos. Tem tese que não acaba nunca, que acompanha o elemento para a velhice. Tem até teses pós-morte.
O mais interessante na tese é que, quando nos contam, são maravilhosas, intrigantes. A gente fica curiosa, acompanha o sofrimento do autor, anos a fio. Aí ele publica, te dá uma cópia e é sempre - sempre - uma decepção. Em tese. Impossível ler uma tese de cabo a rabo.
São chatíssimas. É uma pena que as teses sejam escritas apenas para o julgamento da banca circunspecta, sisuda e compenetrada em si mesma. E nós?
Sim, porque os assuntos, já disse, são maravilhosos, cativantes, as pessoas são inteligentíssimas. Temas do arco-da-velha. Mas toda tese fica no rodapé da história. Pra que tanto sic e tanto apud? Sic me lembra o Pasquim e apud não parece candidato do PFL para vereador? Apud Neto.
Escrever uma tese é quase um voto de pobreza que a pessoa se autodecreta. O mundo pára, o dinheiro entra apertado, os filhos são abandonados, o marido que se vire. Estou acabando a tese. Essa frase significa que a pessoa vai sair do mundo. Não por alguns dias, mas anos. Tem gente que nunca mais volta.
E, depois de terminada a tese, tem a revisão da tese, depois tem a defesa da tese. E, depois da defesa, tem a publicação. E, é claro, intelectual que se preze, logo em seguida embarca noutra tese. São os profissionais, em tese. O pior é quando convidam a gente para assistir à defesa. Meu Deus, que sono. Não em tese, na prática mesmo.
Orientados e orientandos (que nomes atuais!) são unânimes em afirmar que toda tese tem de ser - tem de
ser! - daquele jeito. É pra não entender, mesmo. Tem de ser formatada assim. Que na Sorbonne é assim, que
em Coimbra também. Na Sorbonne, desde 1257. Em Coimbra, mais moderna, desde 1290.
Em tese (e na prática) são 700 anos de muita tese e pouca prática. Acho que, nas teses, tinha de ter uma
norma em que, além da tese, o elemento teri a de fazer também uma tesão (tese grande). Ou seja, uma versão
para nós, pobres teóricos ignorantes que não votamos no Apud Neto.
Ou seja, o elemento (ou a elementa) passa a vida a estudar um assunto que nos interessa e nada. Pra quê? Pra virar mestre, doutor? E daí? Se ele estudou tanto aquilo, acho impossível que ele não queira que a gente saiba a que conclusões chegou. Mas jamais saberemos onde fica o bicho da goiaba quando não é tempo de goiaba. No bolso do Apud Neto?
Tem gente que vai para os Estados Unidos, para a Europa, para terminar a tese. Vão lá nas fontes.
Descobrem maravilhas. E a gente não fica sabendo de nada. Só aqueles sisudos da banca. E o cara dá logo
um dez com louvor. Louvor para quem? Que exaltação, que encômio é isso?
E tem mais: as bolsas para os que defendem as teses são uma pobreza. Tem viagens, compra de livros caros, horas na Internet
da vida, separações, pensão para os filhos que a mulher levou embora. É, defender uma tese é mesmo um voto de pobreza, já diria São Francisco de Assis. Em tese.
Tenho um casal de amigos que há uns dez anos prepara suas teses. Cada um, uma. Dia desses a filha, de 10
anos, no café da manhã, ameaçou:
- Não vou mais estudar! Não vou mais na escola.
Os dois pararam - momentaneamente - de pensar nas
teses.
- O quê? Pirou?
- Quero estudar mais, não. Olha vocês dois. Não fazem mais nada na vida. É só a tese, a tese, a tese. Não pode comprar bic icleta por causa da tese. A gente não pode ir para a praia por causa da tese. Tudo é pra quando acabar a tese. Até trocar o pano do sofá. Se eu estudar vou acabar numa tese. Quero estudar mais, não.. Não me deixam nem mexer mais no computador.
Vocês acham mesmo que eu vou deletar a tese de vocês? Pensando bem, até que não é uma má idéia!
Quando é que alguém vai ter a prática idéia de escrever uma tese sobre a tese? Ou uma outra sobre a
vida nos rodapés da história?
Acho que seria uma tesão.
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| Segunda-feira, Abril 19, 2004 |
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Agência e Explicação Causal
Hornsby irá situar o problema da agência em termos de dois pontos de vista. O primeiro refere-se ao ponto de vista pessoal, segundo o qual uma ação é definida como sendo uma pessoa fazendo algo por uma razão, e esta realização de algo por tal agente é tido como inteligível quando sabemos a razão que leva o mesmo a fazê-lo. O segundo ponto de vista é o impessoal, de acordo com o qual uma ação deveria ser uma ligação numa cadeia causal que poderia ser vista sem se prestar atenção à pessoa, sendo as ligações entendidas por referencia aos trabalhos causais do mundo. Os problemas a respeito da agência vêm à tona quando começamos a questionar se o ponto de vista impessoal não estaria ameaçando, ou pondo em perigo, o ponto de vista pessoal.
A autora irá sugerir que as ações não são, de fato, acessíveis a partir do ponto de vista impessoal: primeiramente, negando que ações são eventos; e, posteriormente, negando a afirmação de que a explicação da ação é uma explicação causal.
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| Quarta-feira, Abril 14, 2004 |
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Isso sim... é poesia... é música é arte...
[ Ai Se Sesse - Zé da Luz ]
Se um dia nóis se gostasse
Se um dia nóis se queresse
Se nóis dois se empareiasse
Se juntim nóis dois vivesse
Se juntim nóis dois morasse
Se juntim nóis dois drumisse
Se juntim nóis dois morresse
Se pro céu nóis assubisse
Mas porém se acontecesse, de São Pedro não abrisse
A porta do céu e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse
E tu com eu insintisse
Prá que eu me arresouvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Távez que nóis dois ficasse
Távez que nóis dois caisse
E o céu furado arriasse
E as virgem toda fugisse
*Cordel do Fogo Encantado [ http://www.cordeldofogoencantado.com.br ] |
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| Segunda-feira, Abril 12, 2004 |
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Teoria da União
Segundo Honderich , existe algo chamado de intimidade psiconeural. Podemos dizer, a partir disso, que um evento mental ou consciente, M, surge simultaneamente a um evento neural, N. Mais precisamente, há alguma conexão direta e necessária entre M e N. Esta convicção da existência de uma intimidade psiconeural é uma hipótese defendida pela neurociência, e parece ser difícil a sua negação. Honderich também afirma a existência de algo que pode ser denominado de indispensabilidade mental. Esta tese afirma que M é uma parte indispensável daquilo que explica uma determinada ação A. Mais precisamente, ao considerarmos explicações para A que incluam apenas eventos ocorrentes ao mesmo tempo que M, nenhuma é completa sem M, e, uma vez que consideramos explicações completas para A após M, todas incluem algo explicado parcialmente por M. A convicção da existência de uma indispensabilidade mental, que concerne não apenas a explicação de ações, mas de muitos eventos mentais, é uma negação do epifenomenalismo.
Honderich irá propor uma Teoria da União em justaposição á Teoria da Identidade. Esta Teoria da União pode ser exemplificada da seguinte forma: uma vez que N ocorre, M também ocorre, e por esta razão, sem M, N não teria ocorrido. M e N, portanto, constituem um par psiconeural, que, essencialmente, se referem a um único efeito, M e N foram causais no que se refere a A.
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| Quarta-feira, Abril 07, 2004 |
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Para refletir um pouco...
Beijos p/ todos...
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de mar - e um barco com o nome da amiga, e uma linha e um anzol pra pescar ?
E enquanto pescando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos, uma pro caniço, outra pro queixo, que é para ele poder se perder no infinito, e uma garrafa de cachaça pra puxar tristeza, e um pouco de pensamento pra pensar até se perder no infinito
De que mais precisa um homem senão de um pedaço de terra -- um pedaço bem verde de terra -- e uma casa, não grande, branquinha, com uma horta e um modesto pomar; e um jardim - que um jardim é importante - carregado de flor de cheirar ?
E enquanto morando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para mexer a terra e arranhar uns acordes de violão quando a noite se faz de luar, e uma garrafa de uísque pra puxar mistério, que casa sem mistério não valor morar
De que mais precisa um homem senão de um amigo pra ele gostar, um amigo bem seco, bem simples, desses que nem precisa falar -- basta olhar -- um desses que desmereça um pouco da amizade, de um amigo pra paz e pra briga, um amigo de paz e de bar ?
E enquanto passando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de suas mãos para apertar as mãos do amigo depois das ausências, e pra bater nas costas do amigo, e pra discutir com o amigo e pra servir bebida à vontade ao amigo ?
De que mais precisa um homem senão de uma mulher pra ele amar, uma mulher com dois seios e um ventre, e uma certa expressão singular ? E enquanto pensando, enquanto esperando, de que mais precisa um homem senão de um carinho de mulher quando a tristeza o derruba, ou o destino o carrega em sua onda sem rumo ?
Sim, de que mais precisa um homem senão de suas mãos e da mulher -- as únicas coisas livres que lhe restam para lutar pelo mar, pela terra, pelo amigo ..."
Vinícius de Moraes |
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| E eu fui te possuindo como uma parafernália de inferno. Chovia monossílabo. Um eco, que vinha do silêncio sereno do além, avexava meu coração de doida, doida de medo, da penumbra encharcada de desejos. Eu era mais que uma paisagem era todo o universo apavorado de lírios e sonatas à luz de Hiroxima. O sentimento de desordem não é caos naquele botequim de imagens. O caos era apenas quatro letras que se juntavam, em passeata, para aproximar-me de ti. Estou no chafurdo dos loucos. Na avenida transitada por Cristo, antes de conhecer Madalena, Judas, seus pertences...sonhei que a andorinha abocanhava meus nervos. Que a cobra era um retângulo, um Dali, com sabor de frutas daqui, do pomar de poeta lindo que brincava de esconder seus olhos de Luzia. Meu coração está todo apavorado de carícias. Meus sonhos já não me pertencem. Estou te amando. Te querendo entre as coxas, braços, nuca, pernas, ombros, boca! |
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| estou assistindo a um filme. nao incomode-me. |
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| Quinta-feira, Abril 01, 2004 |
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ciranda parte um - de abril
que eu pegue na mão de Epicuro e chame pra roda os Sofistas todos também e que gente pule e gire-gire-gire nessas mediações de ciranda forte e ai, quantos sorrisos, os nossos, de sair espuma da boca da gente e aí sim, carrochos loucos, nós, ao que tá ali, bem num recantinho ali, dentro da carracundice própria, Kant, duro na dança, como há de querer que eu o acompanhe nesse mormaço? ah, meus amigos, que até Górgias alopra, ei, nada existe, ihú, mas que tinha um Sócrates e, putufu, cacetadas, e eu, eu não, boto moral na cachorrada, e mando baixar a bola: em prol mesmo é da cacrorrice, porque, oras, é festa, é festa. *festa-festa* iupi. (roda, roda, roda, nos jardins, sh, Epicuro e eu, e convidados) Ao que, até, nossa, Wittguinho, charmoso, todo querendo de relance entrar e que eu digo, homem, chegue, tenho um amiguinho pra você. Stuart, o Mill, que ai, pisca e calcula: oxe, se é util pra você, você e você outro, é útil pra mim, que sou humanidade em pessoa. ao que ficam medindo limite de utilidade de mundo, num palavreado toscútilanalítico. WittMill, a herdância. Só me rio, Epi-cura, fazendo uma conchinha com as mãos> que depositem palavreado ali, os lósofos todos, feito brincadeira de anel: o que c tem pra me dizer? E vai-se juntando, ando, ando, até formar uma bolha grande perdida, solta. um mesmo saco seco ao vento. rumo algum? algum. Soltando espuma pela boca, a exigência é o puro respirar. Ao que a gente continua. e dança, roda, rodopia. O resto, diriam eu e uma outra eu em concordata, mais e mais: é tudo uma grande invenção.
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